Gilbert Burns encerra carreira no MMA após derrota no octógono e sem arrependimentos

Mesmo sem conseguir alcançar o objetivo de se tornar campeão do UFC, Gilbert Burns afirma que consegue encerrar a carreira com tranquilidade. O ex-desafiante chegou ao fim de sua trajetória no MMA após uma luta que terminou com finalização do adversário, deixando as luvas no octógono ao sair como derrotado no evento deste sábado.

  • Resultado: Gilbert Burns perdeu por TKO para Mike Malott
  • Método: nocaute técnico (TKO)
  • Round e tempo: não informado na fonte
  • Evento: UFC Fight Night 273 (main event)
  • Cartel após a luta: Burns ficou com 22-10 no MMA e 15-10 no UFC

Fim de carreira após 14 anos

“Durinho” encerrou uma caminhada de 14 anos no MMA deixando as próprias luvas no octógono, em um gesto simbólico após a derrota por TKO para Mike Malott no card principal do UFC Fight Night 273. O momento foi descrito como bastante carregado de emoção por Burns, que vinha para o confronto sem que a possibilidade de aposentadoria estivesse publicamente colocada como tema antes do evento.

Burns fechou a participação com um cartel de 22 vitórias e 10 derrotas no MMA, além de 15 triunfos e 10 reveses no UFC. A decisão de seguir em frente como ex-atleta, segundo ele, não era algo que estivesse sendo discutido abertamente com antecedência, o que tornou o desfecho ainda mais marcante para quem acompanhava sua trajetória.

Mensagem sobre dedicação e o plano de jogo

Em entrevista, Burns explicou que colocou tudo o que tinha no esporte. Ele relembrou que foram muitas lutas importantes ao longo da carreira, incluindo oportunidades de disputar cinturões e duelos contra alguns dos adversários mais difíceis da divisão. Na visão do atleta, ele entrou no combate com confiança e com uma preparação intensa para executar um plano específico.

Ao analisar o que ocorreu dentro da luta, Burns afirmou que, quando percebeu que não estava conseguindo colocar em prática o que havia treinado, a dinâmica mudou. Ele mencionou que sentiu o rival mais rápido e mais forte, além de outros detalhes que dificultaram seu desempenho, e então passou a pensar no cenário mais direto: se não fosse capaz de superar Mike Malott naquele momento, a história terminaria ali.

Burns também fez questão de deixar claro que não tem nada contra o oponente. Para ele, Malott é um verdadeiro candidato dentro do cenário e um bom lutador, mas não seria, na avaliação do brasileiro, o nome no topo do ranking da divisão como alguns outros nomes que já apareceram com força anteriormente. Ainda assim, foi justamente essa leitura que o levou a colocar uma condição para a continuidade: caso não conseguisse vencer Malott, a aposentadoria viria como consequência; se vencesse, aí sim ele seguiria com planos de desafiar novos alvos e manter o ritmo de lutas.

No mesmo raciocínio, Burns indicou que, se saísse vitorioso, pretendia chamar Colby Covington, buscando uma luta durante a International Fight Week para dar continuidade à caminhada. Mas, para o atleta, o ponto de corte estava definido: a vitória sobre Malott seria o divisor de águas.

Sem arrependimentos e aprendizado ao longo das derrotas

Mesmo com a frustração de não ter concretizado o sonho de virar campeão do UFC, Burns disse que, no balanço geral, está em paz com o caminho percorrido. Ele afirmou que não se vê preso a “coisas que gostaria de ter feito de outra forma”, entendendo que, no fim, a carreira foi uma experiência de crescimento que valeu cada etapa.

Para ele, as derrotas ensinaram muito. Burns declarou que não mudaria grandes aspectos da trajetória, embora reconheça que ajustes pontuais sempre podem existir. Ao mesmo tempo, destacou o valor do processo: quando os resultados vêm positivos, a celebração acontece; quando a derrota chega, o caminho é olhar para o que deu errado, corrigir falhas e tentar não repetir os mesmos erros. Ainda assim, ele descreveu a jornada como positiva e afirmou que não mudaria muito do que viveu.

Legado para os filhos e rotina de preparação

Burns também acredita que a carreira deixará uma mensagem importante para seus filhos. Na fala do lutador, a família acompanha de perto o sacrifício e o cotidiano de treino. Ele explicou que realiza muita fisioterapia e que mantém uma rotina intensa de recuperação: todos os dias antes de os filhos irem para a escola, ele faz sessões de terapia física, além de alongamentos, pilates e banhos de gelo.

Segundo Burns, dessa forma as crianças enxergam todo o esforço diário. E, mesmo quando os resultados não favorecem, ele tenta reforçar a ideia de que a jornada está sendo mostrada. Ele resumiu esse ponto dizendo que não deixou nada de fora na preparação e que fez tudo o que estava ao alcance, mas que, em alguns momentos, o resultado pode não aparecer — um cenário que, para ele, faz parte da vida e do esporte. Às vezes, mesmo com o trabalho certo, o adversário apenas foi melhor naquele instante.

Com isso, Burns encerra sua trajetória deixando a mensagem de que o mais importante foi dar o máximo na busca por seus sonhos. Para o brasileiro, o MMA “viu” o melhor dele, e é exatamente isso que fica como legado.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.