Tatiana Suarez revela dificuldades no camp do UFC 327 e mira o cinturão

Tatiana Suarez voltou a enfrentar obstáculos para conseguir chegar ao octógono no UFC 327, mas conseguiu uma vitória convincente sobre Loopy Godinez e agora tenta encontrar respostas para o que vem pela frente. A campeã do TUF (na época da 23ª temporada) ainda busca um caminho firme rumo ao cinturão dos 115 libras e afirma que quer estar 100% para o próximo camp.

Antecedentes

Suarez entrou em cena com cartel de 12-1 no MMA e 9-1 na organização. No compromisso do UFC 327, ela produziu um desempenho marcante ao se tornar a primeira atleta a parar Godinez em competição profissional, finalizando no segundo round com um mata-leão por estrangulamento.

Com o resultado, a lutadora emplacou vitórias consecutivas. Ela vinha de um revés na disputa do cinturão do peso palha contra a então campeã Zhang Weili, em fevereiro de 2025. Desde então, o cenário do topo da categoria seguiu sem definição clara.

Para Suarez, questões ligadas à saúde fazem parte do enredo há anos. Ela é sobrevivente de câncer de tireoide, diagnosticado aos 19 anos. Assim, lesões e outros contratempos acompanharam sua trajetória e limitaram sua presença no octógono a apenas 10 aparições ao longo de quase uma década desde a conquista do reality “The Ultimate Fighter”, em julho de 2016.

Quando conseguiu competir, porém, Suarez só havia encontrado uma derrota em noite específica diante de uma adversária. Agora, mesmo após a vitória no UFC 327, ela admite que teve preocupações durante o camp por dificuldades ligadas à energia e ao preparo físico, o que acendeu alertas sobre como ajustar os próximos ciclos de treino.

A luta

  1. No UFC 327, Suarez conseguiu impor pressão e encontrar caminhos para a luta evoluir a seu favor, até chegar à finalização.
  2. No segundo round, a brasileira aplicou um mata-leão, encerrando a disputa por estrangulamento e registrando seu feito histórico: a primeira interrupção de Godinez em lutas profissionais.

O pós-luta

Além de comemorar o resultado, Suarez deixou claro que seu foco imediato é entender as razões das oscilações de energia relatadas no camp. Ela também mencionou que, após a remoção da tireoide, o desafio para manter o corpo no ritmo ideal se torna mais complexo do que para uma pessoa sem essas questões.

“Eu fiz um camp bem longo. Durante os ciclos, essas coisas acontecem, então agora é recuperar e garantir que, quando eu voltar ao treino, eu esteja 100% saudável”, disse Suarez, destacando que sofreu com falta de energia ao longo da preparação. Segundo ela, após passar por situações de saúde no passado, precisa ser mais cuidadosa do que atletas que não enfrentaram o mesmo histórico.

A lutadora ainda apontou que quer chegar ao próximo camp sem precisar recorrer o tempo todo a ajustes emergenciais. A ideia, de acordo com ela, é não voltar a ter o tipo de sensação cotidiana ruim que exige reavaliações com a equipe de nutrição, especialmente porque o nível de adversárias no peso palha é alto e os compromissos tendem a ser “duros” por natureza.

Suarez também comentou que não recebeu direcionamento objetivo do UFC sobre os próximos passos. Para ela, qualquer cenário está em aberto, e por isso a prioridade é estar fisicamente pronta para responder a uma possível oportunidade de disputa de título.

No panorama da categoria, o futuro segue em suspense. Zhang Weili deixou o peso palha após vencer Suarez e subir para o flyweight feminino, onde tentou novamente o cinturão contra Valentina Shevchenko no UFC 322, em novembro, mas sem sucesso. Enquanto isso, Mackenzie Dern ficou com o cinturão vago dos 115 libras após derrotar Virna Jandiroba no UFC 321, em outubro, porém ainda não teve data marcada para a primeira defesa — quase seis meses depois da conquista.

Há uma percepção geral de que Weili teria mérito para disputar o cinturão que não perdeu em combate, caso opte por retornar. No entanto, os planos da ex-campeã não foram apresentados com clareza. Dana White afirmou recentemente que o executivo Hunter Campbell deve conversar com Weili por volta do período do evento do UFC em Macau, em 30 de maio, o que ainda deixa mais de um mês até qualquer encaminhamento mais concreto.

Com isso, candidatas como Suarez, Jandiroba e Gillian Robertson permanecem aguardando sinais sobre o que o UFC pretende fazer. Suarez reforçou que a própria agenda de Weili influencia a janela de decisões e que, no momento, a divisão ainda não tem um rumo totalmente definido.

“A Weili está muito ocupada. Eu sei que, antes da nossa luta, ela estava fazendo um filme e está super envolvida com tudo por lá”, afirmou Suarez. Ela acrescentou que a ex-campeã aproveita oportunidades fora do octógono e que, após o último combate, parece ter escolhido desacelerar para executar planos que já tinha antes da luta.

Por fim, Suarez voltou a insistir no ponto central: independentemente do que aconteça com a divisão, ela quer estar preparada. Se o UFC colocar uma luta na mesa, ela pretende entrar em ação pronta e saudável para um novo camp.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.