Jon Jones passou a refletir sobre como a forma como o público enxerga sua imagem poderia mudar caso ele não estivesse, o tempo todo, sob os holofotes. O legado do atleta é um quebra-cabeça difícil de montar: há momentos de altíssimo nível, no auge de sua passagem pelo UFC, misturados com quedas constrangedoras e condenáveis no mesmo período. Amplamente citado como um dos maiores lutadores de todos os tempos, Jones construiu números expressivos na categoria dos pesos-meio-pesados, com 11 defesas de cinturão, além de uma curta fase como campeão dos pesos pesados. Ainda assim, o histórico também inclui punições e perdas de títulos ligadas a violações à política de conduta da organização e a um exame antidoping que não deu certo, além de episódios que viraram manchete por comportamento considerado ilegal em diferentes ocasiões.
Durante um evento de boxe em Miami, no último fim de semana, Jones conversou com um repórter do circuito local e reagiu com humor quando a conversa tocou no contraste entre sua fama e o que ele demonstrou em público. Ao ouvir a surpresa do entrevistador diante da postura mais amistosa, o atleta riu e respondeu, em tom provocativo, que não esperava que as pessoas realmente o imaginassem como um “cara assustador”. Jones afirmou que, apesar de ser conhecido por ter uma personalidade mais agitada e, quando comete algum erro, isso acabar ganhando enorme repercussão pública, ele acredita que, no fim das contas, é muito mais uma boa pessoa do que qualquer aspecto negativo que tenha aparecido ao longo do caminho.
Com 38 anos, o lutador vem fazendo declarações recentes sobre a possibilidade de voltar a competir. Em suas falas, ele chegou a dizer que “não existe mais um lutador chamado Jon Jones”, ao mesmo tempo em que mencionou uma conversa positiva com o executivo da empresa, Hunter Campbell, durante o evento Dirty Boxing. Jones também minimizou atritos envolvendo a organização ligados a negociações que não avançaram para um possível duelo em um contexto diferente, dizendo que a divergência não foi tão grande quanto a repercussão sugeriu.
Por mais que sua superioridade técnica e seus picos competitivos não possam ser colocados em dúvida, a lista de problemas do atleta fora do octógono quase acompanha o tamanho do inventário de conquistas no esporte. O caso mais lembrado envolve um episódio de 2015, quando Jones foi apontado como autor de uma fuga após um atropelamento envolvendo uma mulher grávida em outro veículo. A repercussão foi imediata e levou a organização a retirar o cinturão dos pesos-meio-pesados e aplicar uma suspensão indefinida. Em 2016, ele recebeu punição de um ano por falha em exame antidoping, e, em 2017, uma vitória por título sobre o rival Daniel Cormier acabou anulada depois de um novo teste que voltou a dar positivo.
Além disso, Jones acumulou outras questões legais, incluindo detenções por dirigir sob influência, dirigir enquanto estava embriagado e por agressão doméstica — ponto que, posteriormente, acabou sendo descartado. Mais recentemente, ele apareceu em vídeo confrontando um motorista depois de um incidente que teria começado com raiva na direção, mas o atleta negou qualquer irregularidade ligada ao conteúdo das imagens.
No fim, Jones demonstrou o desejo de acreditar que não é o “demônio” que, em alguns momentos, foi retratado pela opinião pública. “Todos nós temos nossos problemas”, disse o lutador, reforçando que cada pessoa carrega suas contradições e seus lados, mas que, para ele, a percepção correta seria a de que ele é alguém bem-intencionado, acima do que costuma ser destacado nas partes mais negativas.

