Missed Fists: nocaute de surpresa no octógono chama atenção no MMA

Bem-vindo à mais nova edição do “Missed Fists”, quadro que destaca lutas ao redor do mundo que, em meio à correria e ao ritmo acelerado do MMA, acabam passando despercebidas. E eu não quero “jogar azar” no assunto, mas vale o registro: o cenário das lutas tem estado bem divertido ultimamente.

O universo do combate não é perfeito — e sempre existe motivo para irritação, seja por decisões polêmicas, mudanças de rota ou ideias mirabolantes. Ainda assim, as propostas fora da curva que muita gente tem colocado em prática, de Renato Moicano a torneios estilo “Dog Wild”, além de outras experiências que viralizam na internet, acabam servindo como um lembrete: não existe um único caminho “certo” para fazer MMA. O que funciona para um atleta pode não funcionar para outro, e cada edição traz seu próprio teste de realidade.

Naturalmente, cada caso é um caso (YMMAMMV — “Your MMA Mileage May Vary”, sua milhagem no MMA pode variar). Ainda assim, alguns momentos das últimas semanas foram tão bons que certamente arrancaram sorrisos de quem acompanhou. E sim: teve Dog Wild Tournament!

Mohamed Toure x Alberto Dominguez x Israel Campano x Bruno Villanova x Ander Sanchez

Você está lendo certo: cinco lutadores, uma única jaula e vitória para quem ficar por último de pé. O que aparece acima é a conclusão da batalha principal do DWT, um “battle royale” que acabou funcionando melhor do que muita gente imaginava.

O formato tem desvantagens claras — principalmente quando atletas tentam fazer “alianças” durante a disputa, o que reduz bastante as opções para os outros participantes. Mesmo assim, no fim, a experiência foi um daqueles experimentos que entregam entretenimento real.

O fator numérico, porém, saiu caro para Israel Campano. Ele foi nocauteado de forma brutal por um golpe vindo de lado, aplicado às cegas, por Mohamed Toure. A partir daí, a disputa virou uma luta mais tradicional, um contra um: Toure acabou finalizando Alberto Dominguez para garantir a vitória.

O conteúdo completo do evento pode ser visto gratuitamente no YouTube.

Se você já acompanhou edições anteriores do Dog Wild Tournament, já sabe que a bagunça costuma fazer parte. Desta vez, a programação ainda teve MMA de duplas com participação mista entre homens e mulheres, confronto em estilo sumô versus boxe, briga em “telefone” (ambiente apertado) e outras variações que fogem do padrão.

Se você está esperando um sinal para entrar no clima, aqui vai o convite: vale a pena conferir. E, para quem perdeu, Renato Moicano também lançou recentemente um novo projeto de esportes de combate — Money Moicano MMA 1 — e dá para acompanhar os principais acontecimentos.

Mansur Soltamurado x Ramazan Musaev

Outra sequência que chamou atenção foi a “movimentação” no cenário russo, que muita gente confundiu com algo do futebol americano. A referência aqui é ao National Fight League. No duelo, Mansur Soltamurado aparentemente tratou a luta como se fosse um teste para outro tipo de “liga”, mostrando habilidade de chutes com um punt de estilo “All-Pro” sobre Ramazan Musaev.

O lance foi de precisão absurda, com potência de sobra, e ainda colocou o time do atleta em uma boa posição no “campo” do jogo. Um momento que, mesmo fora do padrão comum do MMA, acabou funcionando como um destaque de impacto.

Leandro Gomes x Mamadou Bah

O melhor chute da semana, de acordo com o recorte do quadro, pode ter sido entregue por Leandro Gomes. O detalhe é que o golpe parece daqueles acidentes felizes: Gomes teria que ser quase “adivinho” para cravar o timing daquele chute em que o formato de “?” no desenrolar do ataque encaixou de maneira perfeita.

São cenas em que você imagina treinar mil vezes e não repetir o mesmo resultado. Ainda assim, independentemente do acaso, o final foi bonito demais — um desfecho de categoria para o bantamweight português. O Way of Warrior 30 está disponível para replay no UFC Fight Pass.

Artur Vinicius x Samuel Santos

Artur Vinicius poderia ter levado o prêmio de “Kick of the Week”… caso tivesse conseguido escapar do desfecho. A história ocorreu no Coliseu Extreme Fight 15, em Maceió, no Brasil. Vinicius tentou cronometrar um chute enquanto Samuel Santos estava descontrolado no chão.

O plano não funcionou como ele esperava. Santos foi considerado como “em solo” no momento do impacto, e, apesar de ter saído com concussão, conseguiu deixar o ringue com um resultado que acabou registrado como “sem contestação” no cartel — ou seja, um desfecho sem vitória oficial para o atleta na luta. Para Artur, fica o aprendizado para a próxima tentativa.

Eriquis Camilo x Lucas Cardoso

No destaque seguinte, o contraste veio na forma de controle e progressão. Eriquis Camilo foi desgastando Lucas Cardoso aos poucos, até que o adversário ficou irritado e, em um passo descuidado, acabou entrando direto no caminho do golpe decisivo.

Nutsalkhan Umakhanov x Maxim Korotitskiy

Em um evento do BetCity Fight Nights em Moscou, Maxim Korotitskiy também tentou quebrar o oponente de maneira metódica — mas o adversário não aceitou o plano. O recado foi claro: Korotitskiy respondeu ao repertório de chutes baixos “comendo” espaço e elevando a entrega para um ataque certeiro na linha da cabeça.

Clayton Lee x Easton Edmond

Richie Miranda x Robert Varricchio

No LFA 233, em Salamanca, Nova York, Clayton Lee fez o adversário escorregar e “desencaixar” com um golpe de esquerda direta, saindo em trajetória de mão dominante bem na hora certa. O KO teve sabor especial também pelo contexto: era um combate de estreia profissional dos dois lutadores, e deu para ver a energia típica de quem está começando na carreira.

Lee não parecia exatamente equilibrado no momento em que disparou o golpe de força, mas o resultado foi daqueles que rendem replay — e que também geram respostas rápidas nas redes, com várias reações destacadas depois do evento.

O card ainda contou com duas disputas de cinturão. No coevento principal, Richie Miranda, atual campeão dos pesos-leves do LFA, aplicou uma finalização com controle próximo, um “club-and-sub” que encaixou com naturalidade para fechar a luta.

Miranda acertou Robert Varricchio com uma boa esquerda e, em seguida, completou a performance com uma finalização tipo “mata-cachorro” (bulldog choke). Foi a segunda defesa consecutiva de título para Miranda, que, pela trajetória e pelo momento, segue com forte expectativa de ser chamado para o UFC ainda neste ano.

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By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.