Holly Holm e Stephanie Han voltaram a se enfrentar no boxe em um duelo que já começou com polêmica e terminou reacendendo a discussão sobre arbitragem. Desta vez, as duas lutadoras se encontraram no sábado, 30 de março de 2026, em El Paso, no Texas, e a revanche foi levada até o fim. Han, campeã do WBA na categoria peso-leve, foi novamente declarada vencedora, mas a decisão majoritária não agradou parte do público e de nomes do esporte, com Holm convicta de que merecia sair com o triunfo.
O primeiro encontro entre as atletas aconteceu no começo do ano e ficou marcado por um desfecho precoce. Na ocasião, a luta foi interrompida no sétimo round por um choque acidental de cabeças, gerando um corte na testa de Han. Com isso, os árbitros decidiram encerrar a ação e, após a contagem dos cartões, Han levou a melhor por decisão técnica. Agora, cinco meses depois, a história foi diferente no tempo total: a revanche chegou aos dez rounds e terminou com placares que dividiram opiniões. Han foi premiada com vitória por decisão majoritária, com dois jurados marcando 96 a 94 a favor dela e o terceiro avaliando o combate como empate em 95 a 95.
Mesmo com o resultado oficial, houve quem defendesse que Holm teve desempenho superior ao longo da luta. A percepção ficou clara também entre comentaristas e atletas do boxe. Mikaela Mayer, analista e campeã da modalidade, afirmou após o combate que Holly Holm teria feito mais para vencer o cinturão. Mayer destacou que Han pode ter sido ótima como campeã, mas que, na leitura dela, Holm ajustou melhor a estratégia, soube aumentar a intensidade nos momentos decisivos e apresentou mais produção nos rounds finais, especialmente com variações que elevaram o ritmo no segundo e no terceiro “nível” do confronto durante trechos ao longo das dez parciais. Para Mayer, uma luta de campeonato exige esse tipo de controle e progressão, e ela disse esperar que Holm tivesse a mão erguida.
Holm, por sua vez, saiu do ringue visivelmente frustrada. Segundo a lutadora, a sensação foi de que ela venceu a luta de forma “total”, deixando claro que sempre existe o que melhorar, mesmo quando se conquista um triunfo, mas que o resultado não refletiu o que aconteceu no combate. Ela fez questão de frisar que não se trata de falta de respeito por Han; ao contrário, Holm afirmou ter admiração pela adversária. Ainda assim, sustentou que foi ela quem impôs o ritmo, que conseguiu conectar golpes com mais clareza e que, embora Han também tenha acertado em alguns momentos, o volume e a eficiência dela foram maiores. Na fala, Holm enfatizou que o placar deveria ter sido favorável a ela e apontou a frustração de ter trabalhado muito para ver o desfecho fugir do seu entendimento.
Como se não bastasse a repetição da controvérsia, Han ainda viveu um contexto especial por ter nascido e crescido em El Paso, cidade onde a revanche aconteceu. A lutadora chegou ao cartel de 13 vitórias e nenhuma derrota após o segundo triunfo sobre Holm e aproveitou o momento para mirar novos alvos no boxe. Em seguida ao combate, Han convocou, em sequência, campeãs e detentoras de cinturões de diferentes organizações, mirando Katie Taylor como próxima grande pedida, com a declaração voltada para os títulos da WBA, WBC, IBF, WBO, IBO e também o cinturão do The Ring na divisão de peso-leve “leve”/light welterweight.
No mesmo evento, Amanda Serrano manteve com facilidade seus títulos do WBA e do WBO na categoria peso-pena ao nocaute arrematar Cheyenne Hanson no segundo round. A interrupção veio com força suficiente para consolidar mais um capítulo histórico para Serrano. Com a vitória por nocaute, Serrano igualou o recorde de Christy Martin para nocaute entre lutadoras, chegando a 32 triunfos desse tipo na carreira. E a possibilidade de ampliar a marca já apareceu no horizonte: Alycia Baumgardner, atual campeã das faixas WBA, IBF, WBO e The Ring na categoria super peso-pena, aproveitou a chance para pedir oficialmente o confronto, deixando claro que quer o próximo passo rumo a um novo marco no esporte.

