Thiago Moisés mira o cinturão dos leves no UFC Winnipeg contra Gauge Young

Thiago Moisés chega para o duelo de sábado, no UFC Winnipeg, encarando o desafio diante de Gauge Young com um discurso de quem enxerga a própria trajetória como prenúncio de algo maior. O brasileiro sabe que pode soar “ousado” ao afirmar que, em algum momento, terá o cinturão dos leves envolto na cintura — mas sustenta a convicção com base em experiência acumulada, bons resultados e a leitura de que o momento pode, sim, ser agora.

De onde vem a confiança de Thiago Moisés

O retrospecto de Moisés no Ultimate não é linear: desde que estreou na organização em 2018, ele venceu pouco mais da metade das lutas que disputou. Mesmo assim, o lutador construiu um caminho com adversários de peso e situações difíceis, como quando começou sua trajetória no UFC em cima da hora, para enfrentar Beneil Dariush, além de encarar nomes como Islam Makhachev e Benoit Saint-Denis.

Ao mesmo tempo, Thiago também colecionou vitórias relevantes. Entre os resultados marcantes, estão triunfos sobre King Green, Alexander Hernandez, Michael Johnson e, mais recentemente, uma luta disputada como substituto de última hora contra Melquizael Costa.

Charles do Bronx como referência: “um exemplo de virada”

Com todo esse histórico, Moisés aponta Charles Oliveira como um dos principais motivos para acreditar antes do confronto com Gauge Young. Para ele, a carreira do ex-campeão dos leves é um modelo de como sair de períodos instáveis e transformar a própria rota em conquistas.

Thiago resumiu a admiração pelo rival com uma frase direta: “Charles é um monstro”. Segundo o brasileiro, ele acompanha a trajetória do brasileiro com atenção, justamente por ver um ciclo de inconsistência no UFC seguido por uma recuperação que culminou na conquista do cinturão na categoria. Moisés afirma que se inspira nessa capacidade de reagir e, do mesmo jeito, quer construir seu próprio retorno em alto nível.

Oliveira, por sua vez, levou tempo para engrenar de vez na organização. Antes da sequência que o levou ao título dos 155 libras, ele havia somado apenas 10 vitórias nas primeiras 19 lutas que fez no UFC. Depois, viveu a fase decisiva e voltou a reagir também após derrotas para Makhachev e Ilia Topuria, até recentemente conquistar o cinturão “BMF”.

O que está em jogo no UFC Winnipeg

Thiago Moisés chega ao UFC Winnipeg com cartel no UFC de 8-7 e entende que a luta pode ser um passo decisivo rumo ao cinturão. O brasileiro projeta um cenário claro: vencer de forma convincente, manter a sequência e colocar o foco na disputa do título.

De acordo com o próprio lutador, a mentalidade é parte central do plano: “É hora de entrar e fazer uma grande apresentação”. A ideia, segundo ele, passa por superar Gauge Young com autoridade, continuar vencendo e acreditar que reúne recursos para alcançar o cinturão do Ultimate. Moisés reforça que tem experiência e técnica, e que o diferencial, agora, é entrar com o pensamento correto.

Resposta à crítica após derrota

Mesmo após uma derrota para Jared Gordon, Moisés não demonstra preocupação com a leitura externa de que o momento seria “ruim” para arriscar um discurso ambicioso. Ele menciona que as pessoas podem dizer que ele está “louco” por vir de um resultado negativo, mas argumenta que confia em si e acredita no próprio potencial. Para o brasileiro, o caminho é seguir acreditando e executando o plano dentro do octógono.

Treino, família e mudança de rotina para São Paulo

Thiago planejava voltar mais cedo ao camp depois do nocaute no primeiro round sofrido para Jared Gordon, em maio de 2025. Ainda assim, ele aproveitou o tempo longe dos holofotes para estar perto da família durante o nascimento da primeira filha. Depois desse período, Moisés mudou sua rotina para um formato em tempo integral em São Paulo.

O brasileiro descreveu o camp como o melhor de toda a carreira: “Foi o melhor treinamento da minha vida”. Ele afirmou estar feliz no Brasil, satisfeito com a equipe na Fighting Nerds, animado com a filha e mais perto dos familiares. Nos fins de semana, Thiago relatou que vai ao interior de São Paulo, para a casa dos pais, para conseguir desligar e recarregar as energias.

Sobre o impacto da paternidade no desempenho, Moisés explicou que a filha adiciona combustível. Ele disse que não se trata de pressão — e sim de gratidão. Para ele, o sentimento cresce quando enxerga a vida pessoal alinhada, perto da família, com suporte e estabilidade emocional.

Além disso, Thiago reforçou que ele e seus treinadores estão na mesma sintonia e que teve bons parceiros de treino para a luta. Na visão do lutador, quando a gratidão e a felicidade se conectam com o trabalho na academia, o resultado aparece: “Quando você está bem na vida pessoal, próximo da família, com esse apoio, você treina mais feliz, melhora mais. Tudo se conecta”.

Gauge Young: estreia com vitória e o que Moisés enxerga no adversário

Gauge Young conquistou sua primeira vitória no octógono com uma decisão sobre Maheshate em agosto de 2025, o que o colocou com campanha de 1-1 dentro do UFC. Apesar de Moisés ter mais apresentações na organização do que Young acumulou em toda a carreira no MMA, Thiago não trata o volume de lutas como argumento para subestimar o adversário.

Na avaliação do brasileiro, Young não tem tanta experiência, mas é um obstáculo considerável para o rumo de sua carreira. Moisés afirma que já enfrentou strikers de topo e alguns dos melhores lutadores do UFC, então não acredita que Young traga algo que ele não tenha visto em adversários ou parceiros de treino. Ainda assim, ressalta que o oponente é tecnicamente apurado e quer se firmar no cenário, o que torna o confronto perigoso.

Por fim, Moisés destaca um ponto que considera determinante: a juventude. Young tem 25 anos, e Thiago enxerga a combinação de idade e fome de vitória como as armas mais fortes do adversário.

  • Thiago Moisés — retrospecto no UFC: 8-7 (antes do UFC Winnipeg); histórico com vitórias sobre King Green, Alexander Hernandez, Michael Johnson e Melquizael Costa (substituto de última hora); experiências contra Islam Makhachev e Benoit Saint-Denis; estreia na organização em cima da hora contra Beneil Dariush (2018).
  • Gauge Young — primeira vitória no octógono: decisão sobre Maheshate em agosto de 2025; campanha no UFC: 1-1 antes do confronto.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.