Jim Miller ficou um bom tempo longe do octógono, e agora o motivo dessa ausência prolongada veio à tona. Aos 42 anos, o veterano — um dos nomes mais duradouros da história do UFC — retorna para lutar neste fim de semana, no UFC 328, contra Jared Gordon, em duelo marcado para sábado, 9 de maio de 2026, no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey.
Com passagem no UFC desde 2008, Miller soma 46 lutas pela organização (57 partidas no total no MMA). Ele já esteve em eventos como o UFC 100, UFC 200 e UFC 300, e deixou claro que pretende encerrar a carreira quando atingir 50 compromissos no octógono. Por isso, o combate diante de Gordon ganha peso ainda maior, especialmente após o que o atleta enfrentou nos últimos 12 meses.
O motivo da pausa de Miller
O “hiato” incomum do lutador no período mais recente se explica por uma questão familiar: ele esteve diretamente envolvido no cuidado do filho adolescente, que passou por tratamento contra o câncer. Miller relatou que a situação foi dura e exigiu mudanças de rotina e comprometimento total, principalmente durante os meses finais do ano passado e o começo deste ano.
Nas palavras do veterano: a batalha do filho
“O meu filho mais velho, com 14 anos, acabou tendo problemas de saúde”, contou Miller. Segundo o atleta, a recuperação veio com grande superação: “Ele deu a volta por cima. A gente teve seis meses muito difíceis: os últimos três do ano passado e os primeiros três deste ano. Eu não poderia estar mais satisfeito com o resultado. Ele é incrível, um jovem homem extraordinário, e isso me deixa orgulhoso todos os dias.”
O lutador ainda detalhou o diagnóstico, ressaltando a agressividade do quadro. “Ele teve câncer. Foi diagnosticado com rabdomiossarcoma”, afirmou. Miller descreveu o tipo de doença como “bem agressivo” e também “raro” na infância. “Havia um tumor escondido na região dos seios da face e na cavidade ao redor do olho. Pela localização, era provavelmente o melhor cenário possível. Quando fizeram a biópsia, o tumor apareceu. Ainda assim, ele precisou passar por dois ciclos de quimioterapia e mais um ciclo de radioterapia.”
Ao falar da parte da radiação, Miller ampliou o contexto de logística e rotina. “A radioterapia durou cinco semanas, todos os dias, feita pela Rutgers, que fica a cerca de uma hora e meia daqui”, explicou. Na sequência, o veterano conectou a experiência ao próprio estilo de vida de atleta.
“Conseguir fazer isso e reorganizar a minha agenda, porque eu estava treinando para uma luta quando começou a fase da radioterapia, foi uma parte importante da história”, disse Miller. E completou com uma mensagem de gratidão pelo caminho escolhido: “Estou feliz por ser lutador. Estou feliz por ter trilhado essa estrada para poder estar ao lado do meu filho e ajudá-lo nas dificuldades.”
A virada para o treino: transformação do estresse
Além do cuidado com o filho, Miller afirmou que conseguiu transformar o peso emocional do período em combustível para a preparação. “Para a minha própria sanidade, eu precisava voltar a treinar”, declarou. O veterano explicou que retornou ao ritmo de treino ao longo dos meses, sem necessariamente seguir um acampamento completo de camp de luta, mas mantendo o foco em recuperação e evolução no ginásio.
“Eu tenho ido à academia há meses. Não é aquele preparo total de luta agora, mas é uma forma de curar. É bom, às vezes, conseguir dar um ‘choke’ em alguém”, brincou Miller, deixando a mensagem de que o retorno ao treino também funcionou como mecanismo de recomposição.
Jared Gordon x Jim Miller: retrospectos e cenário do combate
Com a volta ao octógono, Miller chega para o UFC 328 após um momento recente de oscilações: ele é 3-2 nos últimos cinco compromissos. Já Jared Gordon vem de campanha mais próxima do equilíbrio, com retrospecto de 2-2-1 nas últimas lutas.
Apesar de Gordon entrar como favorito na avaliação prévia para o duelo em “The Garden State”, Miller costuma ser um desafiante perigoso e, muitas vezes, visto como “azarão vivo” por apostar em resistência e reaproveitar oportunidades. Por isso, a partida em Newark deve ter um ingrediente extra: além da motivação esportiva, o veterano carrega a experiência recente como combustível emocional para o retorno ao cage em sua corrida rumo ao objetivo de chegar ao marco de 50 lutas no UFC.

