King Green detona lutas de Makhachev e Chimaev e critica grappling no UFC

King Green, que soma 54 lutas na carreira profissional, afirmou que gostaria de ver menos de Islam Makhachev e Khamzat Chimaev. Recém-saído de sua terceira vitória consecutiva no UFC 328, o veterano participou do programa “Love & War” e criticou a postura mais voltada ao grappling dos dois, argumentando que estilos focados em domínio no chão estariam tirando o entretenimento do esporte. O desabafo vem em um momento em que Makhachev e Chimaev vêm acumulando conquistas de cinturão com ataques de wrestling de alto nível.

Críticas a Islam Makhachev e Khamzat Chimaev

Green apontou que ambos recentemente ganharam títulos com uso consistente de lutas agarradas e controle, destacando o caminho de cada um até a disputa pelo topo. No caso de Islam Makhachev, ele subiu de categoria, saindo da divisão de meio-médio/leve para enfrentar o campeão dos meio-médios Jack Della Maddalena, conquistando a vitória. Já Chimaev levou o duelo principal a um cenário de domínio no solo contra Dricus du Plessis, controlando a luta por cinco rounds para garantir o cinturão dos médios — porém, depois perdeu a guarda do título para Sean Strickland.

Para King Green, o problema não é o fato de lutadores usarem técnicas de queda e controle, mas a prioridade dada à vitória a qualquer custo em detrimento do espetáculo. O americano, conhecido como um dos personagens mais carismáticos do MMA, disse que se irrita ao ver lutadores como Makhachev e Chimaev colocarem o objetivo de vencer acima de tudo.

“Não é arte; é para finalizar”

Em sua fala, Green mencionou que vive discussões frequentes com lutadores do estilo “wrestling”, citando especificamente os atletas russos. Ele reforçou que considera os atletas “competidores”, e não pessoas tentando criar lutas “que durem para sempre”. Para o lutador, as disputas de título recentes envolvendo Islam teriam sido, na visão dele, algumas das mais ruins que ele já viu.

Green também criticou diretamente o formato das últimas lutas de Islam, afirmando que, em sua percepção, foram “algumas das piores disputas de cinturão” já presenciadas.

Histórico com Islam e o que mudou na fala sobre wrestling

King Green tem um histórico com Islam Makhachev. Os dois se enfrentaram em fevereiro de 2022, quando Makhachev finalizou Green ainda no primeiro round. Na ocasião, Green entrou na luta como substituto de Beneil Dariush, que havia se lesionado e precisou ser retirado do card.

Apesar de ser lembrado principalmente pelo estilo de trocação, Green afirmou que também consegue lutar no estilo de “wrestler” e que mostrou isso na vitória sobre Jeremy Stephens no UFC 328. Ele destacou que, no fim do primeiro round, conseguiu levar Stephens ao solo com boa eficiência e, a partir desse controle, acabou fechando uma finalização por mata-leão com as costas (rear-naked choke).

A diferença entre “grappling” e buscar finalização

Green explicou que, para ele, a diferença entre seu wrestling e o de outros lutadores é que, quando ele tenta o clinch e a queda, o objetivo é caçar a finalização — e não apenas controlar. Ele ainda declarou que chegou a discutir bastante esse ponto com Joe Rogan, dizendo que Rogan gosta de lutas agarradas, mas que, no entendimento de Green, o público quer nocaute e finalizações.

Segundo o atleta, ele não diz que há algo errado em lutar com wrestling e controle, porém defende que, se um lutador vai usar esse caminho, precisa transformá-lo em algo empolgante. Green afirmou que não está “atacando” quem faz esse tipo de estratégia; a questão, para ele, é o nível de ação e risco que o público enxerga.

Ele citou também críticas que recebeu nos últimos tempos, com comentários do tipo “manda ele para o Daguestão” e a ideia de que ele “não sabe lutar”. Para Green, isso é uma leitura equivocada, já que ele, na visão dele, não pensava tanto em wrestling por estar focado em lutar e finalizar. Agora, ele diz que vai demonstrar como acredita que esse estilo deve ser executado: subir para o topo sem desperdiçar tempo tentando acertar, indo atrás do adversário, e evitando lutas presas em posições de estagnação.

Na explicação do lutador, há situações em que atletas ficam abraçados em determinadas guardas ou posições, “empatando” o ritmo e sem ameaçar de fato. Green defendeu que o grappling precisa ter ação suficiente para fazer o espectador querer continuar assistindo.

Cartel, sequência no UFC e visão sobre resultados

Desde a estreia como profissional, Green completou 18 anos de carreira e construiu um cartel de 35 vitórias e 17 derrotas. Ele também ressaltou um ponto importante: no UFC, ele não conseguiu emendar mais do que três vitórias consecutivas ao longo de sua trajetória na organização.

Mesmo com a concorrência que enfrentou e com resultados considerados animadores, Green disse que trata com desdém a ideia de que o próprio cartel define o sucesso dele como lutador. Ele argumentou que o público enxerga apenas vitória e derrota, e que as pessoas costumam resumir tudo às quantidades de derrotas e vitórias.

Em conclusão, Green afirmou que o espectador só entende o resultado final, perguntando “por que você tem tantas derrotas e como você tem tantos triunfos”, como se isso fosse a medida completa do que ele representa dentro do octógono.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.