Fares Ziam segue em ascensão no peso leve após ampliar sua sequência de vitórias para seis lutas com uma finalização no segundo round sobre Nazim Sadykhov no UFC 323, em Las Vegas. Agora, a missão imediata é outra: neste fim de semana, o francês ranqueado volta ao octógono para enfrentar Tom Nolan, em uma luta que vale não só mais um passo no circuito, mas também uma chance real de consolidar seu nome entre os principais do ranking.
Treino em Denver com Justin Gaethje e o recado de “The Highlight”
Logo depois de emplacar a sequência de seis vitórias com a vitória por interrupção no segundo round sobre Sadykhov no UFC 323, Ziam aproveitou um momento fora do octógono para conversar com o treinador e empresário Ali Abdelaziz, seu gestor. Durante o jantar, ele perguntou ao representante se fazia sentido ir a Denver, no estado do Colorado, para apoiar Justin Gaethje na preparação para a luta pelo cinturão interino dos leves contra Paddy Pimblett.
O ponto em comum entre Ziam e Gaethje era justamente Abdelaziz, que também cuida da carreira do americano. Ainda assim, Ziam ficou curioso sobre como o trabalho era organizado na instalação de Trevor Wittman, um centro de treino fechado e com acesso restrito, localizado cerca de 30 minutos fora da capital do Colorado. A avaliação de Ziam foi que seu perfil de tamanho e habilidades poderia ajudar o camp de Gaethje, e Abdelaziz acionou as conexões para liberar a visita.
Assim, Ziam passou seis semanas em Denver para colaborar com a preparação de Gaethje para o UFC 324. O próprio lutador descreveu como o período foi importante tanto para evolução quanto para adaptação ao ambiente.
“Foi uma experiência incrível para mim. Eu fiquei feliz em participar desse momento para o Justin e para o ginásio. Aprendi muitos detalhes, muitas coisas; eu cresci e evoluí. Honestamente, o Trevor tem uma vivência que poucos treinadores têm: treinar tantos campeões. Para mim, ele está entre os maiores do mundo. Eu fui para aprender alguns pontos para a minha luta, mas também para me aclimatar. Eu gosto muito do clima de Denver, das montanhas; é algo mais natural do que em Las Vegas. Além disso, o local é muito bom: é privado, não tem muita gente e temos tudo para performar. É como um mini-instituto de performance do UFC.”
Relevância no ranking: o tipo de apoio que muda percepção (e o que falta para Ziam)
Além do trabalho de alto nível e da orientação recebida durante duas visitas à estrutura em Denver, Ziam também ganhou um sinal público de reconhecimento após o compromisso principal do UFC 324. Depois de derrotar Pimblett e conquistar o cinturão interino dos leves pela segunda vez, Gaethje elogiou o parceiro de treino importado e tratou Ziam como um talento do “nível de campeonato”, sugerindo que ele estará entre os melhores do peso leve em breve.
Apesar da sequência de seis triunfos e de sua posição no ranking, a percepção geral nem sempre acompanhou a trajetória do francês. Com frequência, Ziam tem sido visto como um “caso subestimado” entre os leves, passando para trás em razão de concorrentes com mais barulho, maior presença nas redes sociais e, em alguns casos, oportunidades maiores dentro do circuito.
Mesmo assim, quando um nome respeitado mundialmente como Gaethje faz um destaque nominal diante da imprensa e do público, a mensagem tende a ganhar mais peso para um atleta em crescimento — ainda mais com 29 anos.
“É muito bom ouvir isso, porque é alguém que eu conheço por seis semanas. No MMA e nos esportes de combate isso é algo bem, bem real. Você não faz isso com muita gente. Ele se preparou para uma luta grande, para ser campeão interino do UFC — e me deixou ir, me deixou ajudar, só porque confia no nosso gestor. Ouvir isso de um cara que acabou de bater o Paddy Pimblett foi bom. E o melhor é que é o Justin Gaethje.”
O que o próximo compromisso representa para Ziam
Mesmo com a validação de Gaethje, a volta ao octógono não acontece contra um adversário que já esteja entre os atletas listados à frente no ranking. O compromisso desta semana é contra Tom Nolan, australiano de Brisbane, que vem do programa de oportunidades do Dana White’s Contender Series e chega em alta, em uma sequência de quatro vitórias seguidas.
Ziam admitiu que, após a última luta, pensou em um nome ranqueado como próximo passo. Porém, com os atletas já classificados seguindo com compromissos dentro da divisão, ele não vê problema em enfrentar Nolan agora — e trata o duelo como um teste direto de qualidade.
“Depois da minha última luta eu estava pensando em um cara ranqueado, mas aí eu vi que muita gente na minha divisão está lutando. Os ranqueados estão com lutas, e eu não estava com luta, então tá tudo bem lutar o Tom. Ele é uma boa pessoa, é um bom lutador, bem perigoso. Eu estou focado nisso. Eu não tenho nada a perder, porque eu vou deixar minha marca.”
O duelo contra Tom Nolan: chance para romper a barreira do “subestimado”
A combinação do confronto chama atenção por duas razões: oferece para cada lado uma oportunidade relevante dentro de uma categoria com muitos talentos. Para Nolan, o duelo é uma chance de medir força contra um adversário ranqueado — algo que ele não esperava inicialmente ao receber o chamado para encarar Ziam, especialmente por estar no começo do terceiro ano de sua trajetória no elenco do UFC.
Já para Ziam, o combate serve como um caminho para provar que ele está mais adiantado do que o oponente australiano e, com isso, abrir espaço para encontrar outro nome com número no ranking ainda ao longo do ano.
Apesar de o tema “quem vem depois” fazer parte do debate natural do peso leve, Ziam deixou claro que a atenção dele está concentrada no compromisso deste sábado. Para o francês, a sequência é consequência do trabalho, não um fator que precisa dominar a cabeça antes da luta.
“Primeiro, eu preciso vencer o Tom Nolan, e é nisso que eu foco. Eu estou aqui para lutar no sábado; eu não estou aqui para lutar daqui a três meses, em Paris, ou qualquer outro lugar. Eu estou aqui para lutar no sábado, então eu estou focado no sábado. Quando eu luto, eu não penso na minha sequência de vitórias. Eu preciso pensar um pouquinho, porque é a maior sequência da divisão, mas para mim, em cada luta nova você precisa vencer. A sequência é o passado. O foco é o sábado: vai lá e vence. É isso. Eu preciso estar livre dentro do octógono, fazer o que eu quiser. Eu preciso seguir o plano de jogo, mas a gente pode fazer o que quiser.”
Possíveis alvos: Ziam deixa a lista para depois
Com o desempenho em dia, o francês admitiu que tem alguns nomes na mira para provocar após o combate, mas reforçou que ainda não é hora de alimentar qualquer conversa sobre próximos alvos. A prioridade é cumprir a tarefa contra Nolan com máxima concentração.
“Sim, mas eu preciso fazer isso primeiro no sábado. Eu acho que ele vai vir a 200%, mas eu vou vir a 100% e focado.”
