Sean Strickland deixou claro que encara o duelo contra Khamzat Chimaev (marcado para o card principal do UFC 328, no próximo sábado, em Newark, nos Estados Unidos) com a promessa de resolver tudo de forma “violenta”, dentro e fora do octógono. O confronto vale o cinturão dos médios: Chimaev chega como campeão invicto e fará a primeira defesa do título na categoria.
Antecedentes
A preparação para a luta ganhou combustível extra por causa de um debate que ultrapassou as linhas do esporte. Parte da expectativa do público gira em torno do que poderia acontecer caso Chimaev e Strickland se cruzassem antes do dia do combate. Chimaev chegou a comentar, de maneira fria, que “se ele morrer, morre”, caso houvesse um encontro fora das regras. Strickland, por sua vez, respondeu advertindo que ele seria “o último cara nos Estados Unidos” que alguém deveria ameaçar.
Durante um encontro com a imprensa na quarta-feira, Strickland voltou a insistir na possibilidade de uma abordagem fatal caso houvesse uma confrontação cara a cara. O americano afirmou que, se a situação escalasse, ele sacaria uma arma e atacaria Chimaev. Em seguida, ele diferenciou um cenário em que o rival apareceria “como homem”, mencionando supostas ofensas envolvendo o pai de Strickland, e disse que, nesse caso, preferiria “resolver” diretamente. Já se a abordagem viesse acompanhada de vários indivíduos ligados ao que ele chamou de “Chechênia”, Strickland declarou que reagiria com violência contra todos. Ele também ressaltou que estaria “armado” no estado onde a luta acontece.
Strickland ainda provocou repetidamente Chimaev por sua relação com Ramzan Kadyrov, principal liderança da República da Chechênia. Kadyrov vem sendo acusado de atuar como um “senhor da guerra” e já recebeu sanções de diferentes governos, incluindo os Estados Unidos. Vários nomes do UFC também foram associados a Kadyrov, como Kamaru Usman, Justin Gaethje e Henry Cejudo, e ele já esteve presente em eventos da organização fora dos EUA, com participação mais recente em Abu Dhabi.
Além do atrito com Chimaev, o campeão interino/mediano que busca a consolidação como um dos principais nomes da divisão também tem críticas direcionadas a atletas internacionais. Quando perguntado sobre a sensação de ultrapassar Nassourdine Imavov na disputa pelo cinturão, Strickland disparou contra o modo como a liga trabalha com talentos vindos de fora. Ele afirmou que a organização busca lutadores em países “pobres” e questionou o valor dado a um atleta francês que, segundo ele, não representa de fato a própria nação. Na mesma fala, Strickland citou Alex Pereira como exemplo aceito pelo público por viver nos Estados Unidos e se encaixar, em sua leitura, no estereótipo que agrada ao mercado. Ele então completou que, no caso de Imavov e outros, a recepção seria negativa e que, mesmo que tivessem talento, “ninguém liga”.
Desde que se estabeleceu como um dos nomes de elite nos médios, Strickland acumulou discussões públicas com diferentes adversários. Entre os mais recentes estão Dricus du Plessis e Anthony “Fluffy” Hernandez. Ainda assim, a tendência é que o clima entre eles diminua depois que a luta termina, como se a rivalidade ficasse restrita ao octógono. A pergunta agora é se esse padrão vai se repetir justamente contra Chimaev.
A luta
- O duelo principal do UFC 328 coloca frente a frente Sean Strickland e Khamzat Chimaev em Newark, com o campeão invicto defendendo o cinturão dos médios pela primeira vez na carreira.
- A construção do combate foi marcada por falas agressivas de ambos antes do dia do evento, incluindo declarações sobre possíveis confrontos fora das regras.
- Em uma coletiva na quarta-feira, Strickland reforçou a ideia de que um encontro “cara a cara” poderia ter consequências graves, descrevendo reações violentas conforme o tipo de abordagem.
- Strickland conectou o tema a Kadyrov e ao que ele vê como a aproximação de Chimaev com Ramzan Kadyrov, citando também o histórico de associações de Kamaru Usman, Justin Gaethje e Henry Cejudo, além de presença em eventos fora dos EUA.
- Na mesma aparição para a imprensa, Strickland ampliou as críticas para o cenário internacional dos médios, argumentando que a liga prioriza certos perfis e trata outros com desdém.
O pós-luta
Strickland sinalizou que, na prática, a rivalidade pode não acabar tão cedo. Ao ser provocado sobre como ficaria a relação após o combate, ele admitiu que “é difícil” cravar o que vem depois, mas sugeriu que o vencedor carregará o direito de se gabar, enquanto o derrotado terá de “engolir” a situação até o fim. O americano também ironizou como funciona a lógica desse tipo de confronto: se ele lutar com “Fluffy” e for superado, ele diria que o adversário cumpriu o trabalho ao erguer a mão do vencedor; o mesmo valeria se Dricus o derrotasse. Contudo, Strickland encerrou a análise dizendo que, com Chimaev, a tendência seria morrer como inimigos.

