Phumi Nkuta coleciona desde cedo a sensação de que falta “um passo maior” para sua carreira — a chance de medir forças com um nível superior ao que costuma aparecer no circuito regional. Mesmo com performances dominantes e habilidades de comunicação no estilo de quem domina o microfone como um lutador de pro wrestling, além de apoios de nomes de peso como Merab Dvalishvili e Aljamain Sterling, a porta do UFC demorou a abrir.
- Lutador: Phumi Nkuta (11-0)
- Contexto: busca por uma oportunidade contra adversários de maior nível no cenário global
- Fator decisivo mencionado: mudança de postura mental e redução da cobrança por um chamado
- Gatilho da oportunidade: problemas de visto de Mohammad Mokaev e necessidade de novo oponente para Adriano Moraes
- Evento citado: card com Rousey x Carano, no Intuit Dome, em Inglewood, Califórnia
Demora para a chance e a virada de mentalidade
Nkuta vinha insistindo por uma oportunidade que o colocasse frente a frente com atletas acima do padrão do circuito em que atuava. Apesar disso, o matchmaker Mick Maynard não cedeu às pressões para encaixar o lutador no card. Com isso, o atleta passou por um período de frustração: ele tentou ajustar o discurso, intensificar campanhas e “cortar as promos” para chamar atenção, mas a resposta não vinha.
Mais recentemente, porém, ele explica que encontrou um ponto de equilíbrio. Segundo Nkuta, em determinado momento ele simplesmente parou de se importar com as cobranças e com a espera, focando em aproveitar a própria rotina como lutador. A mudança teria sido tão significativa que ele afirma que a frustração havia desaparecido “há muito tempo”, mesmo antes do surgimento do convite para o UFC.
Ao comentar a fase, Nkuta descreve que, apesar de reconhecer a chance como algo extremamente positivo — e até com sensação de alívio por finalmente ter a oportunidade —, ele já estava satisfeito com a vida antes mesmo de chegar esse momento. Para ele, o que sustenta o dia a dia é o amor pelo treino, o prazer de fazer parte de camps para outros atletas e, ao mesmo tempo, ter o espaço para entrar no octógono e fazer seu trabalho.
Conversa com a mãe tira o peso e abre espaço para a oportunidade
Para entender essa nova perspectiva, Nkuta aponta um fator importante: uma conversa com a própria mãe. De acordo com o lutador, ela teria lembrado que ele já havia conquistado muitos títulos, avançado mais do que imaginava no início e, independentemente de qualquer coisa, a família seguia orgulhosa do que ele já tinha feito no esporte. Esse tipo de mensagem, na visão do atleta, teria reduzido a pressão e deixado o cenário mais claro: não era sobre “cobrar” o momento, e sim manter a trajetória.
Essa virada mental coincide com o momento em que a oportunidade finalmente surgiu. Nkuta relata que, assim que ele parou de pedir por uma chance, o chamado acabou chegando: Mohammad Mokaev enfrentava problemas de visto, enquanto Adriano Moraes precisava de um novo oponente. Com uma necessidade colocada em cima da hora e uma solução sendo procurada, Phumi Nkuta foi acionado para “resolver” o ajuste no card.
Estar no mesmo card de ídolos é um sonho — mas o foco é provar
Nkuta também descreve o impacto emocional de dividir a noite com lutadores cujos cartazes faziam parte do ambiente em que ele cresceu e estudava. O atleta afirma que, para ele, é uma experiência quase surreal estar no mesmo evento que nomes que marcaram a cultura do MMA. Ele se coloca como fã antes de qualquer coisa: relembra que acompanhava lutas de figuras como Ngannou, Ronda Rousey e outras estrelas de diferentes gerações, além de citar momentos de quando era adolescente, assistindo a confrontos envolvendo Gina Carano e também a luta de Gina contra Cris Cyborg.
Ele ainda acrescenta que já viu lutas ao vivo, incluindo a presença em um evento em que Nate Diaz lutou contra Jim Miller, ressaltando que estar no card com esse tipo de referência seria “um sonho realizado”, especialmente por ocupar um bom espaço dentro da programação do evento.
Apesar do contexto especial, Nkuta reforça que não pretende perder tempo admirando o ambiente. Ele projeta que vai respirar fundo, olhar ao redor para se situar e então se concentrar em algo bem direto: trabalho e prova. Para ele, a oportunidade no evento significa mais do que presença — representa a chance de deixar claro que seu momento no esporte é real e que seu estilo não deixa dúvidas.
“Indiscutível”: Nkuta se diz pronto para responder dentro do octógono
Phumi Nkuta acredita que, agora, a percepção sobre ele tende a ficar mais “inegável”. O lutador afirma que é preciso reconhecer dois pontos: que ele é bom e que também é um atleta empolgante de assistir. Na avaliação do brasileiro, quem assistiu às suas lutas anteriores sabe disso com clareza, e ele provoca dizendo que seria necessário estar “fora da realidade” ou sem capacidade de raciocinar para alegar que aqueles combates não foram emocionantes.
Com isso, o recado de Nkuta é alinhado ao que ele busca há anos: não apenas uma vaga, mas uma chance de entrar, executar e transformar expectativa em resultado — no card do evento citado, no Intuit Dome, em Inglewood, Califórnia, diante de um público que, para ele, representa o topo do esporte.

