UFC Vegas 116: Sterling x Zalal e as lutas que podem decidir o octógono

Faltando apenas um dia para a bola rolar, o UFC prepara mais uma noite em Las Vegas com o evento UFC Vegas 116, marcado para sábado, 25 de abril de 2026. A programação acontece no Meta Apex, na capital de Nevada, com transmissão pelo Paramount+. O card traz como grande destaque um confronto no peso pena, com possível impacto no topo da divisão nos próximos anos, além de uma disputa importante na faixa dos galos para movimentar o cenário entre as principais candidatas.

  • Main event (145 lbs): Aljamain Sterling vs. Youssef Zalal
  • Previsão da matéria: Sterling vence Zalal por decisão
  • Co-main event (135 lbs): Norma Dumont vs. Joselyne Edwards
  • Previsão da matéria: Dumont vence Edwards por decisão
  • Local do evento: Meta Apex, Las Vegas, Nevada

UFC Vegas 116: Sterling x Zalal (peso pena)

O card principal do UFC Vegas 116 coloca frente a frente dois nomes que vêm tentando consolidar espaço entre os melhores da categoria. No combate principal, o norte-americano Aljamain “Funk Master” Sterling encara o marroquino Youssef “The Moroccan Devil” Zalal em luta prevista para os cinco rounds, em uma disputa que pode render consequências importantes para o planejamento da divisão a partir do fim de 2026.

Dados e números dos lutadores

  • Aljamain Sterling: cartel 25-5, 36 anos; linha de apostas +115; 3 vitórias por nocaute/técnico, 8 por finalização e 13 por decisão; derrotas: 2 por nocaute/técnico, 3 por decisão (sem submissões cedidas); altura 5’7”, envergadura 71”, estilo ortodox; média de golpes significativos por minuto 4,45 (52% de precisão); golpes absorvidos por minuto 2,21 (defesa de 59%); média de quedas 2,45 com 30% de acerto e defesa de 44%; ranqueado atualmente como Nº 5; último compromisso: vitória por decisão unânime sobre Brian Ortega.
  • Youssef Zalal: cartel 18-5-1, 29 anos; linha de apostas -135; 4 vitórias por nocaute/técnico, 10 por finalização e 4 por decisão; derrotas: 5 por decisão (sem nocaute/técnico e sem submissão); altura 5’10”, envergadura 72”, estilo switch; média de golpes significativos por minuto 3,03 (50% de precisão); golpes absorvidos por minuto 1,78 (defesa de 66%); média de quedas 2,17 com 31% de acerto e defesa de 59%; ranqueado atualmente como Nº 7; último compromisso: vitória por finalização sobre Josh Emmett.

Como chegam Sterling e Zalal para o duelo

Após perder para Sean O’Malley no UFC 292, no verão de 2023, Aljamain Sterling decidiu abandonar o peso galo. Naquela ocasião, ele sofreu uma derrota no segundo round, que interrompeu uma sequência de nove vitórias. Trocar de divisão depois de um único revés é algo incomum para a maioria dos atletas, principalmente quando eles vinham se apresentando em alto nível — mas o contexto pesava para Sterling, que já vinha tendo dificuldade para bater o limite da categoria e, além disso, tinha planos de subir de peso.

Nos três combates que Sterling realizou no peso pena, o retrospecto é de 2-1. No meio desse intervalo, ele foi derrotado por Movsar Evloev, ficando entre triunfos sobre Calvin Kattar e Brian Ortega. A leitura para este confronto é que a derrota para Evloev não precisa ser tratada como um termômetro definitivo, já que o russo tem campanha invicta, com 20-0, e venceu nomes como Diego Lopes e Lerone Murphy, entre outros.

Do lado técnico, a maior parte do que Sterling faz no octógono passa, necessariamente, pela luta agarrada. Ele recorre com frequência ao seu wrestling, tanto para controlar quanto para construir oportunidades para atacar. Aliás, dentro do peso pena, ele acumulou 17 quedas apenas em três lutas. O preço disso é que, para parte do público, as apresentações dele nem sempre entregam um espetáculo contínuo — e, dentro do UFC, Sterling soma apenas um bônus de performance em 22 compromissos.

Youssef Zalal, por sua vez, teve uma trajetória com “vai e volta” no UFC. Ele assinou com a organização ainda no início de 2020, aproveitou a chance e em pouco tempo emplacou quatro lutas seguidas na sequência de oito meses. Depois, veio uma fase ruim: ele amargou uma sequência de três derrotas, seguida por um empate. Com isso, a promoção o encaminhou para o circuito regional, onde ele fez os ajustes necessários.

O retorno ao UFC veio com força: o atleta conhecido como “The Moroccan Devil” venceu três compromissos seguidos, e todos terminaram com finalizações. Chamado novamente para a liga principal, Zalal chega ao confronto com campanha de 5-0 desde março de 2024, sendo que quatro desses triunfos aconteceram por submissão. Aos 29 anos, ele está em plena fase atlética e, a cada luta, tende a evoluir. Ao mesmo tempo, as duas vitórias mais relevantes citadas no histórico dele — contra Calvin Kattar e Josh Emmett — foram construídas diante de adversários que já vinham no fim de um ciclo, em fases mais desgastadas.

Há ainda um fator que pesa bastante para o confronto: Zalal não enfrentou, até aqui, um lutador com o nível e a experiência de Sterling no wrestling. E, considerando que a defesa de quedas de Zalal está em 59%, existe a possibilidade real de o duelo virar “longa noite” para quem espera sobreviver ao controle no chão. Nesse cenário, o resultado pode depender de qual versão de “Funk Master” aparece no octógono em Sin City, nome que aparece na análise do embate.

Apesar das críticas que Sterling recebe por parte do público, o histórico indica que ele se adaptou bem a duas divisões diferentes e continua mantendo desempenho de elite. Com o tempo, é natural que a idade cobre ajustes, mas a avaliação aqui é que, ao contrário de outros nomes da mesma geração, ele não acumulou tanto dano ao longo dos anos nem viveu sequência de nocaute como ocorreu com Dominick Reyes. Enquanto Sterling não “perder um degrau”, a expectativa é de que ele mantenha o mesmo padrão que levou a vencer 11 dos últimos 13 combates. A questão, na prática, é sustentar o condicionamento necessário para atravessar cinco rounds em um ritmo pesado — e superar um adversário mais jovem e mais fresco no fim da luta.

Previsão: Sterling vence Zalal por decisão.

UFC Vegas 116: Dumont x Edwards (peso galo)

No coevento principal, o UFC Vegas 116 apresenta um duelo no peso galo com Norma Dumont e Joselyne Edwards. O confronto reúne duas atletas em momentos distintos, mas com objetivos claros na divisão: Dumont busca consolidar o caminho rumo ao topo, enquanto Edwards quer aproveitar a sequência recente para encurtar a distância até disputas maiores.

Dados e números das lutadoras

  • Norma Dumont: cartel 13-2, 35 anos; linha de apostas -245; 0 vitórias por nocaute/técnico, 2 por finalização e 11 por decisão; derrotas: 1 por nocaute/técnico e 1 por decisão (sem derrotas por submissão); altura 5’7”, envergadura 67”, estilo ortodox; média de golpes significativos por minuto 3,89 (50% de precisão); golpes absorvidos por minuto 2,12 (defesa de 65%); média de quedas 1,56 com 56% de acerto e defesa de 68%; ranqueada atualmente como Nº 3; último compromisso: vitória por decisão majoritária sobre Ketlen Vieira.
  • Joselyne Edwards: cartel 17-6, 30 anos; linha de apostas +200; 8 vitórias por nocaute/técnico, 4 por finalização e 5 por decisão; derrotas: 1 por submissão e 5 por decisão (sem derrotas por nocaute/técnico); altura 5’8”, envergadura 70”, estilo ortodox; média de golpes significativos por minuto 4,61 (53% de precisão); golpes absorvidos por minuto 3,24 (defesa de 50%); média de quedas 1,43 com 40% de acerto e defesa de 61%; ranqueada atualmente como Nº 11; último compromisso: vitória por finalização sobre Nora Cornolle.

Ritmo atual e pontos de virada do confronto

Norma Dumont está na organização há mais de seis anos, mas não começou do jeito ideal. Na estreia no UFC, ela foi dominada por Megan Anderson. Depois disso, Dumont encontrou o ritmo e venceu nove das próximas dez lutas, e atualmente vem de uma sequência invicta de seis compromissos. O “porém” no histórico dela no octógono é que, embora seja uma grappler muito forte, ela não finalizou nenhuma luta dentro do UFC: até aqui, ela só tem dois triunfos por submissão na carreira, e ambos aconteceram no circuito local.

Ex-galheria, Dumont é uma lutadora de muita potência no clinch e no trabalho de controle, mas também consegue atuar em pé em boa medida. Isso se deve ao repertório em Sanda, onde ela construiu base e colecionou títulos. Por esse motivo, o mercado não costuma empurrar Dumont para disputas de cinturão quando ela não “fecha” as lutas, mas a análise é que a divisão de galos está carente de candidatas consistentes — então, em uma vitória, Dumont pode ficar muito perto de receber a próxima oportunidade pelo título.

Em entrevista, Dumont destacou que o diferencial está na forma como ela sustenta a evolução durante o camp e no pós-luta. A brasileira explicou que, assim que termina uma luta, volta para casa, avalia onde estão as falhas e ajusta o que precisa ser corrigido. Para ela, a maturidade tanto fora quanto dentro do esporte torna a execução mais difícil de ser superada pelos adversários, especialmente quando enfrenta atletas com menos experiência. Dumont também afirmou que, embora a adversária seja completa, “as lacunas aparecem” quando ela enfrenta alguém mais rodado — e que ela pretende explorar exatamente esses espaços no jogo de outra lutadora.

Joselyne Edwards teve trajetória semelhante no início, oscilando no começo dentro do UFC: ela caiu em duas das três primeiras lutas pela organização. Porém, desde o verão de 2024, Edwards emenda uma sequência de quatro vitórias, e o destaque é o volume de encerramentos: foram quatro vitórias seguidas finalizando adversárias, sendo duas por submissão e duas por nocaute/técnico. Apesar disso, ela conquistou apenas um bônus de performance no período — enquanto Dumont tem a vantagem de também aparecer como favorita no cenário geral, ainda que o caminho até o fim possa ser diferente.

Com base no estilo, Edwards consegue ser eficiente em pé, puxando do kickboxing e sabendo administrar distância no octógono. O problema é o chão: a defesa de quedas dela não é dos melhores pontos. Edwards foi derrubada seis vezes por Ailin Perez e cinco vezes por Jessica-Rose Clark. Por conta disso, a linha de apostas tende a favorecer Dumont, que, em sua luta de 2024 contra Germaine de Randamie, conseguiu seis quedas.

Edwards também respondeu perguntas durante o media day do UFC Vegas 116 e reforçou sua ideia de agressividade. Ela afirmou que gosta de pontuar com constância e que a postura ofensiva dela é algo que não aparece nos adversários anteriores de Dumont. Além disso, disse que o material de treino no Xtreme Couture está montado para deixar ela pronta para qualquer tipo de combate: há atletas de diferentes categorias e estilos, o que ajuda a ajustar o plano. Edwards concluiu que, se vencer no sábado, acredita ter condições de mirar o cinturão e pediu que a oportunidade venha após o triunfo.

Se o combate permanecer principalmente em pé, a avaliação é que Edwards, mais agressiva e com mais força, tem vantagem. Só que o ponto decisivo aqui é que Dumont não deve transformar a luta em um “tiro a tiro” no kickboxing, especialmente porque Edwards pode ter dificuldades para defender o wrestling da brasileira. E, como o duelo é disputado em três rounds, a conta fica mais “administrável”: o cenário mais provável é Dumont ter tempo suficiente para trabalhar controle e conduzir a pontuação sem precisar resolver tudo em uma única sequência extensa.

Previsão: Dumont vence Edwards por decisão.

Fique atento, porque o UFC Vegas 116 ainda reserva mais lutas no restante do card principal, com novos desdobramentos para o rumo de atletas no ranking e nas próximas negociações da organização.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.