Darren Till ironiza Dana White: IA nas promos e “atitude” no UFC

O ex-destaque do UFC no Reino Unido, Darren Till, voltou a provocar discussões ao mirar diretamente a postura de Dana White e da cúpula do evento. Em entrevista recente, o lutador criticou a forma como a marca tem se comunicado com o público, citou o uso de inteligência artificial para peças promocionais e afirmou que, na visão dele, o comandante do Ultimate estaria desligado do que acontece dentro do octógono e do interesse do fã.

  • Lutador em foco: Darren Till
  • Alvo das críticas: Dana White e a condução de promoções do UFC
  • Contexto: declarações em entrevista recente a Ariel Helwani
  • Assunto central: uso de A.I. nas campanhas e postura “desinteressada” em coletivas
  • Atual cenário do lutador: Till indicou que parece “assentado” no BKFC

De estrela britânica do UFC a fase de instabilidade

Darren Till já foi um dos principais nomes do MMA britânico dentro do UFC e recebeu da organização um empurrão importante entre 2017 e 2020. “The Gorilla”, como é conhecido, acabou deixando a companhia após um período de resultados irregulares, acumulando uma sequência de cinco derrotas seguidas no período final, momento em que pediu e conseguiu liberação para se recuperar e tentar competir no boxe.

Desde então, a trajetória do peso-médio seguiu em altos e baixos no universo do influencer boxing, mas ele agora parece mais estabilizado ao afirmar que está direcionado ao BKFC.

Críticas a Dana White: ego, falta de conexão e A.I. nas promos

Na conversa com Ariel Helwani, Till foi direto ao ponto ao dizer que muita gente já o acusava de estar “fora” do MMA, mas que ele mesmo considerou a crítica mais clara quando olhou para a própria postura de White. O lutador sustenta que o problema estaria na forma como o presidente estaria conduzindo o produto, com o ego “fora de controle” e, principalmente, com um distanciamento do que ocorre na cena do UFC.

Segundo Till, Dana White estaria “desligado” da organização e ele próprio afirmou que não acompanha mais o evento como antes. De acordo com o britânico, ele não saberia dizer “metade” dos atletas que lutam no card atualmente, e avaliou que as noites não estariam tão “vivas” para o público, citando a falta de grandes estrelas.

Reclamação com a mídia: perguntas sem resposta e postura “quem liga?”

Além de atacar o lado promocional, Till também direcionou críticas ao tratamento dado às perguntas feitas por jornalistas. Ele disse que, sempre que White aparece em coletivas, seria como se os repórteres tivessem medo de falar o que realmente querem. Quando as perguntas surgem, Till alega que Dana responde com uma postura de desprezo, como se a opinião do público não importasse.

“Nós nos importamos”, afirmou Till, reforçando que ele próprio “se importa” e que, na visão dele, o presidente deveria parar com o egocentrismo e dar respostas mais diretas. Para o lutador, a frase e a atitude de “quem se importa?” irritam justamente por transmitirem que o fã e a imprensa não teriam valor para a narrativa do evento.

“Cadê as promos?”: Till compara campanhas antigas com o que, na visão dele, sumiu

O ex-campeão britânico também comentou o que considera ter mudado na forma de produzir prévias de combate. Till relembrou promoções mais antigas do UFC, nas quais o público aguardava no local e, ao ver um telão com música e clima de conflito, era apresentado o duelo com intensidade, destacando o senso de confronto e a construção da rivalidade.

Ele citou exemplos como Holly Holm x Ronda Rousey, mencionando o uso de trilha clássica e a narrativa que mostrava o crescimento da atleta no judô antes do torneio olímpico, além de lembrar Jon Jones x Daniel Cormier com uma abordagem mais dramática, como se o combate fosse uma disputa com “demônios”.

Na sequência, Till afirmou que, quando precisa de motivação, recorre a esse tipo de material antigo como referência e combustível mental. O lutador disse que, quando ele e Mike Perry lutarem no BKFC, pretende se reunir com David Feldman e Conor McGregor para produzir “a promo definitiva”, exatamente pelo motivo de não encontrar mais o mesmo impacto nas campanhas atuais.

Promoções com A.I. devem continuar, mas Till vê problema no caminho

Till também comentou que a equipe de produção do UFC, segundo o que foi defendido por pessoas ligadas ao projeto, pretende manter o formato de campanhas com inteligência artificial. O lutador considerou isso “triste”, especialmente por entender que a organização nunca esteve em um momento financeiro tão forte quanto agora.

Mesmo assim, ele acredita que o dinheiro não necessariamente chega do jeito esperado ao produto final e reforçou que fãs do universo do entretenimento esportivo já percebem, com clareza, uma lógica de extração de valor por parte do grupo controlador. No entendimento de Till, os torcedores do UFC sabem que “algo está errado”, mas muitos ainda não identificaram exatamente o que é.

Fechando o raciocínio, Darren Till sugeriu que talvez o que esteja faltando seja justamente a mentalidade atribuída aos dirigentes: aquela postura de “quem se importa?”, que, na visão dele, elimina o interesse do público e tira o combate do tom que o transformava em espetáculo.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.