Conor McGregor chega ao seu esperado retorno no UFC 329 carregando uma quantidade enorme de expectativas e cobranças, especialmente por enfrentar Max Holloway em combate marcado para 11 de julho. A última vez em que o irlandês lutou dentro do octógono foi há cinco anos, quando sofreu uma fratura extremamente grave na perna durante a trilogia contra Dustin Poirier. A partir daí, McGregor ficou afastado e, apesar de existir a promessa de que voltaria em 2024, uma lesão no dedo do pé acabou impedindo a concretização do duelo que seria contra Michael Chandler. Mesmo quando a recuperação evoluiu, não houve, por um tempo, qualquer confirmação clara sobre um novo compromisso, até que recentemente o presidente do UFC, Dana White, anunciou que McGregor enfim estaria escalado para enfrentar Holloway.
Diante desse cenário, o ex-candidato ao cinturão Matt Brown tratou o confronto como um ponto de virada que vai além do simples resultado esportivo. Para Brown, o fato de McGregor conseguir chegar ao combate já representa um elemento decisivo no modo como o público vai enxergar o futuro do atleta. Caso o irlandês não consiga “cumprir a caminhada” até a luta, Brown acredita que a reação geral será unânime: a carreira estaria, na prática, encerrada. E, se McGregor até entrar no octógono, mas não vencer, a leitura tende a ser ainda mais dura, mesmo que ele apresente sinais positivos em termos de desempenho.
Brown ressaltou que isso não significa que as pessoas deixariam de assistir se ele voltasse a lutar em seguida, afinal McGregor é um nome grande o suficiente para gerar interesse mesmo com derrotas consecutivas. Ainda assim, o peso do momento é outro. Sem conseguir chegar à luta e, principalmente, sem encontrar uma forma de vencer, a tendência é que o interesse diminua de forma significativa. “É muita pressão do lado dele”, resumiu Brown, destacando como o contexto transforma o combate contra Holloway em uma verdadeira prova de sobrevivência competitiva, não apenas em mais uma apresentação no calendário.
Mesmo sem ter “sumido” da atenção do público durante o hiato de cinco anos longe das lutas, McGregor continua sendo lembrado sobretudo como lutador e pelas conquistas que alcançou no auge. Agora, o retorno vem com muito mais perguntas do que respostas, ainda mais por ser um duelo contra alguém como Holloway, que permaneceu extremamente ativo nos últimos anos e construiu um histórico recente de constância no topo de duas divisões. Brown reconhece que não existe vergonha em perder para Holloway, mas entende que a decisão de encarar o havaiano representa um risco altíssimo, especialmente quando comparada ao confronto inicialmente previsto para 2024 contra Chandler.
Na visão de Brown, se McGregor realmente conseguir chegar ao combate, a postura de enfrentar Holloway deve ser respeitada, porque se trata de um adversário “assassino” que acumulou muitos resultados desde o último encontro entre eles. Para o comentarista, entrar em cena com Holloway é um grande risco, e ele acredita que o irlandês sabe exatamente o que está em jogo. Caso McGregor perca, a relevância dele como competidor tende a cair de maneira brusca. Brown afirmou que, mesmo que as pessoas continuem assistindo, o tipo de conversa muda: após uma derrota, os próximos combates poderiam ser encarados como lutas mais ligadas ao status e à figura pública, sem o mesmo peso de um atleta de elite em disputa real.
Por outro lado, se McGregor conseguir surpreender e vencer Holloway após cinco anos afastado, o enredo sobre seu futuro muda completamente. Brown entende que bater Chandler seria uma vitória interessante, mas derrotar Holloway nesse estágio da carreira funcionaria como um grande marcador no currículo e alteraria imediatamente a forma como o UFC e o público pensam sobre os próximos passos. Para Brown, uma vitória recoloca o nome de McGregor na conversa entre os melhores, retornando a discussão de que ele ainda é um lutador legítimo em alto nível. Ele também citou o histórico fora do octógono para enfatizar o tamanho da conquista: mesmo com tudo que aconteceu no período entre uma luta e outra, como festas e questões relacionadas a álcool e drogas, o retorno com uma vitória sobre Holloway seria algo respeitável, elevando o patamar do significado do confronto.
Apesar de admitir que se trata de um risco grande, Matt Brown acredita que existe caminho para a vitória de McGregor no duelo — desde que o combate realmente aconteça — e que o UFC não está completamente fora da realidade ao colocar frente a frente esses dois nomes. Brown enxerga argumentos para a chance do irlandês: a luta acontece em 170 libras, categoria em que McGregor teria boa potência; além disso, ele considera que Holloway é um adversário atingível, ou seja, alguém que pode ser colocado em desvantagem. Outro ponto lembrado por Brown é que McGregor já havia vencido Holloway no passado, enquanto Holloway, por sua vez, teria vivido um período de desgaste e acumulado muitas “milhas” ao longo das lutas recentes.
Mesmo assim, Brown condiciona o cenário a como Holloway vai entrar em campo. Se o havaiano ajustar o peso corretamente, se mantiver bem fisicamente e vier com precisão e afiação, a leitura tende a mudar em favor do próprio Holloway, principalmente por conta de experiência e ritmo. Na avaliação do ex-lutador, Holloway tem vantagem por estar mais ativo nos últimos anos, o que aumenta as chances de executar o plano com mais consistência. Ainda assim, Brown reforçou que entende a tese contrária: há espaço para defender que McGregor tem uma boa chance, e até sugeriu que o próprio McGregor pode enxergar isso da mesma forma.

