Allen x Shahbazyan no UFC Vegas 118: duelo de pesos-médios e aposta no octógono

Brendan Allen e Edmen Shahbazyan sobem ao octógono neste sábado, dia 6 de junho de 2026, em Las Vegas, no Meta Apex, pela UFC Vegas 118. O confronto coloca frente a frente dois pesos-médios que acumularam experiência ao longo dos anos, mas que chegam com histórias recentes bem diferentes no caminho até o topo. Para Allen, o momento teve um tom de recuperação: depois de sofrer derrotas seguidas para Nassourdine Imavov e Anthony Hernandez, ele acabou ficando fora da conversa imediata pelo cinturão. Ainda assim, “All-In” reencontrou o rumo com duas vitórias importantes, superando Marvin Vettori e Reinier de Ridder, e agora tenta transformar aquele desempenho em uma resposta definitiva contra um adversário que sempre foi tratado como promessa — e que, apesar das oscilações, ainda carrega a capacidade de decidir uma luta com as próprias mãos.

Do lado de Shahbazyan, as dúvidas também permanecem mesmo após oito anos fazendo parte do elenco. Em 2019, ele parecia estar acelerando rumo a disputas de título, mas a sequência negativa que veio a seguir — três derrotas consecutivas — expôs falhas ligadas principalmente ao grappling e ao condicionamento. Desde então, o boxeador de 28 anos viveu um percurso de altos e baixos, alternando resultados, até conseguir algumas vitórias que o recolocam em uma nova chance de entrar no Top 10. Agora, a pergunta é direta: ele consegue estabilizar o desempenho, especialmente quando o combate fica mais exigente, ou vai continuar alternando momentos em que brilha com outros em que o jogo foge do controle?

Odds e cenário para Allen vs. Shahbazyan

Na leitura das casas de aposta, Brendan Allen é o favorito com odds de -245 para vencer a luta. Para o triunfo por nocaute técnico, nocaute ou desclassificação, o mercado aparece como “TBD”, assim como as opções de finalização e decisão (também “TBD”). Já Edmen Shahbazyan entra como azarão, com valor de +186 para levar o combate. O mesmo acontece com as formas de vitória: nocaute técnico/nocaute/desclassificação, finalização e decisão também aparecem como “TBD”.

Como Allen pode vencer

Allen chega como um lutador completo, com repertório ofensivo variado e qualidade real em diferentes fases do combate, mas com pontos que podem complicar quando a luta muda de ritmo. A parte mais perigosa do seu jogo costuma estar no Muay Thai, que é agressivo e eficiente, além da capacidade de levar a luta para o wrestling. No grappling, ele ainda soma o fato de ser faixa-preta em jiu-jitsu e um dos melhores na categoria quando o assunto é buscar controlando ângulos para agarrar as costas. Só que existe um “porém” importante: contra adversários que impõem resistência ou que colocam pressão contínua, Allen pode apresentar queda de gás. Além disso, ele não é visto como um atleta especialmente difícil de acertar, então precisa escolher bem quando avançar e como impor o ritmo.

O plano, portanto, é bem claro: derrubar Shahbazyan. A execução, contudo, é o desafio. O rival tem atletismo e defesas de queda com boa técnica, principalmente no começo da luta. Mesmo quando a luta vai para o chão, não é garantido que o controle seja fácil: quando Allen consegue superar a primeira barreira, muitas vezes o confronto exige trabalho constante, com Shahbazyan tendo que atravessar um período de resistência para conseguir se reorganizar. Ainda assim, Allen tem ferramentas para lutar em pé também. Ele tende a ser superior como chutador na comparação, e sua ofensiva no clinch costuma ser mais “escorregadia”, difícil de prever e de encaixar defesas limpas.

Para que o plano funcione, Allen precisa partir para cima com intenção: acertar golpes com credibilidade, manter volume suficiente para fazer Shahbazyan enxergar um “fogo cruzado” de verdade e, principalmente, convencer o adversário de que o ritmo não será controlado apenas pelo boxe. Quando a mão direita de Shahbazyan começa a voltar ao ataque, esse é o momento em que Allen pode tentar sair do eixo, trabalhar a aproximação e buscar um body lock para arrastar o combate para o gramado. Caso a queda inicial não aconteça logo de cara, ele não pode se perder: é essencial manter a confiança e não cair no erro de começar a forçar tentativas ruins de derrubada, que acabam drenando energia — um cenário que já aconteceu para Allen em uma luta anterior, contra Imavov. Se ele continuar paciente o bastante para lançar boas entradas e persistir no ataque, a própria dinâmica pode abrir espaço para o derrube surgir com mais naturalidade.

Como Shahbazyan pode vencer

Shahbazyan ainda não se consolidou como o campeão que muitos imaginavam no início da carreira, mas o “Golden Boy” sempre teve razão para gerar expectativa. Ele é forte e rápido para a divisão, e a sua mão tem um “toque” bem preciso, com potência que pode transformar trocas em momentos decisivos. Com apenas 28 anos, existe a possibilidade real de que ele tenha dado um passo adiante no jogo — e que agora esteja pronto para produzir aquele nível consistente que faltou em fases anteriores.

O caminho dele parece mais favorável em pé. A velocidade das mãos tende a ser bem maior do que a de Allen no confronto, e, somando isso à capacidade de nocautear, Shahbazyan pode transformar uma sequência de trocas em uma pancada só. Se conseguir manter Allen distante o suficiente para forçar apenas o vai e vem no boxe e impedir o desenvolvimento do plano de derrubada, o cenário de uma zebra por nocaute fica plausível. Para que essa rota aconteça, os pilares são controle emocional e fôlego: Shahbazyan não pode entrar em pânico caso seja derrubado ou empurrado contra a grade. Nesse contexto, o jab é a chave técnica que organiza o combate.

Ele precisa deixar o jab trabalhar com frequência, sem parar de se mover, ajustando a distância e interrompendo o avanço do adversário. Quando o golpe consegue “puxar” a cabeça de Allen para trás e quebrar a pressão, o lutador brasileiro encontra bem mais dificuldade para encaixar entradas de queda. A partir daí, o jogo pode virar um efeito dominó: com Allen desconfortável e menos preparado para defender, começam a aparecer chutes sem alinhamento perfeito e decisões apressadas, abrindo espaço para Shahbazyan pesar com golpes mais fortes, que têm tudo para mudar o rumo do confronto.

Projeção para Allen vs. Shahbazyan

Os dois lutadores têm condições de complicar seriamente o adversário. Se Allen conseguir ficar por cima, a tendência é que a luta seja encaminhada para finalização ou, pelo menos, para um domínio pesado. Ele é um jogador de topo muito eficiente, e Shahbazyan historicamente costuma sofrer quando precisa lutar de baixo. Por outro lado, quando Allen tenta impor pressão em pé, pode acabar “andando” dentro de golpes e se frustrar com o ritmo, especialmente diante de um boxeador mais rápido e mais jovem, com poder real nas mãos. Inclusive, existe um detalhe que pesa no histórico recente: dois companheiros de equipe de Shahbazyan — Sean Strickland e Chris Curtis — já nocautearam Allen no passado ao permitir que ele entrasse em trocas e fosse surpreendido por respostas. A possibilidade de algo parecido voltar a ocorrer existe.

No fim, a projeção pende um pouco mais para Allen. A leitura é que os derrubes dele podem ser traiçoeiros o bastante para encaixar em algum momento, alterando drasticamente o curso da luta. A previsão, portanto, é de Brendan Allen vencendo por finalização.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.