O crescimento do MMA ganhou mais um capítulo com a estreia do evento de MVP no streaming da Netflix, que marcou a audiência inicial de 17 milhões de pessoas. Em conversa recente em podcast, o comentarista Joe Rogan e convidados como o árbitro Big John McCarthy e o ex-lutador Josh Thompson analisaram o cenário do esporte, os desafios de colocar uma nova organização de pé e o que pode mudar com a chegada de Scott Coker à cena como promotor. No radar, ainda está a sequência do UFC, com cards no Meta APEX, uma grande noite com um novo retorno de Conor McGregor e a comparação entre forças de alcance global de plataformas.
- Audiência citada: 17 milhões de espectadores na primeira transmissão do evento de MVP na Netflix
- Temas do debate: expansão do MMA, concorrência com novas promoções e dificuldade de transformar lutadores em “estrelas”
- Figura central do mercado: Scott Coker, anunciado como promotor com aporte financeiro de US$ 60 milhões
- Próximo grande destaque no UFC (citados): confronto entre Conor McGregor e Max Holloway
- Marco de carreira citado de McGregor: primeira luta no MMA em cinco anos e primeiro combate fora de pay-per-view desde o triunfo sobre Dennis Siver em 2015 (UFC Boston)
Rogan vê “excelente para o esporte”, mas questiona a viabilidade de uma nova era
Joe Rogan tratou o desempenho de MVP como um sinal positivo não apenas para atletas, mas para o MMA como um todo. Ele destacou que a atenção gerada pelo evento na Netflix pode ajudar a dar visibilidade ao esporte e estimular novas oportunidades dentro do mercado, valorizando a ideia de aumentar a concorrência e atrair mais olhos para as lutas.
Ao mesmo tempo, Rogan reconheceu que existe um caminho difícil para transformar sucesso de audiência em uma operação sustentável no longo prazo. No episódio, ele recebeu Big John McCarthy e Josh Thompson para discutir o momento atual do MMA após a entrada de MVP e a volta iminente de Scott Coker. Coker, que já comandou Strikeforce e Bellator no passado, anunciou recentemente seu retorno como promotor com apoio financeiro de US$ 60 milhões.
Apesar de elogiar Coker, Rogan demonstrou preocupação com a conta completa de um negócio desse tipo. Em sua avaliação, o montante pode parecer alto à primeira vista, mas não traduz necessariamente a complexidade de montar uma promoção de MMA: envolve produção televisiva, pagamento de lutadores, garantia de locais, estrutura de equipe em tempo integral e custos operacionais que se acumulam rapidamente. Rogan ainda brincou com a ideia de que, mesmo que haja “nomes” ligados ao projeto, como exemplo citado por ele (Tony Hawk), ainda assim é uma missão extremamente árdua.
McCarthy aponta a vantagem de marca do UFC e o desafio de criar estrelas
Big John McCarthy concordou com a leitura de que a concorrência tende a ser positiva para o esporte. Contudo, ele reforçou que o UFC sempre terá uma vantagem estrutural sobre rivais por conta da marca construída ao longo de décadas, com presença global e reconhecimento acumulado.
Mesmo assim, McCarthy acredita que o produto enfrenta dificuldades para produzir estrelas no ritmo de antes. Na visão dele, parte do público atual pode sequer conhecer os atletas escalados em determinado card, mas liga o evento quando aparece “UFC” porque confia no formato e no “produto” da organização. Para McCarthy, isso é bom para marketing e para a estratégia da empresa, mas revela uma lacuna: a promoção nem sempre consegue apresentar lutadores com a mesma força e construção de imagem de períodos anteriores.
Ele resumiu o problema como uma dificuldade de comercializar nomes menos conhecidos, especialmente porque, no modelo atual, o UFC está presente toda semana. Com frequência elevada de eventos, fica mais difícil transformar continuamente atletas em grandes protagonistas para o público mais amplo.
Modelo do UFC e debate sobre público casual versus fã fiel
O papo também abordou como o UFC migrou para uma nova fase de distribuição. O modelo de negócios permitiu fechar um acordo de streaming com duração de sete anos com a Paramount+, abrindo uma etapa de entrega de conteúdo ao público sem depender exclusivamente do sistema de pay-per-view. Porém, McCarthy e Rogan destacaram que nem todo tipo de espectador vai consumir o produto com regularidade sempre que houver um evento.
Rogan ressaltou que muitos espectadores casuais podem nem saber que existe uma Fight Night marcada. Ele ainda observou que, para quem é fã mais assíduo, a sensação é de receber “comida o tempo todo”, em referência à abundância de eventos e lutas constantes. Já para o público casual, o consumo depende mais de um “nome” forte e de um atrativo imediato.
Nesse ponto, McCarthy mencionou Ronda Rousey como exemplo. Para ele, Rousey teve um desempenho acima da média na forma de falar com o público e em colocar informações e narrativas no ar. Segundo McCarthy, ela conseguiu capturar a atenção das pessoas e cumprir exatamente o que deveria ser feito na função de tornar o produto e os atletas mais atraentes.
Calendário do UFC citado: cards no Meta APEX, retorno internacional e o retorno de McGregor
Na sequência do cronograma citado no debate, o UFC tem um card pequeno no Meta APEX antes de seguir para um grande show em outro momento. Depois, a organização retornaria ao APEX para mais uma noite, e também haveria evento em Azerbaijão até o UFC voltar ao T-Mobile Arena com o confronto entre Conor McGregor e Max Holloway.
O duelo entre McGregor e Holloway, de acordo com a conversa, será um marco importante para o irlandês. Será a primeira luta dele no MMA em cinco anos e também o primeiro combate fora de pay-per-view desde o triunfo do UFC Boston sobre Dennis Siver, em 2015. Além disso, o debate conectou o impacto de audiência de plataformas: Netflix tem cerca de quatro vezes mais assinantes globais do que a Paramount+, e a expectativa é de que a base de fãs de McGregor ajude a aproximar os números do UFC 329 da estreia do MVP na Netflix.
Rogan crava: disputa por atenção exige nomes grandes
Ao comentar novamente o fenômeno de audiência do MVP, Rogan reforçou que 17 milhões de espectadores é “gigante” e que isso é positivo para todo mundo. Para ele, o MMA precisa de mais concorrência e mais pessoas acompanhando o esporte, e o crescimento de exposição tende a beneficiar atletas e a modalidade.
Rogan, porém, voltou ao ponto de que, para o público casual, a adesão costuma depender de um nome forte. Ele apontou que a luta de Conor McGregor em julho deve ser “absurda”, sugerindo que as pessoas vão se empolgar com o retorno do irlandês por causa do carisma e do peso de personalidade que ele tem fora do octógono.

