Ronda Rousey x Gina Carano pode acabar figurando entre as atrações mais assistidas de 2026, mas a pergunta que fica é: o público deve esperar um espetáculo de alta qualidade no octógono — ou apenas um grande evento midiático? A luta está marcada para 16 de maio, com transmissão pela Netflix, e envolve também o impacto comercial do projeto de Jake Paul, pela Most Valuable Promotions, que busca abrir espaço no MMA com um card histórico como a primeira reunião do tipo sob a bandeira da organização.
O debate ganha ainda mais combustível por um detalhe importante: Rousey volta a competir no MMA pela primeira vez em uma década, enquanto Carano não luta há 17 anos. Somadas, as duas chegam a 83 anos de idade, o que levanta dúvidas sobre como o ritmo de luta e o condicionamento podem se comportar em um confronto de alto interesse popular.
Matt Brown questiona se o público vai gostar do “entretenimento”
Mesmo reconhecendo que o confronto tende a chamar muita atenção, o ex-lutador do UFC no peso meio-médio Matt Brown demonstrou preocupação com a possibilidade de o público sair frustrado. Em conversa recente no programa The Fighter vs. The Writer, Brown afirmou que a curiosidade do público pode dar lugar a um sentimento de “desconforto”, como já aconteceu em outros grandes eventos de luta no mainstream.
Para Brown, a preocupação não é apenas com números de audiência, mas com a reação após a luta. Ele sugeriu que muitos podem sentir que “perderam tempo” ao assistir um confronto que, na prática, não entrega o nível esperado dentro das regras do esporte de combate.
O ex-atleta também levantou uma hipótese: caso esse tipo de evento gere rejeição, a tendência pode ser que parte do público volte a buscar algo mais “real” no formato tradicional — e, nesse cenário, quem pode se beneficiar é o UFC. A leitura de Brown é que, depois de um grande espetáculo, o público pode enjoar do circo e procurar lutas de verdade, com os melhores combates disponíveis.
Rousey ataca o UFC no caminho para o duelo
Antes da luta, Rousey tem usado o período de aproximação para mirar críticas em sua antiga casa, o UFC. O cenário começa com Dana White demonstrando interesse em marcar o mesmo confronto contra Carano, mas com a alegação de que a promoção não teria oferecido o mesmo patamar de valores garantidos que a MVP teria oferecido após parceria com a Netflix.
Na prática, Brown apontou que Rousey tem gastado mais tempo atacando o UFC do que construindo uma narrativa positiva para o combate. Ele mencionou ainda que, mais recentemente, ela teria feito ataques em sequência contra Kayla Harrison, atual campeã do peso-galo no feminino.
Segundo Brown, esse comportamento gera recortes que viralizam e funcionam como material de mídia, mas não necessariamente cumprem o papel de vender a luta como uma disputa esportiva. Para ele, o foco parece estar mais em provocar do que em elevar a expectativa sobre o que deve acontecer dentro do octógono.
“Ninguém acredita” no que Rousey promete
Em tom de ironia, Brown disse que Rousey sempre encontra algo para virar assunto. Ele afirmou que, do jeito que as falas vêm sendo feitas, a postura dela parece até cômica para quem acompanha de perto, questionando se alguém realmente leva o discurso a sério.
Brown também sugeriu que a intensidade das declarações não passa a credibilidade de uma rivalidade real. Na visão do ex-lutador, há um exagero que não convence, e que o público pode acabar percebendo a narrativa como algo vazio.
Ele ainda cravou que não vê ninguém comprando a “história” apresentada por Rousey, especialmente quando o assunto envolve um eventual confronto com Kayla Harrison. Para Brown, a impressão é de que as promessas não se sustentam e não encontram adesão do público.
Carano teria aceitado por dinheiro, diz Brown
Quando o tema muda para o lado de Gina Carano, Brown acredita que a decisão de encarar Rousey após 17 anos fora do esporte seja o sinal mais direto de que o interesse teria sido predominantemente financeiro. Ele ressaltou que, como lutadora, não haveria nada de errado em buscar o maior prêmio possível — mas lembrou que Carano se afastou do MMA em 2009 e seguiu sem voltar.
Na interpretação de Brown, essa volta repentina só faria sentido se o acordo tivesse oferecido números capazes de mudar a decisão de Carano, transformando um retorno que antes parecia improvável em uma oportunidade concreta. Ele afirmou que é difícil acreditar que não tenha sido um “cheque” que motivou a escolha.
Para Brown, a lógica é simples: Carano estava fora havia quase duas décadas, sem sinais claros de intenção de retornar, e então recebe uma proposta que muda o cenário. Assim, ele concluiu que o combate contra Rousey tende a ser explicado mais por pagamento do que por uma vontade antiga de voltar a competir.
Espera: espetáculo pode superar luta; poucas semanas para mudar isso
Com menos de um mês para o evento, a impressão que o público pode ter é de que Rousey e Carano se comportam quase como “melhores amigas” nos bastidores, e não como duas rivais prestes a se enfrentar no octógono. Ainda assim, Brown argumentou que isso pode não ser decisivo para a audiência, mas pode impactar o quanto a briga “real” vai conseguir ser vendida como confronto de luta.
Ele disse não saber se existe algo que as duas possam falar nas próximas semanas para aumentar o interesse de verdade no duelo — em vez de apenas reforçar o espetáculo que se aproxima em 16 de maio. Na leitura de Brown, mesmo em um cenário mais caótico, com provocações pesadas e confusões em eventos de imprensa, isso não necessariamente tornaria o combate em si mais emocionante.
Brown concluiu que, mesmo que existam gritos, hostilidade e cenas dramáticas, ainda assim não haveria garantia de que a luta entregaria qualidade. Para ele, “catfight” e briga de bastidores não substituem o que o público quer ver: uma disputa que seja empolgante dentro das regras e do ritmo esperado para um evento de MMA.

