Grant Dawson usa derrota como combustível e mira luta pelo cinturão dos leves

No momento em que o UFC gira a régua do “o que você fez por mim recentemente”, uma apresentação recente de Grant Dawson poderia ter custado caro em posições no ranking dos leves. Ainda assim, o norte-americano decidiu usar o revés como combustível, sem deixar que a motivação caísse.

  • Combate: Grant Dawson vs. Mateusz Rebecki
  • Evento: UFC 328 (preliminar)
  • Data e local: 9 de maio, no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey
  • Contexto recente: Dawson vem de nocaute sofrido por Manuel Torres no meio do primeiro round no UFC 323 (dezembro passado)
  • Cartel (fonte): Dawson (23-3-1 no MMA; 11-2-1 no UFC) e Rebecki (20-4 no MMA; 4-3 no UFC)

Dawson tenta retomar caminho entre os leves

Se o nocaute diante de Manuel Torres atrapalhou a trajetória de Dawson na divisão, o atleta fez questão de deixar claro que não pretende perder ritmo nem confiança. Ele encarou a derrota como um “corte” temporário no enredo que vinha construindo.

O resultado contra Torres, ocorrido no UFC 323 em dezembro, encerrou uma sequência de três vitórias seguidas. Antes disso, Dawson parecia estar novamente entre os nomes que discutem posição no topo dos leves, mas teve de recuperar terreno após um nocaute impressionante de 33 segundos sofrido para Bobby Green em 2023 — a primeira derrota dele dentro do UFC.

Agora, com a oportunidade de voltar a se colocar na conversa, Dawson enfrenta Mateusz Rebecki na parte preliminar do UFC 328, que acontece em 9 de maio no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey. O duelo também marca um reencontro de “conexões antigas”: os dois passaram um período juntos na equipe American Top Team, ainda que Dawson não acredite que isso vá pesar no octógono.

Objetivo declarado: mostrar que ainda está no topo

Para o lutador, a luta não é apenas mais um compromisso no calendário. A leitura dele é que uma vitória precisa reafirmar o nível dele na categoria e, ao mesmo tempo, abrir espaço para um novo ciclo rumo a disputas de cinturão.

Em entrevista, Dawson tratou o cenário como algo que ele não imagina viver: receber um pagamento da organização que ele nunca acreditou ser capaz de conquistar, além de continuar trabalhando no que gosta. Segundo ele, a motivação segue alta porque o retorno pelo esforço é real.

Ele também destacou o momento de Rebecki. Mesmo vindo de derrotas recentes, Dawson enxerga que os resultados do polonês não diminuem o tamanho do desafio. Na visão do americano, as lutas perdidas foram contrastadas por apresentações fortes, incluindo um triunfo sobre Myktybek Orolbai que entrou como candidato a “luta do ano”. Dawson ressaltou que Rebecki é conhecido por não desistir, mesmo quando a luta começa a pender.

Ao falar do plano de jogo, Dawson projetou que o adversário pode ser submetido tanto em finalizações envolvendo braço quanto em situações de pescoço e controle no chão. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que está preparado para uma guerra caso a luta não termine cedo: a previsão mental é encarar 15 minutos completos, se for necessário, apesar da expectativa de finalizar.

Rebecki tem os altos e baixos, mas também histórico de “Fight of the Night”

Mateusz Rebecki atravessou um período de oscilação: perdeu três das quatro lutas mais recentes em um recorte de dois anos. Ainda assim, o cartel recente do polonês tem aspectos relevantes para quem enfrenta e precisa entender como ele se comporta sob pressão.

Rebecki acumulou três bônus consecutivos de “Luta da Noite” em triunfos na divisão. Entre esses momentos, ele venceu Orolbai em decisão dividida. Já em outras ocasiões, saiu derrotado em forma de decisão: primeiro sofreu uma perda por decisão dos juízes para Chris Duncan e, mais recentemente, em outubro, perdeu por decisão majoritária para Ludovit Klein.

Com isso, Dawson entende que, apesar das pedras recentes no caminho do adversário, existe uma margem real para complicar a situação de quem chega para lutar com o polonês. Ele admite que esse risco faz parte do jogo — e que sabia disso desde o momento em que escolheu seguir para esse combate.

Sem prometer perfeição: Dawson mira o cinturão e ignora críticas

Além do pragmatismo esportivo, Dawson também traz uma mensagem emocional. Ele acredita que, para chegar ao topo, não dá para entrar no esporte com a mentalidade de “nunca errar” ou de ser imbatível. Na prática, ele defende que a derrota é parte do caminho.

O lutador comparou a própria trajetória com a de outros campeões da categoria. Ele citou o exemplo de Charles Oliveira, que passou por derrotas para adversários que, no papel, não seriam os favoritos. Dawson também lembrou que a lógica se aplica a campeões e estrelas: mesmo Ilia Topuria, apontado por ele como exceção entre alguns nomes, não viveu uma trajetória livre de surpresas.

Na sequência, Dawson reforçou o objetivo final: tornar-se campeão mundial. Ele afirmou que não entrou no MMA para apenas colecionar vitórias “limpas” contra qualquer oponente específico, mas para levantar o cinturão. Com isso, ele reafirmou que vai seguir trabalhando e buscando retomar o caminho depois de perdas como as que sofreu para Green e Torres.

Por fim, Dawson respondeu às críticas externas como incentivo para continuar. Ele mencionou que, se cada lutador desistisse por causa do que os fãs pedem, não haveria show. A postura, portanto, é manter o ritmo, seguir treinando e mirar o próximo passo rumo ao cinturão na divisão dos leves.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.