Carlos Prates teve uma atuação histórica na noite de 2 de maio de 2026, em Perth, na luta principal do UFC. Diante do ex-campeão Jack Della Maddalena, o brasileiro impôs um verdadeiro massacre e encerrou o confronto em um intervalo de pouco mais de 15 minutos somados de ação, deixando o australiano em um quadro sangrento ao fim do duelo.
Como Prates destruiu Jack Della Maddalena
- Jack Della Maddalena não era parado por golpes há uma década
- Prates levou o confronto para o cenário do adversário: a cidade natal do australiano
- A perna esquerda de Della Maddalena foi bastante castigada
- Chutes de alta velocidade na região do fígado foram decisivos
- As mãos esquerdas, com variações, se alternaram com cotoveladas e joelhadas precisas
Prates chegou ao “território” de Della Maddalena com uma proposta clara: controlar o ritmo e impor um recado de Muay Thai. Mesmo oferecendo seu ensinamento sem cobrar nada, o custo para o australiano acabou sendo altíssimo dentro do octógono.
O duelo foi rapidamente moldado pelas investidas de Prates. O trabalho na perna de apoio foi quebrando a base do rival, enquanto chutes na linha do fígado foram atingindo com força e velocidade. A partir daí, o brasileiro passou a conectar sequências pesadas, com repetidas mãos esquerdas, combinações que cortavam com cotoveladas e finalizações por joelhadas, até transformar o australiano em um amontoado no chão.
Pressão e guarda alta viraram alvo
Prates não só acertou como planejou o jogo para neutralizar o que costuma funcionar para Della Maddalena. O brasileiro teve leitura para lidar com a pressão constante e com a guarda alta do ex-campeão, punindo justamente os padrões que historicamente transformam o australiano em um striker eficiente.
O começo do confronto mostrou adaptação: em cerca de dois minutos, Prates ganhou sensação de distância e potência do adversário. Depois disso, assumiu o controle com naturalidade, como quem já havia “encaixado” o timing para explorar cada abertura do rival.
O nível do resultado foi tão acima da média que, se a mesma vitória tivesse acontecido há menos de um ano, ela teria colocado Prates a um passo do cinturão mundial.
Na prática, essa foi a melhor apresentação do início de carreira do brasileiro no UFC. Em um recorte de oito lutas, ele emplacou sete nocautes brutais, sustentando uma curva de evolução clara e crescente.
O que faltou para Prates em sua única derrota no UFC
A única exceção dentro desse desempenho veio na única derrota dele na organização, quando Prates teve seus pontos fracos expostos por Ian Garry. Naquela ocasião, Garry conseguiu desestabilizar o brasileiro com movimentação constante, bons fintas e um detalhe raro: acertar o “encaixe” de altura e alcance para competir em pé sem se perder na trocação.
O roteiro daquele combate foi diferente do que se viu em Perth. Prates demorou demais para encontrar o golpe grande, caiu fundo esperando a oportunidade e acabou se colocando em uma posição difícil. Mesmo com uma reação forte no quinto round, o brasileiro não conseguiu recuperar o terreno perdido.
Em contrapartida, contra Della Maddalena, Prates ocupou os espaços de forma bem mais inteligente. Ele não se limitou a “esperar o nocaute”; manteve a rotina de tocar com o jab ou lançar chutes quando surgia o alvo mais acessível. Com isso, a precisão se manteve alta e o volume de dano acumulou mais rapidamente.
Desde aquela derrota, Prates mostrou evolução evidente, ajustando o que precisava para transformar chances em consequências reais.
A “assinatura” de kickboxing que lembra lendas
Comparações diretas são sempre delicadas, mas Prates apresentou momentos que remetem ao tipo de nível de kickboxing associado a nomes do porte de Anderson Silva. Embora existam diferenças importantes entre os estilos, houve semelhanças na forma de construir o impacto.
Um dos pontos marcantes foi o uso de mãos mais baixas, além da disposição de se colocar na linha, “no limite”, para convidar o erro do adversário. A movimentação de mãos, com variações que atrapalham a ofensiva do oponente, também apareceu como um elemento característico. Somado a isso, o controle emocional e a capacidade de transformar vantagem em punição pesada fazem de Prates um nocautedor ainda mais perigoso.
Com essa demolição em Perth, o brasileiro passou a ser colocado no mesmo patamar de Alex Pereira e Ilia Topuria, no topo do estrato de finalizadores do UFC atual.
Próximo degrau: a possível rota até o cinturão
Apesar do salto de nível, a recompensa para Prates parece vir com uma rota complicada. A perspectiva é de uma disputa de título em algum momento contra Islam Makhachev — com a possibilidade de o campeão ainda precisar passar por um compromisso antes, dependendo do caminho na chave envolvendo Ian Garry.
É difícil imaginar um adversário que seja mais “pesadelo” para o brasileiro. Prates é derrubado com relativa frequência em combates contra grapplers, mas seu tamanho e o fato de ser faixa-preta em jiu-jitsu tornam bem difícil mantê-lo no controle por longos períodos.
O problema é o cenário específico contra Makhachev. Como já foi visto em outras ocasiões, escapar debaixo do russo é quase uma missão impossível. Nesse contexto, parece muito mais plausível que Prates seja mantido no chão por cinco rounds excruciantes do que conseguir levantar repetidamente preservando a mesma agressividade e a mesma violência nas mãos e chutes para machucar o campeão.
O quadro é complicado tanto para Prates quanto para a própria organização. Ele é um nocautedor carismático, com geração rara de talentos — um sonho para qualquer promotor. Ao mesmo tempo, o caminho até o título deve ser mais difícil do que a torcida gostaria.
Em termos de “nome”, Prates tem chance real de apagar praticamente todos os concorrentes ranqueados do peso até a posição do atual campeão. Mesmo assim, a pressão do público nem sempre aponta para esse confronto, porque a maioria quer ver o caminho empolgante de destruição continuar, enquanto ele segue acumulando vitórias com impacto máximo.
Existe, claro, a possibilidade de Garry causar uma zebra contra Islam, ou de o campeão russo retornar ao peso leve para abrir espaço para o grande duelo com Ilia Topuria que está no radar há bastante tempo. Porém, enquanto Makhachev mantiver o cinturão, o trajeto de Prates até o ouro fica mais complexo e difícil de vender — mesmo depois de mais uma vitória gigantesca.
Resultados completos do UFC Perth e o passo a passo do card seguem disponíveis em registro de luta a luta.

