Melquizael Costa emplaca sequência histórica no UFC e cresce no ranking

Conseguir uma vitória no UFC já é uma tarefa difícil, mas emendar várias conquistas seguidas — quatro, cinco, seis triunfos consecutivos — é um feito raro, ainda mais desafiador do que a maioria das pessoas imagina. Por isso, toda vez que um atleta constrói uma sequência desse tamanho, vale parar o que estiver fazendo e prestar atenção com mais atenção ainda.

Melquizael Costa fechou o ano passado com quatro lutas vencidas, ampliando o momento após uma vitória por interrupção sobre Shayilan Nuerdanbieke no meio de 2024. Com isso, ele chegou a cinco triunfos seguidos, finalizando a temporada com um nocaute ainda no primeiro round sobre Morgan Charriere. O desempenho colocou o brasileiro em destaque quando analistas e observadores começaram a montar suas listas de nomes a acompanhar em 2026. Já em fevereiro, 364 dias depois de finalizar Andre Fili em Seattle para iniciar a campanha de 2025, Costa parou Dan Ige com uma joelhada? Não: com um chute de costas girando no fim do primeiro round, garantindo mais uma vitória na sequência e deixando o atleta com vaga no Top 15 da categoria peso pena.

“Eu sou o cara mais perigoso desta divisão”, declarou Costa. “Acho que as pessoas ainda não entenderam isso por completo, mas vão entender neste sábado quando eu nocautear Arnold Allen, que é alguém que muita gente diz que não dá para ser nocauteado.”

“Eu não sei o que é”, completou, sem ter certeza do motivo pelo qual parte do público ainda não reconhece o valor dele como finalizador no peso pena. “Agora eu estou 7-0 na divisão dentro do UFC, e quatro dessas vitórias vieram antes do fim. Eu não lutei tantas vezes em eventos numerados, mas acho que neste sábado as pessoas vão conhecer melhor meu trabalho.”

A escalada de Costa tem sido meteórica. Ele estreou no UFC em março de 2023, em cima da hora, e durante a fase inicial, ainda como novato, sofreu duas derrotas em lutas na categoria dos leves antes de engrenar com uma vitória no peso pena. Depois disso, em 2024, ele lutou apenas uma vez e, ainda assim, manteve um ritmo intenso, voltando ao octógono sempre que a organização chamava.

Kevin Holland aproveitou a chance de estar sempre pronto e disponível para disparar rumo ao Top 15 dos médios em 2020. No caso de Costa, a lógica foi parecida: ele usou ao máximo as oportunidades, transformando a capacidade de evitar lesões e a disposição para competir em uma aceleração na divisão mais recheada de talentos do peso pena.

“É muito sobre não perder oportunidades”, explicou. “Por isso eu estou no card principal. É muito bom ver como o UFC está me enxergando, o que eles veem em mim e a oportunidade que estão me dando de enfrentar um cara que está no topo há muito tempo. É uma chance incrível.”

Mesmo com a ascensão acontecendo rápido, quando a conversa ocorreu na terça-feira de manhã, Costa ainda não tinha sentado para assinar, com caneta na mão, uma pilha interminável de pôsteres com o close do próprio rosto.

“É impressionante, mas eu acho que ainda não consegui entender o tamanho disso tudo”, admitiu, rindo. “Acredito que vai cair de verdade quando eu começar a assinar esses pôsteres daqui a pouco.”

Embora a trajetória tenha sido acelerada e a experiência provavelmente tenha trazido momentos de sobrecarga, existe também um lado que faz parte do plano de Costa.

Falando com ele em Houston antes do confronto contra Ige, o lutador disse que foi uma honra dividir o octógono com um nome que é referência na divisão, respeitando a vivência e o conjunto de habilidades do adversário. Ainda assim, ele manteve convicção de que colocaria mais uma vitória no topo do currículo, afirmando que estava “pronto para surpreender o mundo” e que “as pessoas vão realmente saber quem eu sou neste sábado”.

Ele ainda traçou um caminho claro, em três etapas, na tentativa de chegar a uma chance pelo cinturão ainda ao longo daquele ano.

“Neste sábado, Top 15. No meio do ano, Top 5. Na última luta do ano, a cinta. É isso que eu quero”, afirmou antes de entrar no octógono diante de Ige. Mesmo com Allen ocupando uma posição logo fora do grupo dos cinco primeiros — atualmente ele está em 7º — o tipo de confronto pode impulsionar o brasileiro, que está em 12º no ranking, para cima na escada da divisão e mais perto do objetivo final de disputar o título.

Allen volta a lutar pela primeira vez desde o UFC 324, em janeiro, quando sofreu a primeira derrota após um período de muita consistência. Na ocasião, ele caiu em uma decisão apertada contra Jean Silva. Esse foi o terceiro revés em quatro lutas mais recentes do inglês, depois de abrir a carreira no UFC com uma sequência de 10 vitórias seguidas. Mas apenas os resultados não contam toda a história sobre o momento atual de Allen e o que ele oferece neste fim de semana: as duas derrotas anteriores à vitória sobre Giga Chikadze no UFC 304 vieram contra Movsar Evloev e Max Holloway — este último, invicto na época, cotado como provável desafiante número 1 e ex-campeão da divisão.

Costa acredita com confiança que será o primeiro a registrar uma finalização contra Allen.

“Desde criança, eu sou o cara que faz coisas que os outros não conseguem fazer.”

E como ele imagina esse cenário?

“Eu vejo nocaute no segundo round”, respondeu Costa. “Talvez uma finalização no primeiro possa acontecer, mas eu realmente vejo nocaute no segundo round.”

Ser o primeiro a finalizar Allen seria um recado enorme, mas, com o panorama atual da divisão, talvez apenas isso não seja suficiente para projetar Costa direto no topo da lista de candidatos no peso pena. Mesmo assim, há um fator positivo: quando o UFC liga, o atleta atende e segue acumulando vitórias. Isso geralmente faz a promoção voltar a chamar o lutador relativamente rápido. E, apesar de Costa ter desenhado um plano com três lutas para 2026, encaixar mais um compromisso no percurso — saindo do Top 15, indo para o Top 10 e depois para o Top 5 — pode ser justamente o ajuste necessário para levá-lo ao patamar que ele deseja alcançar.

Porém, Costa deixou claro que não está mudando a direção do que quer para o próximo passo.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.