Dana White movimenta UFC 328 e UFC Freedom 250 em Newark; veja bastidores

Uma semana intensa marcou a agenda do presidente e CEO do UFC, Dana White. Além do UFC 328, o dirigente também esteve envolvido na primeira coletiva do UFC Freedom 250, com os dois eventos acontecendo em Newark, no estado de Nova Jersey. Com isso, quando White chegou aos bastidores para a entrevista pós-luta do UFC 328, a imprensa já tinha uma lista extensa de perguntas para tentar destrinchar os detalhes do que foi visto no Prudential Center.

O ponto central das conversas foi o combate principal entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland, que terminou apenas nas cartas. Na soma dos rounds, Strickland conseguiu recuperar o cinturão de pesos-médios de forma unificada, levando a vitória por decisão dividida, retomando o título que estava fora de seu controle. White comentou sobre o próprio julgamento e deixou claro que, na visão dele, o final do duelo foi decisivo. O dirigente afirmou que marcou a luta, chegando ao último round com empate em 2 a 2, e disse que entendia que Strickland venceu a etapa final.

White também explicou o que chamou atenção na comparação entre o Chimaev visto em lutas anteriores, especialmente na chamada “Fight Island”, e o desempenho apresentado naquele sábado. Segundo ele, o lutador vinha falando com frequência sobre o trabalho em pé dentro do corner, mas que, em um intervalo recente, a impressão era de que faltou ver o atleta realmente trocar de forma mais “pé contra pé” com alguém. Ainda assim, o presidente atribuiu uma parte do que aconteceu ao corte de peso, sugerindo que uma preparação mais difícil na balança pode ter pesado no rendimento de Chimaev naquele duelo. Ele ainda contou que, depois da luta, Chimaev foi direto ao assunto e demonstrou intenção de mudar de categoria.

De acordo com o que White relatou, Chimaev teria dito que quer subir para o peso-pesado, evitando permanecer naquela divisão. “Ele literalmente veio até mim após o combate e falou: ‘Eu quero subir. Não quero lutar mais nessa categoria’”, confirmou o dirigente. A mesma entrevista também trouxe contexto sobre a trajetória recente de Strickland, já que o norte-americano agora soma conquistas por título tanto sobre Israel Adesanya quanto sobre Khamzat Chimaev. White foi questionado sobre como enxergava a carreira do lutador à luz dessas duas vitórias e respondeu destacando a magnitude do que foi feito. Para o dirigente, Strickland apresenta um estilo pouco convencional, é extremamente difícil de combater e, além disso, enfrentou adversários duráveis e persistentes — uma característica que, segundo ele, fica evidente no comportamento de atletas como Chimaev.

Outro assunto que dominou a pauta foi o retorno de Joshua Van ao centro do debate do peso-mosca após a conturbada troca de comando que aconteceu no UFC 323. Na ocasião, a divisão ficou com uma interrogação após Alexandre Pantoja sofrer uma lesão incomum no braço, o que abriu espaço para Van conquistar o cinturão. O desafio então era entender como o novo campeão se comportaria sob pressão, e White afirmou que a resposta veio no sábado, com Van protagonizando uma atuação eletrizante para finalizar Tatsuro Taira no quinto round, garantindo a primeira defesa do título. O presidente comentou que o fato de Van ter aparecido e entregado o que precisava depois da luta anterior, quando acabou ficando com o cinturão por conta do problema físico de Pantoja, foi um ponto que o impressionou. Ele também resumiu o que viu como uma guerra.

Mais tarde, já em outra rodada de perguntas na coletiva, Dana White foi provocado sobre se alguma apresentação teria surpreendido. O dirigente respondeu que não considerava que houve grandes “surpresas” no sentido de mudar o panorama de expectativas, mas reforçou a impressão que ficou de Van. White disse não acreditar que alguém tenha o “choque” naquela noite, citando que até mesmo no evento principal ele conversou com Chris Weidman e ouviu comentários que reforçavam como muita gente subestimaria Strickland. Ainda assim, ele deixou claro que não entendia Strickland como um azarão na proporção sugerida antes do confronto, e voltou a elogiar o que considerou o melhor exemplo de impacto do card: a luta de Van, marcada por alternância constante e intensidade do início ao fim. Para White, nenhum resultado teria bagunçado seus planos em qualquer divisão, mas Van teria deixado uma impressão forte.

Na sequência da conversa, Jim Miller entrou em foco por conta de mais uma vitória e mais uma finalização adicionadas ao histórico do veterano. White destacou que Miller derrotou Jared Gordon no UFC 328, ampliando sua sequência de resultados. O primeiro round terminou com submissão do próprio Miller sobre Gordon, e esse desempenho rendeu ao lutador o bônus de Performance of the Night no valor de 100 mil dólares. White também revelou que o UFC já está preparando algo ainda maior para o atleta, graças a um novo contrato multi-lutas assinado recentemente. Segundo o presidente, aquela teria sido a última luta do acordo anterior e, na sequência, Miller foi fechado para mais cinco combates. White ainda brincou com o cenário de quantos resultados podem ser alcançados caso o veterano cumpra o número total previsto, citando que seriam 50 lutas na organização se ele vencesse quatro vezes e chegando a 51 caso chegasse ao último compromisso do contrato.

O dirigente explicou a dinâmica da negociação e como a decisão de ampliar o vínculo foi motivada. Ele contou que Sean Shelby teria sugerido um acordo de quatro lutas, mas que a escolha final foi por cinco. Em seguida, White respondeu a um questionamento sobre se Miller seria um talento subestimado dentro do UFC. O presidente disse que não sabia exatamente como chamar isso, mas que enxergava Miller como um lutador especial. White ainda comentou que, mesmo com a idade do atleta, o veterano teria entrado naquela luta como favorito em uma leitura de cenário e, principalmente, que ele venceu já no primeiro round via finalização — argumento que, na visão dele, torna difícil não premiar Miller com o bônus naquela noite. Para fechar o tema, White reiterou que Miller não parecia ser “o tipo de caso” de alguém que estaria escondido, e sim um nome que sempre entrega algo acima da média.

Já no UFC Freedom 250, os bastidores deixaram outro tipo de clima: agitação e tensão na coletiva de imprensa. O peso-pesado Josh Hokit tentou provocar primeiro seu oponente no momento, Derrick Lewis, e depois mirou também Alex Pereira e, por fim, Ilia Topuria, que vinha como campeão dos leves. O problema teria sido a percepção de Topuria de que o discurso de Hokit ultrapassou a linha. A situação escalou, a segurança precisou intervir e, ao final, Hokit acabou sendo retirado do local. White se mostrou contra o modo como a troca de provocações aconteceu no púlpito, principalmente considerando que Hokit e Topuria não devem se enfrentar no octógono por conta de uma diferença grande de peso entre os dois.

Na avaliação do presidente, não faz sentido existir risco físico por conta de algo sem relevância esportiva, ainda mais quando os lutadores não teriam, realisticamente, um duelo planejado. Ele enfatizou que não é como se Ilia Topuria e Josh Hokit fossem se enfrentar em breve, e sustentou que o episódio, no todo, foi “bobo” — mesmo reconhecendo que Hokit acabou “entrando” e vencendo o quinto colocado do ranking mundial. White também afirmou que, em condições normais, Topuria e Alex Pereira costumam ser pessoas tranquilas, com exceção de momentos em que Topuria pode se exaltar. Ainda assim, o dirigente disse que não esperava que a reação acontecesse naquele nível, sobretudo porque os atletas estavam lado a lado, na mesma fila, e com Sean O’Malley se deslocando, criando um cenário que, segundo White, o deixou incrédulo, já que a preocupação dele era apenas com as pesagens — e não com confusão no evento. Para ele, a preparação do UFC para lidar com esse tipo de situação precisa seguir firme, pois é o tipo de realidade do negócio.

White também comentou sobre um episódio na coletiva do UFC Freedom 250 envolvendo um menino do público que subiu ao palco para tirar fotos com lutadores. Segundo o dirigente, a criança teria sido alguém que gritava pelo nome dele, algo que White disse gostar de fazer para crianças pequenas. Ele relatou que o garoto teria dito que aquele era “o melhor dia da vida”, reforçando o clima de celebração fora do aspecto competitivo.

Outro trecho da conversa foi sobre os planos do UFC e o que pode vir por aí. White afirmou que o UFC Freedom 250 tem potencial para se tornar o maior evento que a empresa já realizou, citando que os números daquela noite foram “monstruosos” e que a luta da Casa Branca superaria qualquer expectativa. Na sequência, ele falou sobre a força do Prudential Center e do desempenho recente do UFC na região, lembrando que o local recebeu eventos com casa cheia e que o recorde foi quebrado também em Perth. Para White, a cidade e o estado têm sido bons parceiros para a companhia, e o histórico do ginásio na região inclui diferentes marcos de bilheteria e presença, com o dirigente ressaltando que os fãs costumam comparecer em peso e que o ambiente do local ajuda o UFC a repetir resultados.

Dentro desse planejamento global, o presidente comentou que não há datas fechadas para a Espanha, mas que existe vontade de voltar ao país. Ele disse que, se a organização for concretizar algo na região, a intenção seria levar um nome como Ilia Topuria, e que a resposta final era “sim” para a ideia, mas “não” para qualquer compromisso já agendado. White também tocou no assunto do Japão ao comentar cenários alternativos: caso o resultado do combate de Tatsuro Taira e Joshua Van tivesse sido diferente, a possibilidade de um evento no país asiático teria sido tratada de forma mais direta. O dirigente disse estar animado com a chance de voltar ao Japão e que a equipe compartilharia da mesma expectativa, desde que o cinturão tivesse mudado de mãos naquele contexto.

Quando questionado sobre a possibilidade de o UFC retornar a Paris em setembro em um card numerado, White respondeu que a pergunta era válida e que o mercado francês é extremamente forte. Para ele, a chance existe. O presidente então ampliou a visão sobre matchmaking, explicando que as reuniões de montagem de lutas passam por uma avaliação de cada divisão, com a equipe trabalhando para reforçar categorias que julgam estar mais frágeis, além de buscar maneiras de deixar as lutas mais atrativas e injetar mais nomes no peso correspondente. White declarou que o trabalho do setor tem sido excelente nesse sentido.

Por fim, Dana White abordou a lógica de construção de eventos e a influência de atletas que puxam atenção para o produto. Ele mencionou que, quando o assunto é colocar Conor McGregor no planejamento, tudo tende a funcionar bem, e disse que há uma fórmula: o raciocínio passa por uma equação baseada em média de compras do pay-per-view do lutador e no desempenho comercial que ele costuma gerar. Segundo White, essa metodologia já foi aplicada a outros nomes além de McGregor, reforçando como o UFC tenta transformar números em estratégia para atrair público e manter o interesse em alto nível.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.