O UFC Perth movimentou o fim de semana e, com ele, veio mais uma grande turbulência na trajetória de Jack Della Maddalena. O ex-campeão voltou a tropeçar em uma noite difícil, sendo superado por Carlos Prates. A sequência ruim do australiano — com duas derrotas em sequência — reacendeu uma discussão que cresce a cada resultado: afinal, Jack Della Maddalena foi realmente “bom” no auge ou apenas esteve no lugar certo, na hora certa, aproveitando circunstâncias favoráveis no caminho até o título?
A queda de Jack Della Maddalena
A pergunta que domina o debate é direta: o sucesso de JDM teria sido fruto de timing perfeito e de um cenário competitivo específico quando ele conquistou o cinturão dos meio-médios (na divisão em que atuou como campeão), ou houve algo que o “quebrou” de vez, como um encaixe ruim contra adversários de nível máximo? No confronto contra Islam Makhachev e, agora, diante de Carlos Prates, a impressão é de que ele não vem demonstrando postura e controle típicos de um campeão mundial.
Há também detalhes que chamam atenção fora do desempenho técnico, como as reações vocais durante o combate e a falta de “cara de poker” — aquela serenidade que lutadores de topo costumam manter mesmo quando estão sob pressão. Por outro lado, há quem argumente que isso não é necessariamente um problema moral: quando se leva golpe, dói, e a expressão corporal acaba aparecendo. Ainda assim, o que pesa no julgamento do momento não é o “semblante”, e sim o conjunto.
Ao olhar a trajetória com calma, o enredo fica estranho: Della Maddalena chegou à organização com bastante burburinho, aparentou ser um lutador capaz de dominar o topo por algumas lutas, depois sofreu uma queda de rendimento, mas seguiu vencendo — até “se encaixar” em uma disputa de título, vencer de forma convincente e, a partir daí, passar a mostrar dificuldades constantes. É uma linha de evolução que não costuma ser tão tortuosa em carreiras que realmente atingem o patamar mais alto de forma sustentável.
Dentro desse raciocínio, a tese é que Jack Della Maddalena era muito competente para lutar, mas talvez nunca tenha sido “o melhor” do peso na comparação direta com os nomes mais perigosos. A leitura alternativa é que ele conquistou a chance de título e teve um dia em que as coisas funcionaram. E isso não seria uma crítica: ser bom e estar preparado para aproveitar oportunidades faz parte do esporte. O problema é que, conforme a dificuldade aumentou, a atuação dele caiu de forma perceptível.
Segundo essa visão, a única luta que foge um pouco do padrão foi contra Belal Muhammad, mas mesmo ali existia a sensação de que o adversário teria desperdiçado uma boa oportunidade com escolhas estratégicas inadequadas na própria noite. Em outras palavras: o desempenho de JDM melhorou quando o cenário favoreceu mais, e enfraqueceu quando os oponentes passaram a explorar melhor as fragilidades dele.
Apesar disso, não há um “julgamento final” automático. Della Maddalena ainda é jovem, e as derrotas recentes ocorreram contra combinações de estilos consideradas especialmente difíceis para ele. Perder para Islam Makhachev, por exemplo, não carrega o mesmo peso do que perder para alguém fora do nível de elite — já que o russo é visto como o principal nome da geração. No caso de Carlos Prates, porém, a análise é que ele é grande e encaixa bem para atacar justamente pontos vulneráveis na trocação, onde JDM tende a sofrer mais quando não consegue impor o próprio ritmo.
Ainda assim, o foco passa para um ponto técnico específico: a capacidade de lutar quando está atrás no placar e, principalmente, de reagir e ajustar o plano. Muitos atletas conseguem atuar como “martelo”, mas o MMA exige mais do que isso: precisa saber vencer também quando a situação vira “contra você”. Em duas lutas seguidas, a percepção é que Della Maddalena esgotou ideias cedo e não demonstrou adaptação suficiente para virar o jogo.
Essa preocupação fica ainda maior porque, no caso de Makhachev, há a alegação de que ele teria falhado em executar o plano traçado em campo. A suspeita é que isso possa se repetir contra Prates. Se Jack Della Maddalena estiver sendo afetado pela própria cabeça durante o combate — travando em decisões, perdendo leitura e demorando para recuperar o controle — o cenário pode ficar ainda mais complicado. O tipo de problema lembraria situações em que um lutador de elite entra em um ciclo de dificuldade psicológica e perde a capacidade de reagir como deveria, algo especialmente perigoso no alto nível.
Islam Makhachev e o “e se” contra Carlos Prates
Com o debate sobre o tamanho e o estilo de Prates em alta, surge também a pergunta: seria perigoso para Islam Makhachev permanecer em pé contra Carlos Prates? A resposta, dentro dessa linha de raciocínio, tende a ser afirmativa no sentido de que não faria sentido dar espaço para trocas em que o adversário ganha vantagem física.
A leitura é que Makhachev tem um jogo de striker relevante — melhor do que muita gente subestima —, mas ainda assim ele estaria abrindo mão de controle ao aceitar um intercâmbio direto com alguém que reúne tamanho e poder para desequilibrar a distância. A avaliação sugere que, se os dois se enfrentassem, Makhachev agiria de forma pragmática: restringiria as trocas para momentos em que ele estivesse no ponto certo, confortável e com risco menor, avançaria para quedas quando necessário, dominaria posicionamento no chão e buscaria uma finalização.
Nesse cenário projetado, a expectativa é de domínio completo, com Makhachev vencendo por decisão unânime, em placar de 50-45 por três vezes.
“Thunderstorm” e a previsão de tempo
Enquanto o foco esportivo toma conta, outro tema aparece: a possibilidade de uma tempestade atrapalhar eventos ao ar livre. A discussão é que uma chuva forte seria o único fator capaz de adiar uma programação em um local externo, o que faz sentido em termos logísticos.
Como o período mencionado é junho — início da temporada de furacões —, a previsão de longo prazo indica chance não nula de atividade de tempestades nas primeiras semanas do mês. Em termos práticos, isso significa que existe risco real de algo acontecer cedo o suficiente para interferir no andamento do card.
Mesmo assim, a estimativa atribuída à probabilidade seria na faixa de 10%. E, caso algo ocorra, o cenário seria visto como “engraçado” em tom de ironia: a organização poderia ter de mudar o evento para uma arena fechada por causa de uma tempestade que chegasse de forma antecipada.
Deep dives: em quem vale se aprofundar
Por fim, a matéria entra no terreno do conteúdo e das recomendações para quem gosta de análises mais longas. A sugestão apresentada é que, quando a ideia é mergulhar fundo na carreira de um lutador, Genki Sudo aparece como uma escolha interessante por conta de uma história de vida intensa e cheia de capítulos.
Outra recomendação para quem quer se aprofundar em lutas específicas, com combates que marcaram de forma forte, é Robbie Lawler. A indicação é que ele raramente sai da lista quando o assunto é analisar confrontos impactantes e cheios de momentos decisivos.
Com isso, a despedida deixa uma chamada para perguntas relacionadas a esportes de combate, com espaço para dúvidas que vão do tema atual até curiosidades mais improváveis — desde que sejam boas. A partir daí, o recado é seguir acompanhando a próxima semana.

