A brasileira Leidiane Fernandes entrou no radar global do MMA ao transformar uma conquista histórica no Brasil em uma nova chance de alcance mundial. Em 2025, ela garantiu um prêmio de seis dígitos ao vencer o maior torneio da história do MMA nacional e, agora, mira dominar o cenário internacional pela organização checa Oktagon MMA. A lutadora, que já vinha construindo seu nome com resultados expressivos, consolidou o protagonismo ao conquistar o cinturão dos pesos-palha do Jungle Fight com um nocaute contundente sobre Brena Cardozo, e em seguida assinou contrato com a companhia europeia.
O primeiro desafio fora do país acontece no sábado, em Liberec, na República Tcheca, quando Fernandes faz sua estreia na Oktagon enfrentando a campeã dos galos Lucia Szabova. A disputa colocará em jogo o cinturão vago da categoria peso-mosca, em um duelo que reúne a campeã do Jungle Fight e uma referência internacional que desce para a divisão de Leidiane. Antes do Oktagon 87, a brasileira falou sobre estar no auge para a estreia e tratou o momento como uma vitrine para apresentar seu jogo ao mundo. Com cartel de 9-2, ela também ressaltou que, dentro do caminho até o auge do Jungle Fight, conseguiu reagir após a única derrota que sofreu nos últimos dez combates da trajetória dentro do torneio.
Fernandes projetou a preparação como uma continuidade do trabalho que vem construindo desde muito jovem, lembrando que viveu obstáculos e momentos de dúvida, mas que manteve o foco no objetivo de se tornar campeã. “Eu não vou desistir”, afirmou. “Eu estou nessa luta há muitos anos, desde os meus 17 ou 18. Tive barreiras no caminho, houve momentos em que dá vontade de parar, mas graças a Deus eu não cortei o ritmo e consegui atingir meu objetivo de conquistar o cinturão do Jungle Fight. E isso não para por aqui. Eu quero que o mundo conheça Leidiane Fernandes pela minha garra, pela minha determinação e por quem eu sou. Sem subestimar ninguém, mas dando sempre o meu melhor. Eu quero ser campeã não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Todo o mundo vai saber quem eu sou.”
Além do marco esportivo, a vitória no torneio de 100 mil dólares também mudou a rotina da lutadora no dia a dia. Ela contou que utilizou parte do prêmio para comprar um carro usado, buscando facilitar a logística na região do Rio de Janeiro, enquanto mantém um objetivo maior adiante: no futuro, adquirir uma casa. Mesmo com a ascensão na carreira, Leidiane ainda trabalha como guarda de segurança, justificando que “as contas continuam chegando” e que, para deixar esse emprego em definitivo, depende de um patrocínio que permita que ela se dedique ao esporte em tempo integral.
Ao comentar a realidade de patrocínios no Brasil, a atleta demonstrou frustração, mas também esperança. Ela disse que, depois do Jungle Fight, acreditava que o mercado se moveria com mais força para apoiá-la, porém afirmou que não recebeu a mesma atenção que imaginava. Segundo Leidiane, faltou alguém que enxergasse o trabalho que ela leva com seriedade e que apostasse na sua trajetória. Ainda assim, ela afirmou estar “grata” ao Jungle Fight pela oportunidade e pela plataforma, já que lutou ao vivo pela TV Globo, mas reconheceu que o retorno comercial não veio na intensidade esperada. Por isso, a brasileira aposta que adicionar um cinturão internacional ao cartel pode ser um divisor de águas nesse aspecto.
Na visão de Fernandes, a preparação para encarar Szabova tem sido intensa e exigente, já que ela vem de um ritmo de “guerras”, como descreveu. Ela afirmou que todos os adversários que enfrentou até aqui foram difíceis e que não tira mérito de ninguém, reforçando que jamais teve luta “fácil” na carreira recente. Para ela, o combate contra a campeã que desce de categoria é mais do que um teste de força: é um confronto em que a leitura do jogo é determinante. Lucia chega como campeã no peso de 135 libras e agora procura o título na divisão da brasileira, e Leidiane reconhece que a adversária é completa tanto em pé quanto no chão, mas sustenta que o ponto mais forte de Szabova está na parte de baixo.
Fernandes também comentou sua identidade esportiva e o legado da equipe em que foi moldada, citando Pedro Rizzo no Rio de Janeiro e prometendo honrar a linhagem de Marco Ruas ao impedir o plano de Szabova de conquistar dois cinturões. A brasileira disse que a estratégia passa por estar pronta para o combate em qualquer cenário: se a tcheca quiser trocar em pé, haverá troca; se a luta for para o chão, ela também estará preparada para ir junto. Com a mesma postura que associa ao seu histórico de adversidades, Leidiane afirmou que a intenção é entregar um grande espetáculo e buscar o nocaute, mas deixou claro que não se intimidará caso o combate se estenda por cinco rounds, mantendo o foco no objetivo principal de encerrar antes.

