Sean Strickland acredita que o UFC pode estar exagerando nas medidas de segurança para mantê-lo distante de Khamzat Chimaev. De acordo com o americano, ele não tem intenção de iniciar qualquer confusão, mas entende a preocupação da organização diante do histórico recente de provocações entre os dois, especialmente a poucos dias do UFC 328, que acontece em New Jersey.
Com apenas alguns dias restantes para o evento, Strickland e Chimaev foram isolados longe um do outro, justamente para reduzir qualquer chance de uma altercação antes do duelo principal. O clima fica ainda mais sensível porque Strickland chegou a ameaçar Chimaev caso fosse surpreendido antes da luta, o que, na visão do próprio lutador, ajuda a explicar por que o UFC estaria nervoso com a possibilidade de caos durante a semana de compromissos.
Apesar disso, Strickland garante que, se algo fora do padrão acontecer durante a semana do combate, ele não será o responsável. Em entrevista a repórteres na terça-feira, o atleta afirmou que as medidas parecem desnecessárias e conectou a preocupação diretamente ao risco financeiro do confronto, alegando que a postura de Chimaev indicaria que ele não encararia Strickland diretamente.
“Acho que a segurança está bem exagerada, é como se fosse algo desnecessário. Mas aí é aquela questão: quanto dinheiro o UFC está ganhando e gastando nessa luta? Chimaev não vai lutar contra mim. Se ele for lá e convencer um de seus dez amigos a tentar me atacar, eles vão estar colocando muito dinheiro em risco”, declarou Strickland.
O lutador também reforçou a leitura pessoal que faz do rival, dizendo que o comportamento de Chimaev não combina com postura de alguém que realmente queira resolver o combate dentro do octógono. Strickland criticou a forma como o adversário teria se colocado após suas provocações, afirmando que, em sua visão, Chimaev agiria como “covarde” e tentaria se esconder atrás de terceiros.
“Por isso eu volto a Chimaev e digo que ele não tem dignidade nenhuma. Em que parte da minha vida eu ouviria alguém dizer ‘vou pular em você’, ‘meus amigos vão pular em você’, ‘minha religião vai pular em você’? Isso não combina. Você só age como um covarde. Você é um cachorro. Eu jamais falaria isso. Você acha que meus fãs iriam pular em você? Não, porque meus fãs têm dignidade, são homens de verdade. Diferente de você, um cachorro de um país terceiro”, completou.
A tensão entre os dois só aumentou conforme o confronto se aproxima. O embate verbal ganhou novos contornos depois de um comentário feito por Strickland durante a semana de preparação, envolvendo a possibilidade de ele portar uma arma caso algo saísse do controle. Chimaev, inicialmente, teria reagido com risadas, mas depois mencionou que a comunidade muçulmana em New Jersey teria o apoio do qual ele poderia contar caso qualquer incidente acontecesse.
Strickland diz que esse tipo de resposta é justamente o que o deixa preocupado com a possibilidade de algo dar errado, embora não acredite que o próprio Chimaev tentaria partir para cima fisicamente caso os dois se cruzassem. Em vez disso, o americano sustenta que a situação poderia envolver alguém do entorno do campeão do UFC.
“Eu sou um homem com dignidade. Então eu seria apenas ‘olá, Chimaev, a gente se vê no sábado’. Já ele, por outro lado, sendo esse cachorro, provavelmente falaria alguma besteira. Aí eu diria ‘vamos lá, Chimaev, seu filho da mãe’, e ele ia correr pela porta, chamando os capangas dele. Por quê? Porque ele é um cachorro”, afirmou.
Strickland também citou que, após treinar com Chimaev por um breve período e chamá-lo para o debate ao acusar o rival de agredir ou pressionar parceiros menos experientes no sparring, ele teria entendido o suficiente sobre o atual campeão dos médios do UFC. Com isso, o lutador afirma não estar com medo de uma investida direta do adversário durante a semana de luta.
O foco real de sua preocupação, no entanto, segue sendo a possibilidade de Chimaev mandar alguém do time para resolver “o serviço sujo”. Strickland menciona que ouviu relatos de que o rival estaria acompanhado por cerca de 30 pessoas no entorno quando a semana do evento começou.
“Não, porque eu sou um homem. Eu sou um adulto. Eu sou americano. Eu não ando com multidão porque eu tenho medo e sou um covardezinho. Eu posso ligar para o Chimaev agora mesmo e a gente pode se encontrar no estacionamento. E sabe o que vai acontecer? Eu vou estar lá sozinho”, disse Strickland.
“Você vai estar lá com trinta caras, porque mesmo que você no fundo ache que vai me vencer, você sabe que existe a chance de eu derrubar você no chão e acabar com a sua vida. Você sabe disso. E aquele covarde pequeno que mora em você nunca vai se levantar como homem para lutar comigo. Você vai chamar seus capangas, vai chamar seus trinta chechenos, vai se esconder atrás da religião. Você é só um homem fraco”, acrescentou.
Um cenário que Strickland considera quase inevitável é um possível encontro cara a cara em momentos tradicionais de confronto, como os olhares cerimoniais na conferência de imprensa pré-luta e também no pesagem oficial do evento. Nesse contexto, ele citou que o CEO do UFC, Dana White, teria orientado parceiros de transmissão na Paramount a evitarem qualquer situação que provocasse um encontro entre Strickland e Chimaev.
Segundo Strickland, por causa disso o UFC teria cancelado uma sessão de vídeo e fotos antes do combate, um ritual comum para promover o evento. Ainda assim, o lutador diz que consegue trocar olhares com Chimaev sem sentir necessidade de partir para briga, justamente porque a intenção dele é resolver a disputa apenas no octógono nos dias seguintes.
“O ponto é o seguinte: eu sou um homem adulto. Eu fecho a boca, você fecha a boca, e a gente se encara por dois segundos. Sem mais”, declarou. “Mas esse cara é um cachorro. Olha, se ele não tiver dez amigos, talvez fique tudo bem. Se ele tiver dez amigos chechenos, aí não vai ficar bem.”

