O ex-campeão do UFC B.J. Penn, Hall da Fama da organização, teve sua capacidade mental considerada apta para seguir com o processo criminal. Depois de uma avaliação determinada pela Justiça, um juiz autorizou o andamento das acusações que envolvem uma série de prisões no último ano, após o atleta passar por um exame de saúde mental solicitado pelo tribunal.
Decisão judicial libera Penn para continuar o processo
Na última quinta-feira (29 de maio), o juiz Peter Kubota assinou oficialmente uma ordem permitindo que Penn avance com os casos criminais contra ele. A liberação veio após uma avaliação psiquiátrica determinada pela corte, com base nos relatórios do examinador nomeado pelo próprio tribunal.
No documento assinado, o magistrado registrou que, ao revisar as informações trazidas pelo perito indicado, considerou que nem o Estado nem a defesa contestaram os achados e o conteúdo do relatório. Com isso, o juiz entendeu haver base suficiente para concluir, pelo critério exigido, que o réu está apto para prosseguir.
Além da decisão de aptidão, Penn foi determinado a retornar ao tribunal em 28 de agosto para novas etapas relacionadas ao caso criminal.
Prisões em 2025 e acusações envolvendo familiares
Em 2025, Penn foi preso cinco vezes. O ciclo de ocorrências começou com duas prisões iniciais, quando ele teria sido detido em ocasiões separadas sob acusações ligadas a abuso contra membro da família ou pessoa do mesmo convívio.
As denúncias foram feitas por Lorraine Shin, mãe do lutador. Ela também obteve uma ordem de restrição contra o filho, que, segundo a acusação, foi violada em múltiplas oportunidades, o que acabou levando a novas detenções.
Relatos de “abuso psicológico extremo”
Shin sustentou que Penn passou a apresentar condutas associadas a “abuso psicológico extremo”. Entre os pontos citados, a mãe afirmou que o filho começou a alegar que integrantes da família teriam sido “mortos” e depois substituídos por impostores.
As alegações mais perturbadoras teriam começado após Shin dizer que voltou para casa depois de uma viagem e encontrou todos os pertences do quarto removidos. Penn negou qualquer participação no sumiço dos itens.
Alguns dias depois, ela declarou que a bolsa havia sido roubada de um cofre, o que a levou a registrar um boletim de ocorrência por furto. A partir daí, a sequência de acusações se ampliou.
Supostas câmeras com fita e cola na porta
Antes de pedir a ordem de restrição, Shin relatou à polícia que retornou de um outro deslocamento e encontrou Penn, segundo sua versão, usando fita adesiva nas câmeras de segurança e aplicando cola na fechadura da porta do quarto para impedir que ela entrasse.
Mais tarde, Shin também acusou Penn de ter roubado sua correspondência. Quando afirmou ter encontrado as cartas no fundo de um veículo pertencente a um dos amigos de um de seus filhos, Penn negou a acusação e, de acordo com o relato, teria agarrado os braços da mãe e a empurrado contra o carro. O episódio teria levado Lorraine Shin a gritar para o filho Reagan Penn ajudar.
Ordem de afastamento e “evidências em vídeo”
Após a prisão, Penn teria sido orientado a ficar longe da mãe por 48 horas. Ainda assim, Shin afirma que ele retornou à residência e apresentou, segundo ela, vídeos como suposto comprovante para a polícia. Esse cenário teria culminado na segunda prisão em um intervalo de apenas dois dias.
Pedido de tratamento e referência a síndrome delirante
Ao protocolar o pedido de restrição, Shin declarou que acredita que B.J. Penn sofre de uma condição psiquiátrica conhecida como síndrome delirante de Capgras. Essa condição, segundo a descrição apresentada à polícia, envolve a crença delirante de que um amigo, cônjuge, pai, mãe ou outro familiar próximo teria sido substituído por um impostor idêntico.
Na petição, Shin afirmou que Penn acredita que ela seria uma impostora e que teria “matado” a família para controlar os bens. Com base nisso, ela pediu à Justiça uma ordem temporária de seis meses, além de solicitar que o filho fosse obrigado a buscar tratamento médico ou outra forma de terapia.
Quais são as penas previstas e o que ainda falta definir
Embora o registro inicial das acusações seja descrito como infração de menor gravidade, com pena mínima de 48 horas de prisão, uma segunda ocorrência teria previsão de pena mínima de 30 dias. Ainda assim, o peso total de todas as acusações relacionadas ao caso de Penn não foi definido completamente.
Com a decisão de que ele é considerado apto para seguir com o processo, o próximo passo será a audiência marcada para 28 de agosto, quando o tribunal deve conduzir novas etapas do andamento criminal.

