Justin Gaethje encara Ilia Topuria pela unificação do cinturão no UFC

Justin Gaethje não pretende deixar que ninguém decida quando a sua trajetória no UFC chegará ao fim. Com 32 lutas profissionais no cartel, o “The Highlight” entra em um dos maiores capítulos da carreira ao encarar o invicto Ilia Topuria em uma disputa que unifica o cinturão dos meio-leves do UFC — evento que é a atração principal do histórico UFC White House em 14 de junho. Gaethje carrega no retrospecto duas passagens pelo ouro interino na categoria até 155 libras e também conquistou o título “BMF” ao nocauteio com uma joelhada (head kick) espetacular sobre Dustin Poirier no UFC 291, mas ainda busca o status de campeão absoluto. Agora, a missão é clara: derrotar Topuria e assumir a condição de referência na divisão.

O que Gaethje espera do unificador contra Topuria

Mesmo frequentando o topo da categoria de pesos leves, Gaethje nem sempre conseguiu emendar longas sequências de vitórias. Em entrevista, ele atribuiu essa dinâmica à persistência e, principalmente, ao jeito como encara o seu caminho dentro do octógono: aceitar a “teimosia” quando o escalonamento do UFC o coloca para enfrentar talentos em ascensão que tentam tomar o lugar dele.

Segundo Gaethje, as derrotas que sofreu vieram contra campeões anteriores ou em lutas valendo título — algo que ele não gosta de repetir. Ainda assim, ele afirma que sempre volta, retoma o ritmo e “volta ao trabalho”, destacando que, depois de uma perda, sente-se mais perigoso do que quando entra em sequência positiva. Ele também citou o lembrete do UFC 300, mencionando que a preparação e a mentalidade mudam quando ele encara o desafio com a lembrança de um revés recente.

O lutador ainda reforçou que a sua fase recente tem sido construída com foco na fome dos adversários. Ele lembrou que tentou “se desligar” do passado e viu que o UFC tentou colocá-lo contra nomes mais jovens, que chegam com muita vontade. Entre os exemplos, citou Paddy Pimblett, Rafael Fiziev e Arman Tsarukyan como atletas que, na visão de Gaethje, estavam famintos e determinados. Para ele, esse panorama não muda: os adversários atuais são sempre prospectos, e sempre que surge a oportunidade, ele tenta segurar a onda e impedir que esses nomes assumam o lugar dele.

Na mesma linha, Gaethje projetou o confronto com Topuria afirmando que terá um plano bem desenhado com a comissão técnica. A promessa final é direta: ele pretende “mudar o rosto” de seus oponentes, como costuma fazer desde o início de suas campanhas.

Histórico recente: vitória sobre Pimblett e sequência contra Fiziev

Nos últimos três compromissos, Gaethje venceu adversários mais jovens. O mais recente aconteceu em janeiro, no UFC 324, quando derrotou Paddy Pimblett para conquistar um segundo cinturão interino. Antes disso, ele venceu uma revanche contra Rafael Fiziev, fechando um retrospecto de 2 a 0 na série entre os dois. Além desses resultados, ele também carrega a vitória citada anteriormente sobre Dustin Poirier no UFC 291, com o nocaute memorável que consolidou o seu status entre os nomes mais perigosos da categoria.

Idade e mentalidade: o espelho como referência

Gaethje também falou sobre a questão da idade. Para ele, quando pensa no momento em que um lutador mais novo poderia se aposentar, a primeira comparação não é com o rival — é consigo mesmo. Ele explicou que, se a percepção for de que o “eu mais jovem” venceria o “eu atual”, então seria o momento de encerrar a caminhada.

Ele destacou ainda que desafios e o papel de azarão fazem parte do combustível mental. No caso específico contra Pimblett, Gaethje disse que se convenceu de que o adversário era melhor e que a derrota parecia plausível — e, com isso, trabalhou ainda mais. O resultado, segundo ele, foi uma surpresa: ele se mostrou dominante e eficiente, aproveitando o momento em que o rival chegava com força e impulso para a luta.

Gaethje afirmou que a comparação com Topuria é inevitável. Na leitura dele, a luta exigirá que ele “roube cedo” o ritmo do confronto. Ele citou a ideia de iniciar com um golpe forte no corpo, derrubar o adversário ainda no primeiro round e quebrar a engrenagem do ímpeto do oponente. Na visão do atleta, fazer isso cedo vai pesar bastante, já que os jovens chegam com momentum e não costumam desacelerar. Ele fechou o raciocínio dizendo que esses prospectos vêm de vários lugares do mundo e mantêm a mesma sede de vitória.

Odds, favoritismo e o peso do primeiro desafio “de verdade”

O cenário é claramente desfavorável para Gaethje nas casas de aposta. Além de buscar finalmente se tornar campeão absoluto dos pesos leves do UFC, ele tenta também ser o primeiro atleta a derrotar Topuria — que já conquistou cinturões em duas divisões.

  • Topuria aparece como favorito de -750 para vencer Gaethje (FanDuel).
  • Gaethje é listado como azarão com odds de +460 para vencer Topuria (FanDuel).

Mesmo diante do favoritismo do rival, Gaethje disse estar animado para tentar virar o jogo. E, com o palco do evento sendo a Casa Branca (UFC White House), ele associou a chance a uma das conquistas mais marcantes do esporte dos Estados Unidos.

O lutador tratou a oportunidade como algo feito para ele, lembrando que seria um tipo de “milagre no gelo” para o país em termos de sucesso na competição. Apesar de não prometer vitória — por reconhecer que se trata de um esporte imprevisível — Gaethje afirmou que vai colocar todo o preparo, todas as lições aprendidas e todo o esforço para estar no melhor nível possível e representar a nação.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.