Norma Dumont chega ao seu próximo compromisso em Las Vegas vivendo o melhor momento de sua carreira no MMA. Conhecida como “The Immortal”, a brasileira encara mais um desafio no octógono com o objetivo claro de dar mais um passo rumo ao cinturão dos pesos galos femininos do UFC.
Até pouco tempo, Dumont mirava uma oportunidade de título na categoria de 145 libras, mas em 2024 decidiu descer para o peso galo. Desde então, acumulou três vitórias importantes sobre nomes de peso, o que a colocou novamente em rota direta para figurar entre as principais candidatas da divisão.
As conquistas vieram contra Germaine de Randamie, ex-campeã do peso pena; Irene Aldana, ex-desafiante ao cinturão; e Ketlen Vieira, adversária recorrente na briga pelo topo. Com esses resultados, Dumont se afastou do grupo intermediário e entra no UFC Fight Night deste sábado — no coevento principal do evento “Sterling vs Zalal” — carregando uma sequência de seis vitórias consecutivas e ocupando a terceira posição no ranking oficial feminino dos galos.
Falando ao UFC.com antes do card em Las Vegas, Norma Dumont explicou qual é o segredo por trás do desempenho que a levou ao topo neste período recente.
“A chave para o sucesso, para mim, é a consistência. Assim que a luta termina, eu volto (para casa), avalio onde estavam as falhas e penso que é isso que está me dando uma performance tão boa contra minhas adversárias”, afirmou.
Durante o tempo em que esteve no UFC, Dumont mostrou evolução e amadurecimento como atleta. A brasileira sempre entrou no octógono buscando lutar de forma ofensiva e com iniciativa, mas, ao longo dos anos, ajustou o próprio estilo. Para ela, tanto o aprendizado dentro quanto fora das quatro linhas contribuiu para transformá-la em uma lutadora mais completa, equilibrada e bem desenvolvida no MMA em 2026.
“Na minha visão, isso é maturidade — tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. Quanto mais madura eu fico, mais difícil eu me torno dentro do jogo, melhor eu me torno como lutadora e mais difícil eu fico para as minhas oponentes”, disse a atleta de 35 anos, cuja trajetória profissional começou há uma década no Jungle Fight, no Brasil.
O fato de estar em terceiro lugar na classificação já deixava claro para Dumont que seu próximo compromisso seria um teste duro. Ainda assim, o cenário mudou de forma inesperada: a adversária originalmente marcada, Yana Santos, precisou sair do card por motivo de lesão. Com isso, houve troca de oponente, e Joselyne Edwards entrou em cena em ótima fase, com a missão de buscar a maior vitória da carreira dela no UFC.
Para Dumont, a troca de adversária não altera o foco. A brasileira tratou o novo confronto como mais um quebra-cabeça a ser resolvido e reforçou que está pronta.
“Não é um grande problema para mim. Eu sou uma lutadora bem versátil. Eu luto bem tanto em pé quanto no chão. Eu estou acostumada com isso, então não vira algo que me atrapalha. Estou pronta. Eu só ajustei algumas coisas e estou sempre pronta”, declarou.
Edwards chega ao confronto deste sábado em um ritmo forte, vivendo uma sequência de quatro lutas. São dois triunfos por nocaute e dois por finalização, o que dá ao peso-galo da equipe dela confiança para entrar no octógono com a postura de quem quer transformar a fase em resultado grande. Ainda assim, Dumont e sua equipe acompanharam de perto o jogo da rival e apontaram pontos que acreditam ser exploráveis.
“Ela é uma lutadora completa, mas sempre que enfrenta alguém mais experiente, as falhas aparecem. No meu caso, é exatamente isso que eu aproveito: as brechas nas falhas do jogo de outra pessoa. É nisso que eu sou muito boa”, avaliou Dumont.
Quando questionada sobre o que deve decidir a diferença no dia da luta, a brasileira foi direta: “Sem dúvida, experiência. E eu acho que eu tenho vantagem técnica”.
Com o card organizado com Dumont no coevento principal e a chance de, em caso de vitória, se aproximar ainda mais da disputa pelo topo da fila do cinturão em 135 libras, a atleta planeja entrar decidida e entregar uma atuação vencedora para estender o momento que já soma seis vitórias seguidas — marca que ela acredita ser suficiente para colocá-la na linha direta do title shot ainda neste ano.
“Eu acho que eu sou a número um na fila. O que eu preciso fazer é ter a mão levantada. Não tem ninguém na frente de mim. Então, se eu tiver a mão levantada, eu devo ser a próxima para disputar o título”, concluiu Dumont.

