Mike Malott busca rota do cinturão em Winnipeg e marca história no UFC

Mike Malott terá um peso histórico no UFC em seu país: ele será apenas o terceiro canadense da história a encabeçar um evento da organização em território natal, juntando-se a nomes como Georges St-Pierre e Rory MacDonald. A expectativa, porém, vai além da honra do main event em Winnipeg. Malott chega como a principal esperança canadense para entrar na rota do cinturão e, ao mesmo tempo, precisa confirmar seu momento diante de um veterano conhecido por atravessar fases difíceis.

O que está em jogo em UFC Winnipeg

O card deste sábado em Winnipeg não deve agradar quem busca um “festival” de grandes confrontos, quando comparado às edições tradicionais do UFC fora de numeração. Ainda assim, a parte de cima do programa tem intensidade máxima para Malott e Gilbert Burns, justamente pelo estágio das carreiras de ambos.

Para Malott, uma vitória sobre Burns seria, de longe, o triunfo mais significativo de sua trajetória profissional, que soma 17 lutas. Já para Burns, o objetivo é outro: demonstrar que ainda existe combustível depois de uma sequência negativa recente — o lutador perdeu os quatro últimos compromissos — e deixar claro que não está destinado apenas a ser uma etapa para a nova geração no peso meio-médio.

Onde, quando e como assistir

  • Evento: UFC Winnipeg
  • Local: Canada Life Centre, em Winnipeg, Manitoba, Canadá
  • Data: sábado, 18 de abril
  • Preliminares: sete lutas, com início às 17h (horário de Brasília)
  • Main card: cinco lutas, com início às 20h (horário de Brasília)
  • Transmissão ao vivo: Paramount+

Lutas do card principal e apostas

Gilbert Burns vs. Mike Malott

O confronto entre Gilbert Burns e Mike Malott carrega uma tensão natural, mas a leitura não precisa ser necessariamente a de “última chance” para Burns. Ele completa 40 anos em julho, acumulou batalhas em alto nível ao longo do tempo e, no momento, atravessa o pior momento da carreira. Ainda assim, a proposta aqui é respeitar o próprio ritmo do lutador e deixar que ele determine, dentro do octógono, o que vem pela frente.

Do lado de Malott, a urgência é mais evidente. Aos 34 anos, o canadense não é exatamente um jovem em início de trajetória e, caso queira mesmo mirar o cinturão do UFC, precisa aproveitar a oportunidade. A única derrota de Malott dentro do octógono foi para o concorrente recorrente Neil Magny. Agora ele ganha mais uma chance para provar que merece figurar no pelotão de cima da categoria, perto do top 15.

Em termos de estilo, Malott representa muito bem o peso meio-médio do UFC moderno: luta completa, bom nível atlético e potência nas mãos. O ponto decisivo tende a ser neutralizar o jogo de grappling de Burns e transformar a luta em um confronto mais “de trocação”. Mesmo que Malott também consiga causar problemas no chão, a preocupação é não permitir que a luta se arraste por períodos longos — e, mesmo em um combate de cinco rounds, ele não pode começar atrás.

Na projeção do confronto, a aposta é em Malott: a leitura é de que Burns entrou em uma fase em que ainda consegue competir bem até o momento em que algo muda no combate. A expectativa é que Malott encontre Burns, encaixe um ou mais knockdowns e, possivelmente, ameace uma finalização, fechando a noite com uma vitória por decisão.

  • Aposta: Malott

Kyler Phillips vs. Charles Jourdain

Kyler Phillips ainda é visto como alguém que pode, no futuro, chegar ao posto de campeão do UFC — ainda que haja dúvidas sobre o quanto ele esteve ativo e sobre a consistência ao longo do tempo. Foram 10 lutas em seis anos, o que acaba dificultando o ritmo de evolução e também a criação de momentos que realmente “impressionam” o público. A percepção também é de que parte da expectativa pode estar ancorada em como Phillips iniciou sua passagem pela organização, em vez de refletir o lutador que ele é hoje.

Do outro lado, Charles Jourdain também traz incertezas. No peso pena, ele mostrou lampejos de talento, mas não formou uma sequência estável e, inclusive, admitiu que nem sempre levou a preparação com o grau de seriedade necessário. No entanto, ao subir para o peso galo, ele conseguiu duas vitórias por finalização sobre adversários respeitados: Davey Grant e Victor Henry. Com isso, surge a chance de Jourdain ser o nome canadense que merece mais atenção.

Esse duelo é tratado como bem equilibrado, e há motivo para isso. Phillips tem o boxe como arma principal e é capaz de ameaçar qualquer oponente no peso 135 — e aqui a confiança se estende também ao seu jogo no solo, que é subestimado. Porém, Jourdain mostrou que se sente confortável tanto trocando golpes quanto buscando finalizações por controle de pescoço: nas três vitórias mais recentes, ele venceu por guilhotina.

Apesar de reconhecer que a escolha pode “voltar no tempo” em relação ao que Phillips representa hoje, a aposta recai sobre ele por decisão.

  • Aposta: Phillips

Mandel Nallo vs. Jai Herbert

Mandel Nallo tenta fazer valer a máxima de que “nunca é tarde”. Ele não é um debutante comum no UFC: aos 36 anos, o lutador canadense entra no octógono pela primeira vez para enfrentar o veterano inglês Jai Herbert.

À primeira vista, o histórico de Nallo pode enganar: até aqui, ele não teve nenhum resultado que tenha ido à decisão dos jurados, o que poderia sugerir um estilo impulsivo, próximo do estereótipo de um “caçador desenfreado”. Porém, a leitura é diferente. Nallo luta com bastante paciência e costuma ser mais oportunista do que alguém que busca resolver tudo no primeiro momento.

O ponto forte dele é o aproveitamento do instante em que a defesa do adversário começa a falhar. A impressão é de que Nallo percebe com alta precisão o momento de pressionar e explorar a brecha, chegando ao golpe decisivo com eficiência. Por outro lado, existe o risco de excesso de espera — e isso pode não funcionar tão bem contra um striker do nível de Herbert.

O duelo é visto como uma combinação interessante para Nallo: ambos têm idade e experiência semelhantes e tendem a criar um cenário em que o público pode esperar um combate mais “em pé”. Herbert, porém, vive um momento relevante: ele vem de uma sequência de cinco lutas indo até as cartas, o que levanta a curiosidade sobre se ele vai adotar um plano mais estratégico ou se vai acelerar o ritmo para surpreender Nallo.

A aposta, então, é que Nallo não vai precisar do veredito dos juízes e encontrará o nocaute antes de chegar ao meio do combate.

  • Aposta: Nallo

Jasmine Jasudavicius vs. Karine Silva

Jasmine Jasudavicius sofreu uma grande decepção ao perder por nocaute para Manon Fiorot. Mesmo com esse resultado negativo, a leitura é de que ela ainda não pode ser descartada. Jasudavicius traz uma intensidade difícil de igualar: agressividade e ritmo costumam fazer diferença no MMA, e ela tem usado esse ponto para construir vitórias, com trabalho acima de adversárias como Jessica Andrade, Mayra Bueno Silva e Ariane da Silva.

O ajuste necessário passa por proteger melhor a “linha do queixo”, especialmente depois de um revés do tipo que ela sofreu. O cenário, porém, pode oferecer menos ameaça em comparação com o que enfrentou contra Fiorot, já que Karine Silva tende a atuar como um grappler no UFC. Embora Silva também possa ser perigosa em pé, a tendência é que o confronto favoreça Jasudavicius no quesito de fechar distância, sustentar pressão e encontrar melhores posições.

Com isso, o resultado deve depender de quem consegue ser mais ativa e controlar o rumo dos momentos travados. A aposta é que Jasudavicius consiga escapar das situações complicadas e, no fim, avance com vantagem construída para vencer por decisão.

  • Aposta: Jasudavicius

Thiago Moises vs. Gauge Young

Thiago Moises pode ter um desafio frustrante. Embora seja experiente, Moises não é conhecido por ser o lutador mais rápido no peso leve — e isso vira um problema quando o adversário, Gauge Young, é justamente um tipo de atleta que vive de “grudar” e incomodar, com movimentação constante. E a descrição aqui é feita como elogio ao estilo: Young é chato, difícil de encaixar e sempre tenta ditar o desconforto ao longo da luta.

Moises tende a render melhor quando consegue controlar o ritmo e puxar o oponente para o tipo de jogo que ele quer. Contra Young, ele precisará usar inteligência para prender o adversário e tirar proveito de oportunidades de queda e controle. A questão central é saber se Moises estudou o suficiente para impedir que Young gerencie a distância com eficiência — principalmente com o jab forte e a movimentação de pés que sustentam o ataque de boxe.

Outro fator é que Young também sabe lidar com a “tentativa de derrubar” (sprawl) e, por isso, surge a dúvida: como Moises realmente vai vencer? A aposta é que ele consiga impor ação e, com o tempo, achar o momento para dominar a luta no clinch e levar o combate ao chão, onde Young ficaria preso. O caminho, porém, não deve ser bonito: a expectativa é que Moises sofra com nariz sangrando, mas que, ainda assim, consiga desgastar Young e buscar uma finalização antes do fim.

  • Aposta: Moises

Resultados das preliminares

  • Marcio Barbosa derrotou Dennis Buzukja
  • Julien Leblanc derrotou Robert Valentin
  • Tanner Boser derrotou Gokhan Saricam
  • Melissa Croden derrotou Daria Zhelezniakova
  • JJ Aldrich derrotou Jamey-Lyn Horth
  • Mark Vologdin derrotou John Castaneda
  • Jamie Siraj derrotou John Yannis

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.