Flowers quebra jejum e estreia no UFC com vitória: “agora vale a folga

Se existe um momento em que um atleta poderia, em tom de brincadeira, pedir “um pouco de folga”, talvez fosse justamente agora — quatro lutas dentro da carreira dele no UFC. Darrius Flowers vive essa fase depois de finalmente encerrar um jejum no octógono e conquistar sua primeira vitória na organização.

Logo no começo do mês, Flowers conseguiu sair do período negativo no UFC após três derrotas seguidas que marcaram a largada dele na promoção. Com cartel de 13-8-1 no MMA e retrospecto de 1-3 no UFC, ele derrotou Lando Vannata (12-8-2 no MMA, 4-8-2 no UFC) no UFC Fight Night 272, vencendo por nocaute técnico no segundo round.

A luta também representou mais um desafio de reconhecimento de nome para Flowers. Antes de chegar ao UFC, ele garantiu vaga via reality de lutadores (DWCS) com vitória por nocaute em 2022. No entanto, estreou na organização perdendo para Jake Matthews em uma convocação de última hora. Depois disso, ele ainda sofreu derrotas para Michael Johnson e Evan Elder, e tudo indica que uma vitória sobre Vannata era o tipo de resultado necessário para manter o emprego dentro do cartel da companhia.

Havia ainda a possibilidade de um bônus de finalização de pelo menos US$ 25 mil — desde que o atleta tivesse batido o peso. Só que Flowers perdeu a balança por meio quilo, o que acabou deixando um “asterisco” em uma atuação que, no restante, foi bastante convincente.

Com a primeira vitória no UFC finalmente conquistada, Flowers acredita que agora consegue usar aquele pedido de “um pouco de folga” para orientar os próximos passos.

“Eu quero lutar contra gente mais fraca — as lutas mais fáceis, nas próximas duas apresentações. Eu mereço enfrentar os adversários mais fáceis. Fui chamado direto, com pouco aviso, tipo três dias (na elevação) e cinco dias de aviso (na elevação). Eu quero lutar com os caras mais fracos”, disse Flowers em entrevista ao MMA Junkie Radio.

“Quem quer que os fãs digam ‘f*ck, (porque) eles não prestam’ mais vezes, eu quero enfrentar esse daí. Eu sinto que tenho lutado contra Jake Matthews, Michael Johnson, Evan Elder… Tenho enfrentado assassinos em situações horríveis. Eu quero lutar com os caras mais fáceis.”

A derrota de estreia dele no UFC para Matthews aconteceu no UFC 291, em Salt Lake City. Já o duelo contra Evan Elder foi em Denver — a chamada “Cidade do Mil”. Por sua vez, a queda diante de Michael Johnson ocorreu em Las Vegas.

Com 31 anos, Flowers afirmou que aceitaria encaradas de revanche para tentar recuperar derrotas passadas. Ainda assim, antes mesmo de pensar em repetir adversários, ele quer fechar o ciclo de vida dentro do UFC com um cartel de três vitórias e três derrotas. E foi exatamente por isso que ele levantou o pedido de enfrentar “lutas fáceis” antes de seguir um caminho que, no fim, poderia levá-lo a chamar Johnson ou Elder para uma nova rodada.

“Eu luto contra qualquer um. Eu lutaria até com meu irmão se ele estivesse no UFC. Esse é o jogo. Eu sou lutador e eu gosto de lutar”, declarou Flowers. “Mas eu não necessariamente quero fazer essas duas remarcações agora, só para voltar correndo para essas mesmas lutas, até eu conseguir mais algumas vitórias e equilibrar meu cartel. Aí sim eu começo a chamar gente. Mas pode apostar que eu tenho uma lista. Eu até adicionei talvez cinco caras na lista hoje. Só que eu não vou começar a gritar o nome de todo mundo. Prefiro uma abordagem melhor, mais estratégica. E eu não sinto que eu mereço chamar alguém agora. Eu preciso trabalhar mais.”

Mas se for pressionado? Claro que sim: Flowers toparia “morder a isca” quando aparecer uma oportunidade.

“Kyle Nelson — ele está no topo da lista, não que ele seja o número 1. Ele está na lista de hoje”, disse Flowers. “Eu quero lutar com ele porque ele simplesmente caiu para o Terrance McKinney. Ele parece que está acabado. Então me dá esse cara.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.