A cena do UFC volta a se mover no Canadá neste sábado, com o Octógono desembarcando em “terra do Grande Norte” — e, para abrir a primeira programação em Winnipeg em quase nove anos, nada mais coerente do que colocar o conterrâneo Mike Malott no papel de principal atração. O canadense terá pela frente um desafio de peso: enfrentar o ex-desafiante ao cinturão Gilbert Burns, em uma luta que pode projetar Malott diretamente para as primeiras posições do ranking dos meio-médios.
Malott mira vaga no ranking e consolidação na divisão
Para Malott, esta será a primeira luta principal do UFC em sua carreira. A ideia é clara: entrar no radar forte do peso até 77 kg e mostrar por que seu nome deve ser tratado como candidato na categoria. A trajetória, porém, não tem sido linear. Mesmo assim, ao longo de seus quatro anos no plantel da organização, o atleta demonstrou capacidade de reação, voltando rapidamente ao caminho das vitórias após momentos difíceis.
Do “Contender Series” ao UFC: a virada que abriu portas
“Proper” começou a chamar atenção em outubro de 2021, quando participou do reality de oportunidades comandado por Dana White, a Contender Series. Na época, antes de entrar no Octógono, Malott tinha apenas uma derrota registrada, aquela que vinha de sete anos atrás, quando enfrentou o ex-lutador do UFC Hakeem Dawodu.
Quando finalmente chegou o momento de estrear no formato do UFC, Malott não demorou para provar que a oportunidade era merecida. Ele finalizou o adversário em apenas 39 segundos, garantindo a submissão e impressionando a cúpula da organização, o que lhe assegurou um lugar no elenco do UFC.
Estreia no UFC: final rápida e sequência de impacto
Na sequência, em abril, Malott fez sua caminhada oficial para o debute no UFC no evento UFC 273. Curiosamente, seu oponente naquele card era ninguém menos que Gilbert Burns — e Burns também estava na programação do mesmo evento, enfrentando o atual campeão dos médios, Khamzat Chimaev.
O retorno no octógono do canadense foi marcante. Mais uma vez, ele mostrou seu poder de finalização ao encerrar a luta no primeiro round com nocaute técnico (TKO) sobre Mickey Gall. A vitória elevou seu cartel para oito triunfos, com um dado ainda mais chamativo: todas essas oito vitórias terminaram dentro do tempo regulamentar, ou seja, sem depender das cartas dos jurados.
Campanha de 2023: braço-triangulo e bônus de performance
Para começar sua temporada de 2023, Malott viajou até Las Vegas para encarar o também canadense Yohan Lainesse. O estilo apresentado foi muito familiar para quem acompanhava o atleta: ele travou uma finalização ainda no primeiro round, aplicando uma armadilha de braço-triangulo (arm-triangle choke) até controlar a luta do jeito que queria. Além do resultado, Malott voltou para casa com seu primeiro bônus de Performance da Noite.
Vancouver, Fugitt e a sensação de “céu aberto”
Alguns meses depois, com o retorno do UFC ao Canadá, agora em Vancouver, a presença de Malott no card parecia praticamente inevitável — e ele voltou a brilhar. A finalização veio no segundo round contra Adam Fugitt, e o atleta ainda emendou seu segundo bônus de performance consecutivo.
Com esse triunfo, a percepção entre os fãs e o ambiente do MMA era de que Malott poderia subir ainda mais rápido na hierarquia da divisão, com espaço para crescer e disputar lutas cada vez mais relevantes.
Primeiro revés no UFC: Magny freia o ritmo
O primeiro teste mais duro de Malott no UFC chegou diante de Neil Magny. A pressão era palpável, especialmente por ser uma noite em casa para ele — com a caminhada acontecendo dentro da Scotiabank Arena, em Toronto, no Canadá. No começo, Malott parecia no controle total: ele administrou os primeiros dez minutos com domínio de grappling, além de conseguir castigar a perna de apoio do adversário.
Mas o cenário mudou no round final. Quando Malott desacelerou, Magny conseguiu aproveitar e virou o jogo com sequência de golpes de mão. A partir desse momento, o árbitro precisou intervir e interromper o combate. A derrota representou dois marcos importantes: foi a primeira vez que Malott perdeu dentro do Octógono e também a primeira derrota desde 2014.
Retorno em Edmonton: decisão e reencaixe na rota
Depois desse revés, Malott ficou um tempo afastado das competições. Quando o UFC voltou ao Canadá novamente, desta vez em Edmonton, ele retornou com foco e conseguiu recolocar as peças no lugar. O canadense garantiu sua primeira vitória na carreira por decisão, após passar 15 minutos com Trevin Giles dentro do Octógono.
Montreal, Radtke e o grande salto até 2025
A partir daí, a expectativa se tornou uma constante: quando o UFC aterrissar no Canadá, Malott estará no card. Em maio do ano seguinte, a organização foi a Montreal para o UFC 315, e Malott voltou a entregar um resultado que reforça seu momento. Ele venceu Charles Radtke com nocaute no segundo round e, com isso, conquistou a segunda vitória seguida.
Fechando sua temporada de 2025, Malott obteve o maior triunfo até então. No co-main event, ele superou o veterano Kevin Holland por decisão unânime, consolidando a fase mais alta da carreira e aumentando o peso do que está em jogo neste sábado.
Burns e “Durinho”: buscar primeira vitória desde abril de 2023
Agora, no evento deste sábado, o objetivo de Malott é simples: chegar a uma sequência de quatro vitórias e, ao mesmo tempo, tomar o lugar de Burns no topo da divisão dos meio-médios. Do outro lado, o brasileiro Gilbert Burns entra para a luta em busca de sua primeira vitória desde abril de 2023.
A diferença de experiência entre os dois é evidente — Burns tem mais bagagem dentro do esporte —, mas a pergunta que paira no ar é se Malott conseguirá impor seu ritmo, controlar o combate e transformar a noite em Winnipeg em mais um grande resultado para o Canadá.

