A brasileira Natalia Silva segue acompanhando de perto a situação da campeã peso-mosca do UFC, Valentina Shevchenko, na expectativa de que a organização aprove o duelo pelo cinturão ainda neste ano. A lutadora, que tem mantido a confiança ao ver “Bullet” treinando na Tailândia, afirma que o caminho para o combate parece estar apenas aguardando um sinal definitivo da campeã e do próprio UFC.
Antecedentes
Silva chegou ao cenário de disputa do título após superar a ex-campeã Alexa Grasso em maio de 2025. Na sequência, a brasileira esperava receber a chance de disputar o cinturão dos 125 libras, mas acabou concordando em enfrentar Rose Namajunas no mês de janeiro seguinte, após receber a promessa de uma oportunidade pelo título.
Mesmo assim, a expectativa recente mudou: segundo a própria Natalia Silva, o UFC informou que Valentina Shevchenko está lesionada e que será necessário aguardar a recuperação para que o confronto seja marcado.
“A gente está esperando e torcendo para que a campeã esteja pronta para lutar logo. Pelo que ela posta nas redes sociais, não parece nada sério. Parece que ela já voltou a treinar. A gente só está esperando ela dizer: ‘Ok, vamos colocar o cinturão em jogo’. Não tem como ela ficar segurando o cinturão para sempre, né? [risos]. Campeã precisa manter a divisão em movimento. É isso que a gente está esperando”, declarou a brasileira.
A contender brasileira também reforçou que está disposta a encarar o desafio no exterior, mesmo que isso signifique atuar em território adversário. Para ela, o local do combate não define o objetivo.
“Meu foco é ser campeã. Não importa onde a luta vai acontecer, se é no país dela ou em qualquer outro lugar. Não importa onde é: eu vou me tornar campeã. Eu realmente acredito nisso. Se o UFC quiser que isso aconteça, para mim é ótimo”, afirmou Silva.
A luta
Para Natalia Silva, Valentina Shevchenko é um obstáculo extremamente difícil e, apesar da idade de 38 anos, ainda está no auge. Ao mesmo tempo, a brasileira entende que o estilo da “Bullet” não é exatamente o mesmo de períodos anteriores.
“Ela é, sem dúvida, um desafio bem duro. E segue na primeiríssima fase dela. Só que ela mudou um pouco o jogo. Antes ela dependia muito mais do combate em pé, e agora parece mais inclinada a buscar as trocas no grappling”, analisou a lutadora.
Segundo Silva, essa adaptação é inteligente justamente pelo nível técnico que a campeã apresenta nesse aspecto do MMA. Ela também citou a experiência acumulada ao longo da carreira como parte do motivo para Shevchenko continuar no topo.
“Ela é uma lutadora que faz isso de um jeito muito forte. E grande parte disso vem da experiência que ela já tem. Ela é absolutamente uma lutadora muito difícil, e a gente está se preparando para a luta mais complicada da nossa vida, porque existe um motivo para ela ainda estar no topo hoje. Ela é uma atleta completa e faz muito bem aquilo que decide fazer”, completou.
Relembrando o histórico recente da campeã, Shevchenko recuperou o cinturão em 2024 ao vencer Alexa Grasso e, desde então, acumulou nove defesas bem-sucedidas no total entre dois reinados. No retorno em decisões, ela venceu Manon Fiorot e Zhang Weili, mantendo o cinturão em suas mãos.
Com um estilo mais baseado em trocação, Silva acredita que Valentina vá tentar defender o combate e, em algum momento, buscar a queda e as entradas para controle. Ainda assim, a brasileira projeta que conseguirá impor sua leitura ao longo do duelo.
“Com o tipo de jogo que ela tem, eu imagino que vai ser preciso defender quedas dentro do octógono e, no fim, dominar a luta. Eu só cedi três quedas nos oito combates que fiz no UFC contra Namajunas, Tereza Bleda e Viviane Araujo”, disse.
A lutadora ainda destacou que o grappling sempre aparece em sua trajetória, já que adversárias tentam agarrar e disputar a luta no chão em algum momento do combate. Para Silva, isso deve se repetir diante da campeã.
“Eu tive oito lutas no UFC. Em todas as oito, em algum momento as adversárias tentaram me colocar no grappling. Então eu não acho que vai ser diferente com ela. Em algum momento ela vai procurar essas trocas do jeito que ela está mais confortável agora. A gente treina para estar pronto para tudo, porque durante a luta você sente isso de verdade”, afirmou.
- Silva prevê que, após conectar golpes, a dinâmica pode levar a uma busca por finalização — com a atleta pensando em nocaute, enquanto o plano é ajustado conforme o ritmo do combate.
- A brasileira afirma que existe uma estratégia montada antes do octógono, mas que o que realmente define a execução surge dentro da luta, no calor das ações.
- No treinamento, a equipe trabalha tanto para finalizar por nocaute quanto para finalizar por finalização, mantendo também a preparação para vencer por pontos caso a luta se estenda.
- Silva conclui que, com as orientações do corner ao longo dos rounds, a equipe cria oportunidades e transforma o cenário em vitória, tornando o resultado inevitável.
O pós-luta
Sem cravar um cronograma oficial para o anúncio, Natalia Silva deixou claro que o objetivo permanece o mesmo: conquistar o cinturão que hoje pertence a Valentina Shevchenko. Para ela, a espera atual é apenas para a campeã liberar o combate, e a disputa pelo título precisa acontecer para que a categoria siga em movimento.
“A gente só está esperando ela dizer: ‘Ok, vamos colocar o cinturão em jogo’. Campeã tem que manter a divisão andando. É isso que a gente está esperando”, reiterou a brasileira.

