Ronda Rousey evitou falar mal de Gina Carano antes do confronto marcado para este sábado, mas não teve o mesmo cuidado ao reagir às críticas que vêm sendo feitas por outros nomes do meio. Prestes a voltar a lutar após um intervalo de dez anos, Rousey tem sido alvo de questionamentos de lutadores bem conhecidos, e um dos mais recentes a entrar no debate foi Khamzat Chimaev, ex-campeão do peso-médio do UFC. Ao se preparar para o duelo contra Sean Strickland no UFC 328, Chimaev disse ter se incomodado com a forma como Rousey teria atacado a organização e com a maneira como ela conduziu sua campanha promocional envolvendo Carano.
Em seu pronunciamento, Chimaev afirmou que “nunca existiria Ronda Rousey sem o UFC”, além de ironizar o tema financeiro e a suposta ingratidão. Ele também questionou quanto a atleta teria ganhado quando era campeã olímpica, sustentando que, independentemente de valores, o foco deveria ser outro. Rousey prometeu responder durante a coletiva pré-luta e, quando as declarações do checheno foram trazidas a ela na quinta-feira, tratou de rebate-las de imediato.
Durante a conversa com a imprensa, Rousey deixou claro que tinha uma dívida de gratidão com Dana White e com os irmãos Fertitta, destacando que não veria sentido em falar mal de qualquer um deles. A lutadora também enfatizou que sua lealdade é voltada para essas pessoas e não para a empresa que teria sido vendida por eles, afirmando ainda que não “deve” nada ao UFC em termos de TKO. Na sequência, Rousey disparou críticas ao que chamou de postura de Chimaev apenas por interesse em holofotes, argumentando que, na coletiva do próprio adversário, as perguntas girariam em torno dela e de Carano porque o público estaria mais animado com um retorno que considera “empilhado” e com expectativa real de finalização. Rousey ainda citou que, diferentemente de “Kumquat”, ela possui aproveitamento de 100% de vitórias por finalização.
Além das provocações de Chimaev, Rousey também aproveitou o momento para reagir a uma rivalidade verbal que vem ganhando força: os ataques dela e de Kayla Harrison, ex-companheira de treino e atual campeã do UFC no peso-galo, em um embate que se estende fora do octógono. O confronto de palavras ganhou ainda mais destaque quando Rousey apareceu em uma coletiva separada em Nova York, o que fez Harrison responder durante uma transmissão recente do UFC.
Harrison avaliou a luta contra Carano dizendo que não se trataria do “maior combate de todos os tempos”. Para ela, o duelo colocaria frente a frente alguém que ficou dez anos sem lutar, voltando após dois nocautes sofridos, e outra mulher que seria mais uma “lenda” e pioneira, mas também sem atividade recente por 17 anos e já na faixa dos 40 anos. Harrison completou a crítica afirmando que não chamaria isso de “maior luta da história”, porque, enquanto ela diz buscar grandeza, Rousey estaria perseguindo dinheiro, apontando uma diferença de objetivos entre as duas.
Harrison, que se recupera de uma cirurgia no pescoço, é esperada para encarar Amanda Nunes em uma disputa de cinturão do UFC ainda mais tarde neste ano. Nunes, por sua vez, é amplamente vista como a maior lutadora feminina de todos os tempos e foi quem colocou Rousey em aposentadoria em 2016, quando nocauteou a atleta de forma brutal no primeiro round no encontro entre as duas. Diante da comparação de “grandeza” versus “dinheiro”, Rousey rebateu Harrison com desprezo às acusações e fez questão de lembrar tudo o que ela já conquistou como Hall of Famer do UFC, além dos novos objetivos que pretende perseguir com o retorno diante de Gina Carano.
Rousey acredita que, se tudo correr como esperado neste sábado, esse evento pode mudar o cenário do MMA de forma permanente. Ela citou a possibilidade de a Netflix continuar interessada em promover o esporte como a maior plataforma de streaming do mundo, mencionando a marca de mais de 325 milhões de assinantes globais. O mesmo raciocínio se aplica ao projeto da MVP, já que cofundadores como Jake Paul e Nakisa Bidarian teriam deixado aberta a chance de uma estratégia de longo prazo para manter envolvimento com o MMA caso o primeiro evento se pague conforme o planejado.
Ao responder Harrison, Rousey resumiu sua visão sobre o que chama de “luta profissional”, sustentando que não existe “grandeza em desconto” quando o assunto é combate no mais alto nível. Para ela, a maior bolsa é, na prática, a maior luta, e as definições de grandeza entre as duas seriam totalmente diferentes. Rousey afirmou que sua ideia passa por fazer história, gerar impacto cultural e influenciar o futuro da modalidade. Ela ainda lembrou que já venceu um recorde de oito lutas consecutivas por disputa de título, argumentando que, por isso, não haveria algo restante a ser cumprido dentro desse roteiro. Agora, o objetivo seria, segundo ela, “quebrar” mais um recorde: o de maior pagamento já visto entre mulheres em esportes de combate, com a esperança de transformar a repercussão do duelo em um filme de artes marciais voltado para a Netflix.
Rousey também foi além ao sugerir que o sucesso desse combate poderia criar a rivalidade que o UFC precisaria e dar aos lutadores um poder de barganha que eles nunca teriam tido. Ela ainda cravou uma possibilidade extrema caso o evento seja um estouro: tornar-se a principal figura da MVP no MMA, além de se colocar como a pessoa mais influente da modalidade desde Dana White. Fechando com provocação direta, Rousey rejeitou a ideia de que estaria “correndo atrás de grandeza” apenas na teoria, dizendo que é ela mesma a própria grandeza e que, na visão dela, as críticas de Harrison e de outras pessoas seriam, na prática, uma perseguição ao seu protagonismo.

