Demetrious Johnson, ex-campeão e um dos nomes mais respeitados do MMA, criticou publicamente a preparação de Khamzat Chimaev para o UFC 328. Na visão do americano, o russo-sueco teria treinado pesado demais, ideia que ganhou força após Chimaev perder o cinturão dos médios em decisão dividida no main event do evento realizado no Prudential Center, em Newark, nos Estados Unidos.
O que a derrota muda no ranqueamento e na disputa pelo cinturão dos médios
No sábado, Chimaev (15-1 no MMA, 9-1 no UFC) perdeu o título dos meio-médios para Sean Strickland (31-7 no MMA, 18-7 no UFC) por decisão dividida. O desfecho ficou definido no quinto round: dois dos três juízes deram a parcial para Strickland, enquanto os demais cartões não foram suficientes para manter o campeão no topo.
Com a perda do cinturão, o resultado reposiciona Chimaev dentro do cenário dos médios, já que a decisão dividida tende a manter a discussão sobre qual lutador controlou melhor as fases mais importantes da luta. Ao mesmo tempo, Strickland sai com a confirmação da força nos momentos decisivos, especialmente no round final que virou o placar.
- Chimaev: 15-1 no cartel geral; 9-1 no UFC; perdeu o cinturão em decisão dividida.
- Strickland: 31-7 no cartel geral; 18-7 no UFC; venceu no main event e ganhou a faixa.
- Chave do placar: no 5º round, dois juízes marcaram a favor de Strickland.
Contexto do camp: intensidade, condicionamento e o “ponto de queda” na luta
Para o segundo acampamento consecutivo, Chimaev realizou o trabalho de força e condicionamento na garagem, ao lado do treinador Sam Calavitta. Apesar de ter sustentado o ritmo por cinco rounds contra Dricus du Plessis no UFC 319, a performance contra Strickland apresentou uma queda mais clara: no segundo round, Chimaev desacelerou de forma considerável e acabou recuando para a guarda depois de uma tentativa frustrada de queda.
Esse detalhe de execução e ritmo foi central para a leitura feita por Johnson. Em seu canal no YouTube, o ex-lutador afirmou que, na opinião dele, Chimaev estaria treinando “pesado demais”, sugerindo que existe um limite real para o ganho de condicionamento quando o atleta já está bem preparado.
Johnson argumentou que, quando o corpo já alcança um nível alto de condicionamento, o retorno do treino tende a diminuir. Segundo ele, a soma de muitas horas de sparring e treino técnico, seguida de um trabalho intenso e desgastante na garagem, pode acabar “quebrando” o lutador antes do combate — e, com isso, o atleta chega ao evento com o organismo já desgastado por um período longo.
De acordo com o que o ex-campeão descreveu, ao chegar na luta o corpo teria passado por um “inferno” ao longo de oito a dez semanas. Johnson ressaltou que, em sua avaliação, o padrão que antes era mais comum (“treinar muito”) hoje encontra um contraponto maior com o avanço do conhecimento no esporte, destacando a tendência de que “menos pode ser mais”. Para ele, o excesso de carga pode fazer o lutador perder eficiência em vez de ganhar vantagem.
Na mesma linha, Johnson também sugeriu que, em vez de manter o ciclo de desgaste, o atleta poderia se beneficiar de tirar dois dias para descansar e relaxar, reduzindo o acúmulo de fadiga sem abrir mão do trabalho necessário.
Quem apontou o motivo da queda: corte de peso e mudança de rota no planejamento
Além da crítica direta de Johnson, uma explicação que apareceu no debate foi atribuída a outra leitura do quadro de desempenho: o arrefecimento de Chimaev teria relação com o grande corte de peso. A hipótese mencionada colocava Chimaev como alguém que estaria “crescendo” para uma possível transição de categoria, mirando o peso-pesado — especialmente por conta do discurso de ganhar volume antes de uma mudança de rota.
O ponto de virada, porém, ocorreu no caminho: após Strickland finalizar Anthony Hernandez em fevereiro, Chimaev teria decidido defender o cinturão dos médios em vez de seguir com a mudança de categoria. A teoria, portanto, envolve uma combinação de fatores: a carga de preparação, o impacto do corte e a oscilação de foco entre categorias, tudo isso refletindo no ritmo apresentado em momentos-chave, como o segundo round e, principalmente, o quinto decisivo.
Próximos passos prováveis para Chimaev e Strickland
Com Strickland saindo como campeão após decidir a luta no 5º assalto e Chimaev ficando sem a faixa, o cenário imediato tende a girar em torno de novas movimentações no topo dos médios. Para o derrotado, a prioridade costuma ser reconstruir posição no ranking com uma vitória convincente, já que a perda do cinturão por decisão dividida mantém espaço para reivindicar novas oportunidades. Para o campeão, o caminho provável passa por alinhar uma próxima defesa que faça sentido em termos de ranking e narrativa, mantendo o título no centro do card.
Enquanto isso, a discussão aberta por Johnson pode influenciar o próprio camp de Chimaev daqui em diante, com mais atenção ao equilíbrio entre sparring, trabalho físico e preservação do corpo para chegar inteiro à semana de luta — especialmente depois de um combate em que o condicionamento e o ritmo foram cobrados justamente nos rounds em que a decisão começou a se desenhar.

