Jake Paul está trocando o foco do boxe para mirar alto no MMA. No próximo mês, ele oficializa sua entrada no ramo de eventos com o MVP MMA 1, que terá transmissão ao vivo pela Netflix e já nasce com um card de peso: o evento será encabeçado por um duelo entre Ronda Rousey e Gina Carano. A expectativa é que se trate de uma das produções de MMA mais vistas de todos os tempos, e Paul deixou claro, em conversa recente, que a intenção é mexer na estrutura do esporte e provocar uma mudança de cenário.
O empresário e lutador afirmou que o movimento é “necessário” e que a modalidade ficou por tempo demais concentrada em um único modelo, com a maior parte das oportunidades e da visibilidade centralizadas em uma mesma organização. Na avaliação dele, os atletas precisavam de mais alternativas para ganhar exposição e também receber valores mais altos, algo que o MVP MMA pretende oferecer por meio de nomes grandes e, principalmente, pela força de uma plataforma de streaming de alcance amplo.
Paul também disse que enxerga o evento como uma alteração relevante no calendário do MMA, tanto para quem luta quanto para quem acompanha. A ideia, segundo ele, é colocar disputas grandes e atrair atenção para confrontos de alto nível, mirando o topo do cenário com outro tipo de abordagem.
Rousey e Carano não são as únicas estrelas envolvidas no primeiro capítulo do MVP MMA. O coevento principal reúne Francis Ngannou, ex-campeão do peso-pesado do UFC, enquanto a luta principal coloca frente a frente dois nomes gigantes do MMA fora da organização dominante: Nate Diaz e Mike Perry. Embora não exista, por enquanto, um plano oficial para um segundo evento, Paul demonstrou esperança de que o MVP MMA 1 atraia outras disputas e ajude a transformar a forma como lutadores administram a própria carreira.
Ao falar sobre o que pretende fazer com o mercado, Paul foi direto ao afirmar que a estratégia seria “tirar” atletas de outras praças e oferecer pagamentos mais próximos do que eles acreditam que merecem, comparando o raciocínio com o modelo visto no boxe. Ele citou uma diferença enorme de valores entre lutas em outras modalidades e o patamar recebido por campeões em sua comparação, defendendo que existe espaço para que atletas busquem acordos melhores sem abrir mão de audiência.
Paul também mencionou o caminho trilhado por Francis Ngannou, que deixou o vínculo anterior e passou a disputar lutas de grande porte em outras frentes, com valores considerados muito acima do que teria no cartel anterior. Para ele, a consequência mais importante seria fazer com que outros lutadores enxerguem que podem “batalhar” para sair de contratos e, então, encontrar oportunidades mais vantajosas em outros locais, mantendo ou até aumentando a visibilidade.
Na leitura de Paul, muitos atletas permanecem porque entendem que o retorno financeiro não é tão bom, mas a fama e a exposição seriam maiores no ecossistema atual. Ele rebate essa lógica e argumenta que, com mudanças como as propostas pelo MVP MMA, isso pode deixar de ser verdade.
Apesar do impacto que a estreia promete, Paul reconhece que o UFC segue como a força dominante do MMA. Ele também citou a postura de Dana White, presidente do UFC, que construiu carreira justamente enfrentando e superando concorrentes. Paul admite que, no momento, White provavelmente não esteja preocupado, mas defende que deveria observar a movimentação de perto.
Ao avaliar a reação de White, Paul disse não acreditar que o dirigente esteja nervoso, sugerindo que ele já estaria satisfeito com sua própria posição e que, na visão dele, o executivo não estaria levando em conta a possibilidade de Paul e Nakisa Bidarian mudarem o jogo na prática. A ideia central é que, na trajetória de Paul, as pessoas teriam subestimado o que ele faria e, quando a realidade chega, a percepção muda.
Mesmo com toda a retórica, Paul entende que o que vai confirmar o discurso é o desempenho nos eventos. Enquanto o MVP MMA 1 acontece em um momento próximo, poucas semanas depois o UFC responde com o UFC White House, apontado como um dos maiores cards promocionais da história. Ainda assim, Paul acredita que o evento do MVP consegue se sustentar frente a qualquer produção da organização rival.
Ele comparou a disputa de atenção com o duelo entre grandes nomes do basquete, afirmando que considera o card do MVP no mesmo nível e que, na parte de audiência, ele espera até um crescimento por causa da Netflix, com transmissão para assinantes. Paul também declarou que vê o lineup como mais atrativo e mais divertido, e que a comparação entre os eventos tende a acontecer justamente por esse motivo, deixando no ar a conclusão de que “veremos o que acontece”.

