GSP contou como o UFC tentou viabilizar luta contra Anderson Silva no auge

Georges St-Pierre revelou que o UFC chegou a procurá-lo para discutir um duelo de “superluta” contra Anderson Silva, mas a conversa não avançou além desse contato inicial. Em entrevista a Demetrious Johnson, o canadense explicou que, na época em que ambos viviam seu auge nas respectivas categorias, ele só consegue falar pelo que ouviu e pelo que foi tratado do seu lado, sem ter clareza sobre o que estava acontecendo na esfera do outro atleta. St-Pierre contou que recebeu o convite apenas uma vez por Dana White e Lorenzo Fertitta, e que a própria proposta veio acompanhada de uma série de condições para que o confronto fizesse sentido para ele, especialmente considerando a mudança de divisão de peso.

Na visão de St-Pierre, a lógica era simples: se a ideia era tirá-lo do ambiente competitivo em que ele já era dominante para subir em uma categoria diferente, existiria um ajuste necessário no pacote para compensar essa transição. Ele ressaltou que, na fase em que estava no topo do seu peso, havia desafios constantes e um planejamento consolidado — e que, ao encarar alguém de maior porte, seria preciso alterar a preparação, buscar ganho de tamanho e adaptar o treinamento para sustentar o combate em outra faixa. O nome de Anderson Silva, por sua vez, representa um histórico que o próprio St-Pierre coloca como referência, lembrando que ambos são amplamente reconhecidos como os maiores de todos os tempos em seus respectivos pesos, com trajetórias que marcaram a história do UFC.

St-Pierre também mencionou o que, na prática, ele queria que fosse acordado para que a luta acontecesse. Ele afirmou que a solicitação principal era enfrentar Anderson Silva e que, para isso, gostaria de estar formalmente vinculado em contrato, além de buscar uma compensação melhor do que a oferecida em um cenário comum. Outro ponto era que o combate fosse realizado em “peso combinado” (catchweight), já que Anderson Silva havia lutado no passado pelo PRIDE na faixa dos 170 libras, e St-Pierre acreditava que poderia haver espaço para ele cair para um número que viabilizasse a luta. Ele admitiu que não tinha certeza sobre como o peso do brasileiro se comportaria naquele exato momento, mas disse que a impressão era de que, com o passar do tempo, Anderson teria ficado mais pesado. A ideia seria, então, realizar o duelo no catchweight para depois ele conseguir retornar ao próprio peso habitual, já que não desejava passar o restante da carreira longe de sua divisão natural.

Além do aspecto contratual e da compensação financeira, St-Pierre apontou que havia uma terceira exigência: a implementação de testes antidoping. Ele sustentou que essas condições estavam dentro do razoável e que não enxergava nada como extremo, inclusive no ponto da remuneração. Para ele, a intenção era deixar claro que, se tudo fosse acertado, o acordo se tornaria inevitável. St-Pierre afirmou que seu objetivo era entrar na luta sem resistência, desde que o UFC aceitasse o formato de catchweight na casa de 180 libras, oferecesse uma compensação compatível e colocasse em prática a realização de testes antidoping.

O problema, segundo St-Pierre, é que não houve retorno depois dessas solicitações. Ele disse que não sabe se o UFC chegou a discutir as condições com Anderson Silva diretamente, mas garantiu que, com ele, o contato foi apenas uma vez. Ao final, St-Pierre concluiu que o processo não avançou: as conversas ficaram limitadas ao convite inicial e, apesar do interesse histórico que existe entre os fãs para um confronto entre dois gigantes do esporte, as exigências apresentadas não foram devidamente retomadas ou concretizadas pela organização.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.