O ex-campeão e ícone do MMA Alistair Overeem explicou por que, em sua visão, seria uma má ideia o kickboxer Rico Verhoeven migrar para o octógono para enfrentar Francis Ngannou. Para Overeem, a transição de modalidades é decisiva: sem base de quedas e sem treino específico de finalizações, o holandês teria dificuldades que dificilmente seriam corrigidas em pouco tempo. Com isso, Overeem também reforçou a leitura de que Verhoeven tomou a direção correta ao priorizar o desafio contra Oleksandr Usyk, no evento marcado para sábado, nas Pirâmides de Gizé, no Egito.
Rico Verhoeven x Francis Ngannou: diferença entre esportes e impacto no “jogo” de luta
Overeem destacou que, quando o assunto é kickboxing, existe um número bem pequeno de atletas no mundo capazes de acompanhar o ritmo e o nível de Rico Verhoeven. Ele descreveu Verhoeven como um striker de elite e ressaltou que o lutador não sofreu derrotas desde 2015. Ainda assim, ao comentar as conversas recentes envolvendo uma possível luta entre Verhoeven e Ngannou em uma regra de MMA, Overeem apontou que o cenário favoreceria fortemente o ex-campeão do UFC.
De acordo com o holandês, a chave estaria justamente nas ferramentas que só existem no MMA: wrestling e finalizações. Na avaliação de Overeem, Verhoeven não estaria treinando esse repertório, e o desenvolvimento dessas habilidades leva anos. Ele ainda argumentou que isso precisa ser levado em consideração ao avaliar a luta, já que o camp de treino não costuma “encurtar” a curva de aprendizado para igualar experiências de quem já atua nesse contexto há mais tempo.
Overeem foi direto ao afirmar que, para ele, Francis Ngannou seria uma situação “sem chance” para esse tipo de confronto, recomendando que o atleta e sua equipe evitem uma entrada no MMA contra o camaronês.
Contexto de cartel e decisão de rota: por que a luta contra Usyk faz mais sentido
Ao ampliar a análise para o próximo passo de Verhoeven, Overeem disse que aprecia as chances do kickboxer alcançar os objetivos traçados no boxe e consolidar ainda mais seu nome nesse cenário. Ele lembrou que, com os recursos extras do MMA, uma luta pode mudar “instantaneamente”, algo que torna o risco muito maior para quem não está preparado para todas as fases do combate.
Overeem também contextualizou a decisão recente de Verhoeven: o atleta afirmou que teria faturado mais caso encarasse Ngannou no evento de estreia do formato de MMA do Most Valuable Promotions, transmitido pela plataforma Netflix. Mesmo assim, Verhoeven optou por enfrentar o nome grande da vez — Oleksandr Usyk — e, para Overeem, foi uma escolha inteligente.
- Verhoeven: sem derrota desde 2015 no kickboxing, com reputação de striker de elite.
- Ngannou em MMA: combinação de golpes e capacidade de alterar o rumo da luta com ferramentas que vão além do striking puro.
- Usyk: desafio descrito como o caminho escolhido por Verhoeven para crescer em outra vitrine esportiva.
Na visão do ex-lutador, mesmo sendo um azarão relevante contra Usyk, o confronto contra o pugilista seria mais “plausível” do que lidar com Ngannou sob regras de MMA, já que o camaronês representaria um obstáculo quase impossível de ser contornado sem a base necessária.
“Francis é inteligente”: a leitura de Overeem para o resultado
Overeem resumiu sua perspectiva sobre um eventual duelo entre Verhoeven e Ngannou com frases categóricas. Ele afirmou que Ngannou seria esperto na luta e que, na prática, venceria o combate sem grandes dificuldades. A justificativa central voltou ao mesmo ponto: a ausência de wrestling e de treino voltado a submissões, elementos que, para Overeem, costumam ser determinantes no MMA.
Próximo passo: Verhoeven em sábado nas Pirâmides de Gizé e o que isso pode significar para o reconhecimento
Com o desafio contra Oleksandr Usyk marcado para sábado no complexo das Pirâmides de Gizé, no Egito, Verhoeven terá a chance de tentar uma grande virada e, ao mesmo tempo, reforçar seu objetivo de se tornar um nome ainda mais conhecido no boxe. A análise de Overeem, portanto, coloca duas teses em paralelo: por um lado, o kickboxer é temível no combate em pé; por outro, entrar no MMA contra Ngannou, na avaliação dele, exigiria um nível de preparação que não seria alcançado rapidamente.
Assim, o debate sobre ranqueamento no MMA acaba ficando em segundo plano diante do que Overeem vê como a realidade do jogo: sem a estrutura para quedas e finalizações, o adversário certo pode tornar a missão praticamente inviável. Com isso, a rota escolhida por Verhoeven — encarar Usyk — ganha ainda mais peso como a alternativa que, na leitura do ex-campeão, preserva a chance de atingir metas maiores de exposição e legado.

