Strickland critica Brand Risk 14 e diz que ‘a dignidade foi embora’

Se a edição do “Brand Risk 14” te deixou com a sensação de estar “engraxado”, você não está sozinho. Até o novo campeão peso-médio do UFC, Sean Strickland, admitiu que gostaria de não ter participado do evento de combate voltado ao público de influenciadores. O lutador acabou acompanhando a programação na cabine de narração e, durante as lutas, soltou uma mistura conhecida de provocações e opiniões diretas, em meio a combates que chamaram atenção pelo caráter de “espetáculo” do formato.

O campeão, contudo, não pareceu se divertir com o clima geral do dia. Ao deixar o local, ele recorreu às redes sociais para reconhecer que ficou enojado com a própria presença no evento. Em sua postagem, Strickland afirmou que nunca tinha feito parte de algo tão “vergonhoso” e que, por ter aceitado o convite, passou a se sentir diminuído como homem.

“Eu nunca participei de algo tão vergonhoso na minha vida, e eu odeio a mim mesmo. E eu sinto que sou menos homem depois de estar aqui. Meu Deus… por que eu concordei com isso?”, declarou o atleta.

Strickland também explicou que esteve no local apenas para apoiar pessoas próximas. Segundo ele, a ida ao “Brand Risk 14” tinha como objetivo dar suporte a amigos como Nina Drama e Adin Ross, e que essa era a única razão para estar ali.

“Eu tive que sair de lá, cara. Tipo, a Nina é minha amiga. Eu gosto do Adin, mas eu fiquei enjoado… no meu estômago mesmo. Isso é muito errado. É a coisa mais absurda que eu já vi na minha vida”, disse Strickland, descrevendo o desconforto crescente durante o espetáculo.

O lutador ainda comentou que a intenção, agora, era voltar para casa e encarar o próprio reflexo com a consciência tranquila—algo que, na avaliação dele, não será fácil depois de ter sido parte daquele momento. Ele completou pedindo desculpas e afirmando que, no fundo, só queria cumprimentar um amigo, mas acabou vendo sua dignidade “sumir” no processo.

“Eu tô pronto para ir embora e olhar no espelho depois. Eu nunca fiz nada tão vergonhoso na minha vida participando disso. Desculpa, pessoal. Eu só queria dizer oi pra um amigo… e do nada, a dignidade acabou indo embora”, finalizou.

Apesar de a história das lutas mostrar que artes marciais mistas sempre conviveram com formatos de “espetáculo” e exibições diferentes desde os primórdios da modalidade, esse novo tipo de evento de influenciadores na América do Norte parece ter colocado até pessoas mais céticas à prova—ou, no mínimo, gerado desconforto real em atletas como Strickland, que já dedicaram a vida ao esporte e demonstram respeito pelo que a luta é capaz de transformar.

Enquanto isso, o público em geral parece ter demonstrado interesse em mais edições do “Brand Risk”. Do lado de quem consome o MMA de forma mais tradicional, a sensação é de que não demora muito para a preferência voltar a um conteúdo de lutas mais “legítimo”, como o que é entregue no UFC, com eventos conduzidos em um formato que coloca o combate no centro do espetáculo.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.