Ilia Topuria não esconde que não tem admiração por Arman Tsarukyan. O clima entre os dois ganhou força nos últimos meses, especialmente depois que o ucraniano—na verdade, o armênio—passou a tratar o caminho até o cinturão como uma missão pessoal, enquanto Topuria segue mirando outros alvos e minimizando qualquer protagonismo do rival.
Topuria reduz Tsarukyan a “nível de iniciante”
Em entrevista, Topuria afirmou que vê o desafiante como alguém sem maturidade e sem credibilidade. O campeão do peso leve falou com dureza sobre a postura do adversário e sobre como Tsarukyan aparece nas redes.
“Estou impressionado com o quanto ele é… sem noção. Ele é uma criança. A cabeça dele é de criança. É isso. O que eu vejo sobre ele na internet é constrangedor. Que se dane Arman, quem liga para isso?”, disparou Topuria.
Topuria também criticou a forma como Tsarukyan tenta construir uma imagem de riqueza. Para o espanhol, o marketing não combina com a realidade do lutador.
“O que eu não gosto é quando fazem parecer que ele é rico e ficam mostrando dinheiro. Cara, você nem é rico. O que você tem é dinheiro — e ainda está gastando o dinheiro do seu pai, não nem o seu. Entendeu? Ele é um garoto”, completou.
O caminho até o cinturão: promoção constante e pouco impacto
Nos bastidores, Tsarukyan trabalhou para transformar a espera pelo confronto com Topuria em uma estratégia contínua. Depois que o armênio foi escalado como lutador reserva no UFC 317, ele acabou ficando de fora do plano principal quando a organização decidiu criar um título interino do peso leve em janeiro.
Nesse novo arranjo, Justin Pimblett venceu Paddy Pimblett e garantiu a chance de encarar Topuria na sequência. Com isso, Tsarukyan seguiu insistindo para furar a fila: disputou quatro eventos do RAF e passou a aparecer com frequência em transmissões de influenciadores conhecidos, alimentando a própria marca para tentar chegar ao cinturão.
Polêmicas dentro e fora do octógono
Apesar do aumento de visibilidade, Tsarukyan também colecionou manchetes por episódios que extrapolaram o jogo. No outono passado, ele chamou atenção ao acertar uma cabeçada durante o encarada com Dan Hooker no UFC Qatar. Mais tarde, voltou a aparecer no noticiário após cometer agressão contra Georgio Poullas depois de uma luta envolvendo luta em pé e ações de luta agarrada no RAF 6.
No fim de semana mais recente, Tsarukyan continuou no mesmo tom: foi retirado de um voo da American Airlines e, depois, na luta do RAF 8, tentou impedir o retorno de Urijah Faber ao jogo em uma cena que terminou com Faber levado ao concreto durante o confronto.
O peso do “barulho”: Topuria diz que não está preocupado
Com tantas situações em torno do armênio, a possibilidade de um duelo entre Topuria e Tsarukyan ganhou ainda mais interesse do público. Ainda assim, o campeão não demonstrou ansiedade para esse confronto.
“Ele não está no meu nível. Se a gente se cruzar, eu vou quebrar a mandíbula dele no primeiro round. O que ele vai fazer? Ele vai me derrubar? Por favor…”, respondeu Topuria, pedindo que o rival se acalmasse e seguisse com seus próprios planos.
Topuria ainda reforçou a ideia de que Tsarukyan deveria focar em torneios de luta e nas próprias transmissões, enquanto ele faria o resto no momento certo.
“Olha, fica calmo. Faz teu trabalho, vai para esses campeonatos de luta, faz suas streams… e quando chegar a hora, é só aparecer que eu resolvo. O ‘ratinho’ pequeno”, concluiu.
Planos no peso leve e rota imediata no UFC
Desde a mudança para a divisão dos leves, Topuria tem minimizado a pressão por uma luta contra Tsarukyan. O foco, segundo ele, é dar continuidade ao caminho no topo para mirar a próxima grande oportunidade: subir para enfrentar Islam Makhachev no peso meio-médio.
Mas, antes disso, Topuria precisa cumprir a etapa mais imediata. Ele terá a missão de defender o cinturão dos leves contra Justin Gaethje no UFC White House.
Mensagem final: “se chamarem, eu luto”
Apesar de manter o discurso de que Tsarukyan não faz parte de sua prioridade, Topuria deixou claro que está pronto para qualquer ajuste que a organização faça. Ele tratou as possibilidades com tranquilidade, deixando o recado de que aceita substituições caso algum adversário não possa lutar.
“Se ligarem amanhã e disserem que o Justin está lesionado, eu luto contra Arman. Sem problema. Se ligarem e disserem que Arman está machucado e que eu tenho que enfrentar [você], eu luto [você], sem problema. Eu posso enfrentar qualquer um, quando a organização quiser. Estou pronto para quem for”, afirmou Topuria.

