John Dodson reclama de quase um ano parado no BKFC e pede nova luta

John Dodson, ex-veterano do UFC e dono do cinturão dos pesos-fly no BKFC, afirma que está parado há quase um ano sem conseguir uma nova luta. Mesmo tendo firmado um acordo exclusivo com a organização após o período no RIZIN, o americano diz que ainda não recebeu uma data nem um adversário para defender o título — e que, na prática, qualquer tentativa de voltar a competir esbarra nas cláusulas do contrato.

Parada longa no BKFC: como isso afeta o ranqueamento e o status de campeão

Dodson construiu um começo forte no boxe de luvas abertas: foram cinco lutas com retrospecto de 4 vitórias, 0 derrotas e 1 resultado que não terminou em triunfo (4-0-1). Ele também alcançou o auge da fase ao conquistar o cinturão dos pesos-fly do BKFC. Porém, desde a última apresentação no BKFC, em março de 2024, o lutador não volta ao octógono do bare-knuckle — e isso, para um campeão ativo, costuma pesar em visibilidade, ritmo competitivo e relevância dentro do circuito do próprio evento.

Ao longo desse hiato, Dodson sustenta que a organização o mantém em expectativa. Ele foi convidado para um encontro de campeões do BKFC em julho de 2025, durante um evento na Flórida, onde a direção apresentou planos envolvendo uma “grande competição” para definir o “homem mais perigoso” e a “mulher mais perigosa” no bare-knuckle. O ex-UFC relata ainda que o evento teve destaque para figuras do topo da categoria e que ele acabou sendo forçado a assistir lutas que, segundo ele, poderiam envolver diretamente seu caminho de defesa.

  • Dodson diz que, apesar de ter sido o campeão, não foi colocado em combate com a prioridade que esperava.

  • Ele afirma que o tempo sem luta dificulta manter o status de campeão em evidência no ranking do próprio BKFC.

  • Com 41 anos e mesmo se sentindo pronto, o lutador admite que o relógio pesa para quem quer seguir competindo no alto nível.

O ponto central é que, mesmo com o cinturão na mão, Dodson alega não estar recebendo oportunidade de consolidar posição na divisão. Em um cenário assim, a tendência é que o cinturão e a classe dos pesos-fly passem a girar sem o nome que carrega a credencial principal, o que afeta diretamente o “peso” de qualquer próxima disputa quando ela finalmente acontecer.

Contrato exclusivo: tentativa de voltar a lutar e a disputa por cinturão interino

Segundo Dodson, após sua última aparição no RIZIN, o BKFC teria exigido que ele escolhesse entre assinar um acordo exclusivo e ficar impossibilitado de atuar em outras organizações — ou então abrir mão do cinturão. Ele diz que aceitou o compromisso com a ideia de que isso aceleraria a sequência de combates, mas relata que o resultado foi justamente o contrário: mais tempo parado.

O lutador afirma que, com o contrato, não pode competir em outras promoções e nem retornar ao MMA. Ele também sustenta que, caso atue em modalidades fora do acordo, perderia o título. Com isso, Dodson entende que a organização acabou criando um campeão interino como forma de contornar a falta de lutas do detentor principal.

Dodson descreve ainda um episódio específico envolvendo a categoria: ele relata que, quando o interino aconteceu após a movimentação de títulos, acreditou que enfrentaria o vencedor, mas o cenário mudou. De acordo com o relato dele, um campeão vacou o cinturão e outra figura continuou lutando em sequência. A partir daí, ele passou a se perguntar quando teria a chance real de competir pelo caminho que considerava natural após a decisão anterior.

  • Dodson diz que a exigência do BKFC foi impedir lutas fora do bare-knuckle e, se houver violação, isso implicaria em perder o cinturão.

  • Ele relata que a organização teria respondido à expectativa dele com a criação de um campeão interino, em vez de colocá-lo imediatamente em ação.

  • Ele afirma que esperava enfrentar o vencedor de uma disputa, mas a rota do título acabou se desdobrando e deixando-o sem data.

Próximo passo: o que Dodson quer e o caminho provável para voltar ao ringue

Na visão de Dodson, a situação é frustrante não só pela falta de combate, mas pelo contraste com o interesse externo. Ele conta que recebeu convites de diferentes promotores e organizações para retornar, inclusive para lutar no MMA e até para fazer eventos de boxe. Ainda assim, ele diz não conseguir aceitar nada por causa das restrições do contrato exclusivo firmado com o BKFC.

O lutador também deixa claro que não está tentando “fazer barulho” contra a organização — e que prefere apenas voltar a lutar, seja onde for, para destravar o andamento da categoria. Ele afirma que, do ponto de vista dele, o BKFC está com o controle total da agenda, e que isso acaba funcionando como uma retenção: ele se sente como alguém que está “segurando um cinturão” enquanto o próprio evento decide quando soltará a próxima luta.

Dodson encerra com uma crítica direta à lógica do processo: ele diz que está promovendo o BKFC ao participar de eventos públicos, apresentando a categoria e representando a divisão como campeão. Para ele, a pergunta central é simples: se ele é o detentor do cinturão, por que a organização não consegue cuidar do campeão e marcá-lo para competir?

  • Dodson deseja voltar o quanto antes a competir e defender o cinturão dos pesos-fly.

  • O cenário mais provável, pelo relato, é que a próxima luta dependa de uma liberação real do BKFC na programação e da definição de um adversário para a defesa.

  • Enquanto a agenda não sair, qualquer convite de outras modalidades tende a ser inviável sob o contrato exclusivo.

Com um ano sem lutar desde março de 2024, e ainda com energia para competir, John Dodson posiciona o retorno como prioridade absoluta. A disputa mais imediata no bastidor, portanto, não é só esportiva: é contratual e de agenda. O desfecho esperado é que o campeão consiga, enfim, ser escalado para uma luta e retome o ritmo que o bare-knuckle exige — para que o cinturão dos pesos-fly tenha uma sequência compatível com o status de quem o carrega.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.