O’Malley reage a Zahabi: diz que provocações são estratégia e foca no octógono

Sean O’Malley compreende por que Aiemann Zahabi optou por fazer declarações ousadas antes do duelo principal do UFC Freedom 250, mas garante que não vai se deixar desviar do foco. O norte-americano, que ocupa o centro das atenções no peso-galo, encara o confronto como um teste direto contra um adversário em alta, e vê as provocações do rival mais como ruído estratégico do que como sinal de um caminho real de luta.

O combate entre O’Malley e Zahabi está marcado para 14 de junho, na Casa Branca, em Washington, D.C., com transmissão pelo Paramount+. Antes da luta, o desafiante em ascensão cravou que tem “melhor trocação” do que o ex-campeão, tentando posicionar o confronto como uma oportunidade de impor seu estilo e, ao mesmo tempo, limitar a influência do jogo de luta do campeão anterior. Zahabi chega para a disputa com cartel de 14-2 no MMA e 8-2 no Ultimate, enquanto O’Malley vem com campanha de 19-3 no esporte e 11-3 na organização, carregando a reputação de finalizar adversários com nocaute e momentos de impacto que viraram marca registrada.

Mesmo assim, O’Malley afirma que respeita o fato de Zahabi falar com tanta confiança, mas interpreta a postura como uma tentativa clara de confundir o plano do combate. Para o lutador, a mensagem transmitida seria justamente o oposto do que deve acontecer dentro do octógono: ele acredita que a estratégia do rival tende a envolver aproximar, controlar e buscar o clinch e o grappling para evitar ficar exposto na trocação em distância.

“Eu entendo o ‘ei, olha pra cá’. Ele sabe qual é a rota pra tentar vencer: tentar fazer grappling comigo”, disse O’Malley. “Eu não sou bobo. Ele também não é. Ele está dizendo essas coisas para tentar nos fazer pensar: ‘ah, ele não vai levar pra luta’. Mas vamos lá. Eu não sou bobo. Talvez eu pareça bobo… mas sim.”

O’Malley também lembrou que, apesar de inicialmente ter buscado uma revanche contra o atual campeão do peso-galo, Petr Yan, acabou recebendo um confronto contra Zahabi, que chega ao momento com uma sequência impressionante. O desafiante atravessa um período de sete vitórias seguidas, resultado que o colocou no caminho de um dos maiores nomes da categoria e elevou a expectativa de um duelo decisivo.

Para O’Malley, o contexto da carreira do adversário é um fator que não pode ser ignorado. Ele sabe que uma sequência longa cria pressão e transforma o próximo compromisso em um divisor de águas, tanto para o lutador que vem crescendo quanto para quem está do outro lado tentando reafirmar sua posição.

“Ele está numa sequência de sete lutas vencidas. Em que momento você dá um grande combate pra alguém assim? É agora. Esse é o maior combate da vida dele. E, de certa forma, é o maior da minha vida também. Acho que sempre tem um próximo que é o maior. Eu não olho pra ele como se fosse um Aljo (Sterling), ou um Petr Yan, ou um Merab. Eu não acho que exista diferença de ‘níveis’ desse jeito. Eu sei que existe nível na modalidade e eu acredito que eu estou em outro nível”, afirmou.

O’Malley seguiu com a avaliação técnica e reforçou a confiança de que a vantagem dele deve aparecer no octógono. Na visão do ex-campeão, o desafio contra Zahabi é totalmente legítimo, mas a diferença de patamar tende a ficar evidente no confronto.

“Eu estou num nível acima do Aiemann, e eu vou poder sair lá e provar. Ele merece? Com certeza. Ele é muito, muito habilidoso e duro? Pra manter uma sequência de sete vitórias dentro do UFC, você precisa ser”, completou.

Outro detalhe que chama atenção na preparação é a equipe que Zahabi terá ao seu lado no dia do evento. O desafiante vai entrar no octógono no UFC Freedom 250 com Georges St-Pierre, Hall of Famer do Ultimate, compondo o corner. O’Malley demonstrou entusiasmo com a oportunidade, pois enxerga a presença de um dos nomes mais respeitados da história como um incentivo extra e um momento especial para mostrar o melhor desempenho.

“O GSP é uma lenda. Eu tenho um respeito enorme não só pelo que ele fez no esporte, mas também pelo jeito como ele vive fora do octógono e pela pessoa que ele é. Vai ser legal estar na presença dele. Ele é um daqueles caras raros, entre caras raros. Vai ser legal apertar a mão e dizer: ‘Ei, desculpa. Eu tirei o cara de lá. Prazer em conhecer’”, disse O’Malley, fechando a declaração com uma mistura de respeito e motivação para o confronto.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.