Invicto no peso-médio do UFC, Khamzat Chimaev chega em cada compromisso cercado por uma aura de “bicho-papão” que, em diferentes momentos, parece ter pesado sobre adversários anteriores. Ainda assim, o treinador Eric Nicksick, ligado à Xtreme Couture, acredita que essa história não será repetida quando Sean Strickland entrar no octógono para encarar o campeão no UFC 328.
Com Strickland conhecido por trocas de provocações bastante agressivas — e já tendo direcionado ataques ao próprio Chimaev — existe preocupação real ao menos entre um analista do UFC de que o clima entre os dois possa “ficar feio” à medida que a data do evento se aproxima. Nicksick, então, entende que o desafio do seu lutador em Newark (Nova Jersey) será encontrar o equilíbrio ideal entre pressão e controle do ritmo. A luta está marcada para 9 de maio, no Prudential Center, durante o UFC 328 (no Paramount+).
“É um tipo de situação em que o Sean vai te encontrar no meio do caminho. Ele não vai recuar, não vai ser tímido. Mas a gente precisa, ao mesmo tempo, saber administrar esse tipo de energia”, afirmou Nicksick. “Você não quer sair por aí e transformar isso numa briga de bar, a ponto de os dois caras chegarem mortos de cansaço no fim do segundo round ou algo assim. O ponto é reduzir ao máximo os riscos, mas sem impedir que ele faça o que sabe fazer muito bem: colocar pressão nas pessoas — só que de maneira inteligente. Você não pode exagerar, não pode ficar desequilibrado, porque é nesse cenário que o Khamzat se destaca para conectar golpes.”
“Então manter o (Strickland) calmo e na linha — especialmente nos primeiros rounds — vai ser crucial. E depois, quando a gente conseguir começar a cobrar o Khamzat mais nos rounds finais, se chegar até lá, aí eu acho que o Sean consegue abrir o jogo e aplicar o plano dele.”
Há, porém, uma vantagem importante que Strickland leva para essa disputa: ele terá um coach que já esteve frente a frente com Chimaev. Nicksick já trabalhou diretamente com o campeão, tendo inclusive ficado à frente dos treinos na Xtreme Couture. Em 2022, quando Chimaev passou a integrar o ambiente de treinamento, Nicksick o recebeu no time e acompanhou sessões ao lado de Strickland, lembrando bem como o rival combina mudanças de nível com as ferramentas do chão e do boxe.
“Ele é muito bom em misturar as mudanças de nível dentro do próprio striking e também no wrestling. E, para mim, isso é algo que você precisa estar bem atento”, comentou Nicksick. “Os caras costumam fazer underhook, e quando você faz underhook, você automaticamente cria uma conexão. Você acaba permitindo que ele chegue peito a peito. Então existem algumas camadas de defesa que a gente precisa antecipar. … E também não dá para ficar comprometido em largar underhooks, porque isso acaba preparando o terreno para o overhand dele — e você não pode abrir mão de uma defesa com o braço-guia. Tem bastante coisa para a gente ajustar e garantir que esteja bem amarrado. Além disso, tem o ritmo e o condicionamento: a gente precisa estar preparado para o tipo de intensidade e resistência que esperamos dele.”
O UFC 328 também terá um peso especial no retrospecto recente de Strickland: o evento será a quarta disputa por cinturão dele nos últimos três anos e a segunda chance de retomar o título. Em certos aspectos, a sensação é de que o cenário se parece com quando ele conquistou a correia ao derrotar Israel Adesanya em setembro de 2023, no UFC 293. Só que, na leitura de Nicksick, não é exatamente a mesma coisa.
“Por mais que a gente tenha conversado sobre a importância do cinturão (contra o Adesanya), nessa luta em específico o título acaba sendo quase um subproduto”, disse Nicksick. “Parece que a gente está lutando contra o Khamzat. Se a gente vencer, aí ‘felizmente’ o cinturão aparece no caminho. Mas, no fim, é mais sobre direitos de se gabar, sobre a rivalidade em si. Para mim, tem um significado diferente.”

