Rousey finaliza Gina Carano em 17s e evento de estreia marca novos MVPs

Ronda Rousey e Gina Carano finalmente dividiram o octógono — e a luta saiu exatamente como a maioria imaginava. No evento realizado na noite de sábado, Rousey finalizou Carano rapidamente, aplicando um mata-leão de braço (armbar) em apenas 17 segundos.

Antes disso, Mike Perry venceu Nate Diaz com uma atuação dominante, enquanto Francis Ngannou tratou de colocar Philipe Lins em outra “dimensão” com a força que virou sua marca registrada. Apesar de ainda não estar claro se o primeiro show do MVP MMA entregou o volume de audiência prometido, a estreia na jaula teve momentos empolgantes e também vários pontos negativos. A seguir, veja o que foi destaque e o que ficou a desejar.

O que o público achou de Rousey x Carano e da estreia do MVP MMA

  • Heck: “Tive uma boa experiência assistindo, mas tem gente muito irritada.”
  • Lee: “Dana White, Hunter Campbell e o restante do time da UFC podem dormir tranquilos.”
  • Martin: “O MVP MMA ainda tem muito trabalho para evitar virar uma promoção de apenas um evento.”
  • Meshew: “Me diverti, mas espero que corrijam várias coisas para não ser algo único.”

Qual foi o “sentido” de Ronda x Gina?

Para muitos, o duelo não tinha mistério: era a despedida que Rousey sempre quis, apresentada em um confronto que já nasceu como um “massacre” em potencial. A Carano entrou com pouca chance, e mesmo que qualquer imprevisto tivesse acontecido — inclusive uma nova lesão — o cenário ainda seria de derrota expressiva.

O debate, porém, foi além do resultado. A reação ao combate surpreendeu parte do público, já que a própria direção do confronto indicava o desfecho. Para além do encerramento do ciclo de Rousey, Carano também recebeu uma oportunidade financeira, já que o duelo funcionou como uma plataforma para ambas.

Dentro da leitura de bastidores, a construção do confronto ganhou espaço como “reabilitação” de imagem e tentativa de reescrever narrativas. Para Rousey, a ideia teria sido reforçar um legado já consolidado e, ao mesmo tempo, deixar recados para rivais, incluindo nomes ligados a UFC, TKO e Kayla Harrison. Já para Carano, o intervalo desde sua saída traumática do universo de Star Wars foi visto como tempo suficiente para reaparecer aos olhos do público como alguém em busca de redenção.

Mesmo assim, houve críticas sobre o que essa escolha diz do momento atual do MMA. Para uma grande parcela do público, era difícil entender como, em 2026, um confronto entre uma lutadora de 39 anos afastada do esporte há uma década e outra de 44 anos sem lutar há 17 pudesse ser encarado como um dos maiores atrativos do ano.

Do ponto de vista esportivo, a explicação foi simples: Rousey pode não estar no nível de título mundial como antes, mas ainda carrega um conjunto de habilidades singular para derrubar adversárias acima do que seria esperado e buscar finalizações com sua armbar característica. Carano sentiu isso de forma brutal no sábado.

Do lado de Carano, houve quem reconhecesse o esforço de chegar bem preparada após a carreira no cinema ter perdido força. Ainda assim, a sensação geral descrita foi de que o roteiro já estava “escrito”: ela acabou sendo dominada e finalizada, e o combate teve um gosto de volta ao passado mais do que de competição real.

Meshew, por exemplo, afirmou que antes do evento acreditava que o objetivo era dar a Rousey uma espécie de “segunda despedida” do jeito que ela considerasse adequado e que Carano queria voltar a ser famosa. Para ele, o tempo total do combate — apenas 17 segundos — resume como a luta foi anticlimática, mas também como o clima final pareceu “sujo” depois que tudo aconteceu.

Na visão do comentarista, faltou dignidade na proposta: Rousey teria buscado um final de fantasia para se sentir melhor, enquanto Carano teria entrado no duelo mais como um teste para Hollywood do que como uma tentativa séria de resistir. Mesmo com o condicionamento e a possibilidade de reencontrar executivos da Netflix, o tom foi de que a “redenção” também virou conto de fadas.

Ao final, houve um reconhecimento de que ninguém se machucou de forma grave durante a história do evento. Ainda assim, a percepção foi de que o espetáculo ofereceu mais autocomemoração vazia do que qualquer construção real de legado.

Francis Ngannou ou Mike Perry: quem ganhou mais no sábado?

Mesmo com respostas diferentes, quase todo mundo concordou que Perry saiu com grande vantagem. Heck afirmou que, tecnicamente, ambos levaram algo, mas Perry teria sido o maior beneficiado do card inteiro.

O motivo foi claro: Perry dominou Nate Diaz de forma completa. Segundo a leitura do texto, fora alguns golpes de Diaz, o combate foi “um só caminho”, e a arbitragem poderia ter interrompido antes do fim do segundo round. O resultado foi descrito como uma verdadeira carnificina e, principalmente, como a maior vitória do cartel de Perry.

Também houve estranhamento sobre a ideia de uma revanche. A avaliação foi que Diaz entrou em forma, levou a luta a sério e parecia pronto, mas mesmo assim foi apanhado e castigado. A sugestão foi que a organização até poderia remarcar, porque isso renderia dinheiro para Perry, mas a expectativa geral era de que a repetição seria desnecessária.

Se a revanche não vier, Perry ainda ganharia valor como “rosto” promocional. Ele está na casa dos 30 anos, ganhou mais visibilidade e tem facilidade para se comunicar, além de não ser conhecido por lutas monótonas. Para Lee, Ngannou também reafirmou seu status de atração única sempre que entra no octógono, mantendo o valor do seu “estoque” ao fazer “Francis things”, independentemente do adversário.

Lee ainda citou um momento de “passagem de bastão” para Perry, mesmo com uma parcela de fãs que preferiria que o árbitro desse mais liberdade para Diaz. A conclusão foi que Perry se tornou, de forma mais sólida, a face do estilo de trocação mais agressivo e direto.

Martin reforçou que é notável como Mike Perry construiu uma segunda fase após ter sido um atleta de meio de tabela no UFC. Ele destacou a dominação sobre Diaz por dois rounds e o quanto o corte e o estrago foram tão grandes que Diaz não teria condições de reclamar do encerramento. Além disso, lembrou a reinvenção de Perry no BKFC como “King of Violence”, e apontou que, com 34 anos, ainda há muito caminho pela frente.

Meshew resumiu a leitura de forma direta: ambos receberam pagamento.

Além das três lutas principais, algo mais chamou atenção?

O texto apontou Salahdine Parnasse como o grande nome fora do trio principal. Apesar de críticas sobre o encaixe de lutas no MVP MMA, a avaliação foi que o confronto dele foi “feito sob medida” para roubar a cena.

A leitura foi que Kenneth Cross não é um lutador qualquer e oferece perigo, mas Parnasse encaixou o jogo com precisão e levou o desempenho a um nível que o colocou como o “MVP da noite” no MMA. A partir disso, surge a ideia de que, se o MVP MMA continuar no caminho do MMA, Parnasse deveria ser tratado como primeira prioridade para um compromisso longo.

Também houve quem enxergasse potencial de “novo personagem” no roster. Lee declarou que o MVP MMA poderia ter algo parecido com Namo Fazil (com a ressalva de que seria cedo para cravar). A comparação feita foi com Dillon Danis pela disposição de se colocar em evidência e “bater acima do peso” no confronto, ainda que sem a mesma postura “desconectada” do rival citado.

Segundo o texto, Fazil estaria envolvido em uma rivalidade com Arman Tsarukyan, o que abre espaço para uma possível luta em tapetes da RAF, caso a fantasia imaginada por um dos comentaristas vire realidade.

Martin, por sua vez, colocou Robelis Despaigne no radar. Ele apontou que Despaigne deveria celebrar não apenas a maior vitória da carreira, mas também a chance de enfrentar Francis Ngannou na próxima aparição. A virada seria ainda mais impressionante por contrastar com a sequência negativa no UFC: duas derrotas seguidas e a saída do elenco.

O texto relembrou que, fora do UFC, Despaigne construiu um caminho forte no Karate Combat, incluindo um nocaute devastador sobre Sam Alvey, ainda citado como algo “difícil de ver”. Agora, a vitória sobre a versão de 2026 de dos Santos foi tratada como menos “comparável” a um nocaute durante o auge do adversário — quando ele era campeão ou top contender no UFC —, mas o reconhecimento conquistado ainda pesa.

Com o cenário de peso-pesado descrito como “terra sem frutos”, a conclusão foi que Despaigne pode ser uma das poucas opções reais para Ngannou se ele quiser continuar no MMA, em vez de buscar outra rota no boxe.

Meshew declarou que gosta de Parnasse “como se fosse da família” por entender que o objetivo dele é simplesmente acertar os golpes mais duros possível. Ele também citou uma lembrança sobre a narração de Mauro Ranallo, descrevendo-a como algo ao mesmo tempo excelente e confuso, e incluiu uma referência ao comentário de voz durante o evento.

Quem foi o maior “perdedor” da noite?

Heck apontou Herb Dean como o grande alvo. A crítica foi direcionada aos momentos finais da melhor luta do card, entre Adriano Moraes e Phumi Nkuta. O texto descreve que Moraes havia travado a finalização, o terceiro round terminou, mas Moraes não soltou o controle. Nkuta teria “apagado” cerca de quatro ou cinco segundos depois de a luta oficialmente acabar, o que gerou estranheza.

Segundo a mesma leitura, Dean e o grupo de arbitragem em apoio teriam revisado o replay juntos, mas o resultado teria sido incorreto. A indignação foi tamanha a ponto de o comentarista questionar como isso poderia ocorrer em 2026. A conclusão foi de que a luta poderia render uma repetição e que, nesse caso, seria interessante ver como tudo se comporta novamente.

Heck também comentou que quase colocou Philipe Lins “em outra dimensão” no evento, mas que Francis Ngannou demonstrou misericórdia. Para o comentarista, essa situação não deveria melhorar nem mudar.

Lee levantou a hipótese de Conor McGregor como “perdedor”, mas de forma indireta: ele citou que a luta McGregor x Max Holloway 2 para a International Fight Week já era um segredo muito mal guardado, e que a divulgação teria sido feita no sábado por Dana White em um momento próximo da entrada de Ngannou.

Na crítica, o incômodo foi com o timing: a sensação foi de que o anúncio teria sido usado para interferir na vitrine do MVP MMA e tirar atenção do evento transmitido pela Netflix. A pergunta colocada foi se o burburinho de McGregor realmente tirou audiência do MVP ou se o efeito foi ao contrário.

Martin trouxe outra leitura: o “maior perdedor” seria Nate Diaz, mas não porque ele foi mal na luta contra Mike Perry. A avaliação foi que Diaz até perdeu como esperado, mas o que realmente custou foi a escolha de enfrentar Perry no sábado — uma decisão que o teria tirado da chance de uma trilogia contra McGregor no UFC.

O texto relembrou que Diaz deixou claro que não queria participar do “retorno” de McGregor, após o irlandês se recuperar de uma fratura grave na perna. Ainda assim, McGregor oficializou seu retorno com luta marcada contra Max Holloway em julho. A leitura foi de que o duelo com Diaz seria perfeito para ambos, mas não aconteceu.

Meshew, por fim, disse que tinha problemas com a produção do MVP MMA. Ele citou ritmo ruim, coletiva pós-luta longa demais e, na visão dele, quase todas as pessoas em funções de transmissão não seriam as escolhidas por ele. Também criticou que Jon Jones teria aparecido mais para provocar um combate que “não pode acontecer”. Sobre Cain Velasquez, a avaliação foi de que ele não era um grande comunicador. E Meshew ainda reclamou que alguém deveria orientar Mauro Ranallo a moderar o estilo de fala.

Jake Paul, segundo o texto, prometeu bagunçar a indústria, mas levou ao evento um grupo repetido de nomes que aparecem em transmissões grandes fora do UFC. A sugestão foi buscar “sangue novo”.

E o que vem depois do MVP MMA? É o fim ou só o começo?

Heck afirmou que é impossível cravar o futuro sem ver números. Para ele, qualquer audiência abaixo de nove milhões seria um desastre absoluto, especialmente porque o mundo sabia o que estava acontecendo e como assistir.

Ainda assim, a percepção foi de que, por enquanto, o MVP MMA estaria mais para começo do que para fim. O problema, segundo o comentarista, é que o gosto amargo gerado pela luta de Rousey x Carano não deve sumir tão cedo, mesmo com o desfecho sendo previsível. Ele reconheceu que existe rejeição “na onda” de quem critica só por ser moderno, mas apontou que houve reclamações claras sobre produção e transmissão, sobretudo pelo ritmo no card principal: haveria pouco mais de 20 minutos efetivos de luta, com cinco lutas e cinco finais, sem sequer chegar ao terceiro round em vários momentos. A crítica foi que o programa demorou duas vezes mais do que precisava.

Também houve cobranças para o MVP construir estrelas no time de transmissão: manter talentos pode ajudar, mas seria necessário renovar. A solicitação foi para tirar parte do resto do ano e planejar com calma o próximo passo, com uma sugestão de que o futuro poderia trazer Francis Ngannou contra Eddie Hall.

Lee apostou que os números podem ser melhores do que o cenário mais pessimista. Ele disse que acredita em algo acima de 20 milhões de espectadores e, caso isso se confirme, a organização precisa capitalizar ainda neste ano. Para ele, a apresentação precisa de grandes ajustes, inclusive evitando “fantasiar” como se fosse um evento de boxe. Além disso, pelo menos uma das estrelas — Nate Diaz, Mike Perry ou Francis Ngannou — precisa estar disponível para que o próximo evento não seja desastroso.

Lee sugeriu um caminho: colocar Ngannou contra Despaigne ou Parker Porter, ou até Eddie Hall, e montar o card em volta desse combate principal, visando novembro ou dezembro para fechar o primeiro ano com força. A avaliação foi que o MVP MMA não precisa ser um rival direto do UFC, mas precisa manter presença no cenário do MMA. Esperar mais um ano, na visão dele, seria tempo demais.

Martin foi mais cético. Para ele, como o MVP teria colocado “tudo” no card de estreia e não sobrar muita sobra para vender um novo evento rápido, torna-se difícil prever. Ronda Rousey encerrou a carreira depois do combate, Gina Carano demonstrou interesse em talvez voltar, mas uma luta contra Holly Holm não mudaria muito o jogo. Já Ngannou destruiu um rival fora do nível e, na leitura do texto, ele poderia enfrentar Robelis Despaigne — o que abre uma possibilidade, embora pareça improvável que a Netflix pague valores altos para esse tipo de duelo.

Martin também ressaltou que o mercado de estrelas disponíveis seria limitado. Ele comparou com o passado: o Affliction MMA teria tido um excesso de nomes no auge e, mesmo assim, acabou encerrando. Para o MVP, não haveria a mesma reserva de talentos para puxar outro grande card. Assim, sem um segundo evento “marcante” anunciado, não dá para saber se o projeto vai crescer ou até sobreviver.

Meshew concluiu com uma aposta: a menos que os números tenham sido realmente ruins, ele esperaria um segundo evento. Ele citou que Jake Paul e grupo falaram demais sobre mudar o setor, e que seria pouco provável eles desistirem após uma tentativa. Na visão dele, talvez não venham dez datas, mas pelo menos haverá uma nova rodada desse “experimento” no MMA.

Ao término do texto, a matéria reforça que o destino do MVP MMA depende essencialmente da resposta do público e, principalmente, de quanto a audiência se sustentará após a estreia marcada por escolhas controversas, ritmo apertado de lutas e um debate forte sobre a proposta esportiva do evento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.