Dustin Poirier, que se aposentou após a derrota para Max Holloway na disputa do título “BMF” no UFC 318, não descarta a possibilidade de voltar a lutar caso haja uma nova oportunidade contra Conor McGregor. Mesmo satisfeito com a fase de descanso, o americano deixou em aberto que um chamado para retornar aos protocolos de testes antidoping e voltar a ser licenciado poderia ser o fator decisivo para uma reentrada no octógono.
Retorno de McGregor, histórico e o que isso pesa no ranqueamento
Poirier encerrou a carreira depois de perder para Holloway na luta principal do UFC 318, realizado no último mês de julho. O norte-americano chega ao debate com um cartel de 30 vitórias, 10 derrotas e 22-9 no UFC. Já McGregor, por sua vez, não luta desde julho de 2021, quando sofreu uma fratura na perna durante uma derrota por TKO para Poirier. O irlandês fará seu retorno esperado em um revanche contra Max Holloway, como luta principal do UFC 329, marcado para 11 de julho, na T-Mobile Arena, em Las Vegas.
No recorte direto do confronto entre os dois, Poirier tem vantagem no histórico: são 2 vitórias contra 1 derrota para o americano. Ainda assim, a questão que fica é a mesma: ele toparia enfrentar McGregor pela quarta vez, caso a oportunidade apareça novamente.
- Cartel de Dustin Poirier: 30-10 (MMA) e 22-9 (UFC)
- Histórico vs. Conor McGregor: Poirier lidera por 2-1
- Retorno de McGregor: revanche contra Max Holloway no UFC 329 (11 de julho, T-Mobile Arena, Las Vegas)
- Última luta de Poirier: derrota para Max Holloway na disputa “BMF” do UFC 318 (julho)
Protocolos, licenciamento e a porta aberta para um novo duelo
Durante participação no podcast “Weighing In”, Poirier foi direto ao ponto sobre o que impediria ou permitiria um retorno. Para ele, a chave estaria na viabilidade prática do processo burocrático, envolvendo testes antidoping e reavaliação para ser licenciado novamente.
Segundo o que afirmou, se a situação fosse realista — com um contato formal e a indicação de que ele precisaria retomar o protocolo de testes e voltar a ser habilitado —, não seria algo descartado de imediato. Em outras palavras: a decisão não parece depender de motivação ou sentimento contra McGregor, mas sim do contexto operacional para uma volta ao combate.
O que Poirier espera do retorno de McGregor e o impacto para a luta contra Holloway
Além do cenário de “se volta ou não”, Poirier também comentou o tipo de desempenho que acredita que McGregor terá no retorno. Ele projetou que o irlandês deve apresentar um quadro melhor do que o visto em uma luta recente envolvendo Nate Diaz, que foi interrompido após ser atingido e parado por Mike Perry no MVP MMA 1, menos de duas semanas antes.
Na avaliação do ex-lutador, a aparência de fragilidade ou o estado geral não deve ser parecido com o que ocorreu com Nate Diaz. Poirier argumentou que o poder de nocaute tende a estar presente, independentemente do tempo fora, e que a questão central passa a ser outra: o momento do retorno, o nível atlético, a movimentação e a capacidade de executar ações no timing certo.
O americano também reforçou que não sabe como McGregor estará tecnicamente porque ainda não o viu lutar após a lesão. Mesmo assim, levantou uma possibilidade concreta: caso o contragolpe e o timing estejam próximos do que já foi visto no auge do irlandês, existe chance de vitória sobre Max Holloway.
Ao falar sobre Holloway, Poirier destacou o carinho pelo estilo e pela trajetória do adversário, mas apontou um recorte importante de desgaste recente: ele acredita que o tempo tem cobrado seu preço. Segundo o que mencionou, Holloway “tocou o chão” nas últimas três lutas mais do que em todo o restante da carreira. Para Poirier, isso sugere que a longevidade e o volume de impactos acumulados passaram a pesar, mesmo que ele reconheça que Holloway ainda seja um lutador de alto nível.
No fim, o ex-desafiante resumiu o raciocínio de forma direta: independentemente de quanto tempo McGregor tenha ficado parado, ele continua sendo um atleta com um fator decisivo — potência de impacto. Para Poirier, alguns lutadores “nascem com” esse diferencial, e McGregor é um deles. Assim, a expectativa para o UFC 329 passa por uma pergunta objetiva: a lesão e o tempo fora vão afetar timing, atletismo e movimentação a ponto de neutralizar esse poder?
Próximo passo provável: UFC 329 como termômetro para qualquer conversa
Com Poirier já aposentado após o UFC 318 e McGregor voltando no UFC 329 contra Holloway, o próximo capítulo natural do enredo envolve o desempenho do irlandês na volta aos combates. Se McGregor conseguir mostrar timing e eficiência suficientes — principalmente no contragolpe, algo que Poirier citou como ponto-chave —, a conversa sobre um reencontro com o próprio Poirier pode ganhar tração, ainda que a decisão final ainda dependa de logística, protocolos e licença.
Enquanto isso, o UFC 329 funciona como a principal “prova” para determinar se o retorno de McGregor será apenas uma reentrada simbólica ou se ele volta com condições reais para ameaçar o topo do card, com impacto direto no tipo de lutas que podem surgir depois.

