Quando Diego Lopes recebeu o convite para encarar Movsar Evloev em uma luta de curta antecedência no UFC 288, há pouco mais de três anos, o peso-pena brasileiro ainda era lembrado principalmente por um papel fora do octógono: ele atuava como um dos técnicos de Alexa Grasso. Naquele momento, estava no corner da mexicana quando ela surpreendeu Valentina Shevchenko no UFC 285.
Parte do público mais fiel também reconhecia Lopes por outra etapa do caminho até o UFC. Ele havia participado da quinta temporada do Contender Series de Dana White e, naquele torneio, acabou derrotado de forma técnica em uma decisão após um duelo contra o compatriota Joanderson Brito. O combate foi interrompido 10 segundos depois do início do último round, porque Brito acertou acidentalmente o olho de Lopes, o que o impediu de continuar.
O que ninguém imaginou é que a organização estava contratando um futuro destaque. Naquela noite em Newark, Lopes impressionou mesmo saindo derrotado, e depois emendou uma sequência de cinco vitórias seguidas. Com o tempo, ele evoluiu até se tornar desafiante ao cinturão e também um dos atletas mais queridos do plantel. Agora, ele está escalado para participar do primeiro confronto do evento que acontece na Casa Branca no próximo mês.
Nem o próprio Diego Lopes.
“Lá em 2023, depois da minha primeira luta, eu nunca imaginei isso na minha vida”, declarou Lopes no começo deste mês. “Mas eu sei uma coisa: se eu continuar trabalhando duro, fazendo um grande trabalho, mantendo a sequência de boas lutas, eu tenho uma chance muito boa na minha carreira. Então, olhando de 2023 até agora, eu penso assim: ‘Se eu fizer isso, eu tenho uma grande chance’.”
Lopes construiu uma trajetória excepcional desde aquela primeira luta com aviso curto. Ele acumulou triunfos em todos os seis compromissos fora de disputa de título realizados desde então, somando quatro vitórias por paralisação e quatro bônus de desempenho. Além disso, enfrentou Alexander Volkanovski pelo cinturão dos penas em duas oportunidades. Embora tenha ficado do lado errado das anotações nos dois combates valendo o título, cada duelo rendeu o prêmio de Luta da Noite, e o brilho do brasileiro segue tão forte que até a simples possibilidade de mudança para a categoria dos leves já fez lutadores do Top 10, como Mateusz Gamrot, levantarem a mão para recebê-lo no futuro.
“Sim, eu vejo isso no futuro —talvez já no próximo combate, não sei; eu preciso conversar com o UFC”, comentou Lopes ao tratar da possibilidade. “Eu sei que tem alguns caras nos ‘55’ com interesse em lutar comigo, então acho que essa (chance) pode aumentar o interesse em me enfrentar na categoria dos ‘55’.”
“Mas agora eu foco nessa luta, ganhar essa luta e depois conversar com o UFC”, acrescentou. “Se o UFC me der a oportunidade de lutar nos 155, eu aceito. Eu também quero provar meu valor nos 155.”
Antes de qualquer plano para outra divisão, porém, o momento atual é outro. Lopes e Garcia foram encarregados de abrir o card na Casa Branca no próximo mês — uma oportunidade que o brasileiro não encara como algo comum.
“Para mim, é muito importante”, começou Lopes, falando sobre competir no evento histórico em Washington. “Eu acho que fiz um bom trabalho desde que estou no UFC. O UFC sempre me coloca em grandes cards, eu sempre tento fazer um grande espetáculo para os fãs, e agora eu tenho de novo uma oportunidade de entregar um show para eles.”
“Eu também acho muito significativo ser a primeira luta na Casa Branca, porque eu vou ser o primeiro cara a lutar na Casa Branca”, afirmou. “É ótimo para mim. Então eu só quero estar saudável para esse combate e fazer uma grande exibição.”
Mesmo com o lugar dele na divisão já bem consolidado, Garcia entra no duelo como um nome menos previsível. Apesar disso, ele chega em alta: vem de uma sequência de sete vitórias consecutivas, com todas as triunfos, exceto uma, chegando antes do fim do tempo regulamentar.
O lutador do time Jackson-Wink vem trabalhando de forma constante para subir no ranking, com vitórias sobre adversários como Melquizael Costa, Calvin Kattar e David Onama. Trata-se de um finalizador perigoso e pouco badalado, daqueles que alguns atletas ranqueados poderiam pensar duas vezes antes de aceitar um compromisso contra ele.
Mas não foi assim para Lopes. Ele aceitou o confronto sem saber onde nem quando exatamente a luta aconteceria.
“É uma história maluca, porque o UFC me ligou dois dias antes de anunciar o card e falou: ‘Ei, talvez você lute com Steve Garcia’. Mas eles nunca falam qual é o card, e nunca falam a data”, explicou Lopes. “Foi tipo: ‘Ok!’ Eu aceito a luta. As pessoas me conhecem, então eu aceito qualquer luta.”
“Eu estava assistindo ao combate do Max (Holloway) contra (Charles) Oliveira. Quando começaram a anunciar os melhores momentos e a divulgar que teria card na Casa Branca, colocando os nomes, meu nome foi o último.”
Lopes fez uma encenação para demonstrar o quanto ficou surpreso, antes de continuar.
“Meu gerente estava lá e ficou muito animado”, disse ele. “Ele falou: ‘Ei, você vai lutar na Casa Branca!’ Todo mundo ficou muito surpreso com o card — e eu também. Eu não tinha ideia de que estava nesse evento, mas sou muito grato ao UFC por estar me dando essa chance.”
Com o histórico dele, a popularidade junto ao público e um “parceiro de dança” que costuma topar briga quando é chamado, a chance de Lopes abrir esse evento monumental no próximo mês parece um cenário quase inevitável. E é seguro apostar que o querido brasileiro fará o máximo para entregar uma grande apresentação.

