Kody Steele e a Austrália formam uma combinação improvável, mas é exatamente o tipo de ajuste que o UFC vem fazendo ao colocar o lutador para atuar em sequência, com um novo compromisso logo na sequência do calendário. Neste sábado, no UFC Fight Night 275, o atleta fará a viagem longa do outro lado do planeta para encarar o compatriota Dom Mar Fan em Perth, no RAC Arena, em uma luta que marca mais um passo de Steele na busca por estabilidade dentro da organização.
O duelo terá Steele como visitante e com retrospecto de 7-1 no MMA e 0-1 no UFC. Do outro lado, Dom Mar Fan chega com cartel de 9-2 no MMA e ainda invicto pela companhia, com campanha de 0-0 no UFC. A luta acontece no card do evento, que coloca o grappler e atleta de potência em um confronto contra um adversário que também representa o país anfitrião.
Steele, de 31 anos, comentou recentemente sobre a atmosfera que deve encontrar em território australiano. Ele afirmou que quer observar como o público reage ao seu desempenho, mas deixou claro que está preparado para qualquer resposta das arquibancadas. Na fala, o lutador mostrou confiança e disposição para lidar com vaias, sugerindo que, se a torcida decidir pressionar, ele vai responder dentro do octógono, mantendo a mentalidade de quem está pronto para o combate independentemente do clima.
Antes de chegar ao UFC, Steele carregava bastante expectativa. Ele era visto como um nome em ascensão, ainda relativamente novo no MMA quando comparado a outros atletas, mas já havia chamado atenção por dois pilares: a eficiência no chão, com foco no grappling, e a capacidade de gerar dano com força. Apesar disso, a estreia na organização não saiu como o roteiro ideal. Em fevereiro de 2025, em Sydney, ele foi surpreendido e acabou derrotado por Zhu Rong, em um resultado que interrompeu a trajetória que vinha crescendo sob forte hype.
Quando a oportunidade para a próxima luta apareceu com a Austrália no caminho, Steele aceitou o desafio, ainda que tenha admitido que preferiria atuar mais perto, no Meta APEX. Ele explicou que, para atletas em contratos de estreia, os custos associados a uma jornada internacional podem pesar. Mesmo com o UFC pagando deslocamento do lutador e do treinador, muitos competidores acabam arcando com despesas do próprio bolso para garantir a presença de membros do corner, além de outros gastos que surgem com a logística fora do país.
O lutador detalhou as dificuldades de chegar com antecedência e de se adaptar ao deslocamento até Perth. Ele disse que precisa viajar um pouco antes para ajustar o corpo e o ritmo, mas que a organização não cobre os custos dessa etapa de estadia. Na visão dele, isso transforma a ida ao outro lado do mundo em um incômodo financeiro, já que o atleta vai ao octógono para correr riscos reais à saúde, com todo o esforço físico e mental do camp, enquanto uma parte relevante da estrutura fica por conta do próprio lutador. Steele resumiu que, pelo menos, o ideal seria ver cobertura mais ampla para treinadores e hospedagem, mas reconheceu que, no momento, a situação ainda não está nesse nível.
Steele também fez uma leitura mais direta sobre o impacto do deslocamento nas finanças. Ele afirmou que, mentalmente, sente como se estivesse lutando “por pouco ou nada”, sobretudo por ser o primeiro contrato. Segundo ele, vai ser tributado de forma pesada em Perth, além de precisar levar sua equipe, providenciar acomodação e garantir um lugar para todos ficarem. Assim, ele disse que enxerga a luta como um cenário em que dificilmente verá retorno significativo apenas por participar do evento. Para compensar, o lutador colocou que, para conseguir o que considera um ganho maior, precisaria buscar uma finalização, ou então mirar uma premiação de Performance of the Night, destacando que o valor divulgado é de US$ 100 mil. Do contrário, a chance de “show and win” e a recompensa associada se tornam uma incógnita.
Independentemente de onde se esteja competindo — seja em Las Vegas, em Perth ou em qualquer outro lugar distante — Steele afirmou que encara este compromisso de modo diferente do que fez na estreia. Ele explicou que, em vez de entrar apenas para se divertir e misturar coisas, vai adotar uma abordagem mais calculada. Na leitura dele, lutar com estratégia pode ser o caminho para transformar trabalho em resultado, especialmente contra um adversário que também tem a missão de aproveitar o fator local.
O atleta relembrou que, na luta anterior, não estava totalmente “desligado” para o combate do jeito que esperava. Ele disse que não estava com pressa para lutar, já que entrou no UFC via Contender Series, e que após receber a chance pensou que estava “dentro” e precisava reagir. Quando a estreia chegou, ele admitiu que veio de surpresa e que, naquele momento, teve que ajustar rapidamente. Segundo Steele, existiam falhas no seu jogo que ele não dominava com confiança, e a estratégia mental que tomou forma acabou sendo mais simples: demonstrar dureza e coragem, com a ideia de que o desfecho seria definido entre nocaute ou ser nocauteado.
Para ele, o cenário agora muda. Steele explicou que, após ter feito a primeira apresentação na organização, a prioridade passou a ser exibir habilidades. Ele quer mostrar o próprio nível técnico, colocar à prova o que chama de “Q.I.” de luta e deixar claro que está no UFC para competir com os melhores. O plano, conforme descreveu, é entrar para vencer, em uma mentalidade que difere do formato anterior, quando ele tratou a disputa mais como uma oportunidade para “soltar” e buscar entretenimento. Agora, a proposta é clara: vencer, competir e fazer com que as pessoas percebam a evolução do que ele leva para o octógono.

