Ciryl Gane buscou orientação de lutadores com histórico recente em trocação no GLORY para tentar ajustar seu plano de jogo antes do compromisso mais importante da carreira até aqui: a disputa do cinturão interino dos pesos-pesados do UFC Freedom 250 contra Alex Pereira, marcada para 14 de junho, na Casa Branca, em Washington. A estratégia do francês, portanto, passa por dois “nomes de referência” do kickboxing para refinar detalhes do stand-up e também provocar situações que lembrem o estilo do brasileiro.
Gane recorre a campeões do GLORY para preparar o duelo contra Alex Pereira
Na reta final de preparação, Gane chamou para seu acampamento Mory Kromah, atual campeão dos pesos-pesados do GLORY, e Artem Vakhitov, campeão por duas vezes na categoria de meio-pesados no mesmo circuito. A intenção é clara: aprimorar a parte de trocação do atleta e criar variações de combate que reproduzam, em treino, possíveis cenários contra Pereira. O francês chega para o combate com cartel de 13-2 no MMA e 10-2 dentro do UFC.
- Mory Kromah: atual campeão dos pesos-pesados do GLORY, com 37-3-1; quase 2,06 m (6 pés e 5 pol) e 229 libras; soma 22 nocaute vitórias na carreira; retorno agendado para 13 de junho no GLORY Collision 9, em Roterdã, na Holanda.
- Artem Vakhitov: cartel de 23-7; tem duas lutas na carreira contra Alex Pereira no kickboxing, com um triunfo para cada lado; também foi campeão do GLORY nos meio-pesados em duas ocasiões — sendo que a primeira passagem pelo título incluiu cinco defesas.
Embora o foco imediato seja a parte técnica do boxe e do kickboxing, o caminho de Vakhitov também adiciona um ingrediente interessante ao contexto: sua vivência em MMA profissional. Após conquistar destaque no circuito de trocação, ele chegou a atuar no formato mais tradicional por conta própria, encerrando sua trajetória inicial com 3 vitórias e 1 derrota, além de ter recebido um contrato com o UFC via série de oportunidades do Dana White. Ainda assim, Vakhitov não ficou satisfeito com a proposta inicial oferecida na organização e optou por recusar o convite.
Antes de se profissionalizar, Vakhitov já figurava como um amador premiado no muay thai, acumulando conquistas em diferentes torneios internacionais.
O que o camp indica sobre o plano de Gane: trocação refinada e pressão
Em entrevista, Gane explicou por que chamou Vakhitov para ajudar no treino e o que pretende explorar no duelo. Ao ser perguntado sobre o russo, o francês afirmou que se trata de um adversário e atleta de grande porte, que gosta de impor pressão — algo que ele também faz — destacando ainda que Vakhitov possui habilidades técnicas “grandes” e relevantes para o tipo de troca que o combate pode exigir. Para Gane, ter contato com um lutador que já enfrentou Pereira diretamente no kickboxing tem valor educativo, justamente por permitir ajustes mais específicos do que apenas “genéricos” de preparação.
O ponto central, porém, é que ainda não está claro o quanto Gane vai insistir em um jogo exclusivamente voltado à trocação no momento do combate. A preparação também inclui sinais de que ele pode adotar uma abordagem com maior carga de grappling, sugerindo que o plano pode ser híbrido: impor pressão no striking e, ao mesmo tempo, ameaçar a transição para o chão para controlar o ritmo e punir aberturas.
Interino em jogo: impacto no ranqueamento e próximos passos para o vencedor
Como a luta vale o cinturão interino dos pesos-pesados do UFC Freedom 250, o resultado tende a ter efeito direto na hierarquia da divisão: quem sair com a vitória entra em posição ainda mais forte para consolidar autoridade e influenciar a sequência de disputas pelo cinturão principal. Para Gane, o desafio é especialmente relevante porque ele chega com um camp desenhado para enfrentar um perfil específico: Pereira, com histórico de resultados expressivos tanto no MMA quanto no kickboxing, é o alvo do ajuste técnico buscado com Kromah e Vakhitov.
- Gane chega ao duelo com 13-2 no MMA e 10-2 no UFC, tentando transformar a preparação em uma execução que maximize as chances contra Alex Pereira.
- Alex Pereira entra na luta com 13-3 no MMA e 10-2 no UFC, sendo o “parâmetro” para os treinos com olhares e situações semelhantes às do adversário.
Já para Kromah, o contexto vai além do papel de sparring: ele segue como campeão do GLORY na categoria mais pesada do circuito, com 22 triunfos por nocaute e retorno marcado para 13 de junho no GLORY Collision 9, em Roterdã. No caso de Vakhitov, o histórico contra Pereira no kickboxing — com um triunfo para cada lado — reforça o valor do “espelho” técnico na preparação, mesmo que o russo tenha escolhido não seguir no UFC após receber uma oferta considerada de entrada.
Agora, o mundo do MMA vai esperar até 14 de junho para ver qual versão de Ciryl Gane vai prevalecer: a que prioriza o striking com pressão, ou a que combina a ameaça no chão com o trabalho de trocação. O cinturão interino está em jogo, e a definição do vencedor deve direcionar o próximo passo natural na divisão dos pesos-pesados.

