UFC 328: Chimaev x Strickland vale o cinturão e Van busca manter o mosca

O UFC retorna ao Prudential Center, em Newark (Nova Jersey), com um card forte do começo ao fim e dois cinturões em disputa logo no topo. No evento principal, Khamzat Chimaev tenta defender o título dos médios pela primeira vez e terá pela frente Sean Strickland, ex-campeão que chega após uma vitória decisiva em fevereiro. No co-main event, o peso-mosca Joshua Van coloca o cinturão em jogo contra o japonês Tatsuro Taira, em uma luta que deve equilibrar pressão em pé e tentativas de controle no chão.

Evento principal: Chimaev x Strickland e o que está em jogo no topo do ranking

Khamzat Chimaev volta ao octógono pela primeira vez desde que conquistou o cinturão no mês passado de agosto e terá como missão segurar o título dos médios contra Sean Strickland. A trajetória recente do campeão mostra um lutador cada vez mais cobrado: apesar de não ter repetido o ímpeto dominante de seus primeiros três compromissos na organização, ele segue invicto e respondeu de forma convincente nas duas últimas atuações frente a adversários mais difíceis e sob mais escrutínio.

Strickland, por sua vez, acelerou sua chegada ao centro das disputas de cinturão com uma apresentação que aumentou o ritmo e a agressividade diante de Anthony “Fluffy” Hernandez, em fevereiro. Na ocasião, o norte-americano garantiu a finalização no terceiro round, em um triunfo que o reposicionou na fila do título. Ainda assim, ele carrega um ponto sensível: desde o triunfo em que surpreendeu Israel Adesanya no UFC 293, Strickland perdeu os dois últimos confrontos de campeonato, então precisa entregar algo semelhante ao que fez em Houston para voltar a vencer uma luta de cinco ou mais rounds com a cinta em jogo.

A dinâmica do combate tende a ser definida por um detalhe técnico: Strickland precisa conseguir pressionar o campeão de forma constante e, ao mesmo tempo, defender quedas com eficiência. O estilo do desafiante — com avanço contínuo, volume estável e presença constante na distância — pode ser um caminho para neutralizar a ofensiva agressiva de grappling de Chimaev. O problema é que Dricus du Plessis praticamente não ofereceu trabalho: a luta engrenou rápido para um cenário desfavorável, e o confronto ficou desigual logo cedo. Se Strickland não achar um meio de impedir que Chimaev recue e consiga acertar com impacto, o risco é repetir um roteiro parecido com o dos rivais que falharam em frear o jogo do campeão.

  • Luta do UFC 328: Khamzat Chimaev x Sean Strickland (evento principal)
  • Cenário: defesa de cinturão dos médios em jogo
  • Ponto-chave: pressão constante do desafiante e defesa eficaz de quedas

Co-main event: Joshua Van x Tatsuro Taira e a disputa que pode mudar o futuro do peso-mosca

Joshua Van defende o cinturão do peso-mosca contra Tatsuro Taira no co-main event. O confronto foi transferido para Newark após o evento original ter sido marcado para o mês anterior no UFC 327, em Miami, com a troca de sede beneficiando o cronograma do card em New Jersey.

Van fechou uma campanha histórica em 2025 ao conquistar o título no UFC 323, derrotando Alexandre Pantoja em dezembro. Na luta pelo cinturão, Pantoja machucou o braço ao tentar se posicionar para acertar a queda — um momento em que Van “apareceu por cima” e aproveitou a janela para levar a disputa ao controle. Aos 24 anos, o brasileiro tem sequência impressionante: são seis vitórias seguidas e nove triunfos em dez desde que chegou ao UFC, pouco antes de completar três anos na organização. Com isso, ele carrega a oportunidade de construir uma era longa no peso-mosca.

Taira chega com um histórico recente que chama atenção. Antes do duelo com Van, ele interrompeu Brandon Moreno, em uma atuação dominante, encerrando a sequência de um antigo campeão. O japonês tem apenas uma derrota dentro do octógono: um revés por decisão dividida para Brandon Royval em um combate de cinco rounds que foi descrito como bastante movimentado. Além disso, ele encaixou finalizações em seis dos oito triunfos no UFC.

Apesar da leitura clássica de “lutador de trocação contra grappler”, o cenário aqui parece mais complexo do que a simples etiqueta sugere. Ambos possuem repertório maior do que o esperado, o que transforma a luta em uma prova de resistência, adaptação e controle de ritmo. O fator decisivo tende a ser quem consegue impor as próprias condições — mas isso muda a cada round. Por isso, o foco será observar como cada um reage se perder uma ou duas parciais no começo do confronto.

  • Luta do UFC 328: Joshua Van x Tatsuro Taira (co-main event)
  • Cenário: defesa do cinturão dos moscas em jogo
  • Leitura tática: troca de controle e ajuste de ritmo a cada round

Outros duelos do card principal: passos rumo ao Top 5 e chances imediatas no welterweight

No restante do main card, Alexander Volkov encara Waldo Cortes Acosta em um confronto de pesos-pesados que mira consolidar posições entre os principais candidatos. Com a divisão em movimento neste ano, a luta pode servir como termômetro para quem está mais próximo de voltar a disputar grandes oportunidades.

Volkov entra no octógono após duas lutas consecutivas em decisões apertadas e bastante debatidas. A primeira terminou em derrota para Ciryl Gane, em um combate em que muitos acreditaram que o russo merecia o resultado. A segunda, em outubro do ano passado, foi uma vitória dele sobre Jailton Almeida, e dessa vez o duelo não teve muita produção ofensiva de ambos os lados. Antes desses dois compromissos, porém, o veterano vinha em sequência: foram quatro vitórias seguidas, mostrando mais agressividade nos triunfos sobre Jairzinho Rosenstruik, Alexandr Romanov, Tai Tuivasa e Sergei Pavlovich.

Do outro lado, Cortes Acosta faz sua segunda aparição em 2026 com foco em manter a frequência de lutas. No ano anterior, ele fechou o cartel com 4-1, incluindo dois nocautes em novembro. Já em 2026, começou com uma finalização no segundo round sobre Derrick Lewis, chegando a 10-2 dentro do octógono e 17-2 no total de sua carreira.

Com cinturão interino em disputa no mês seguinte no UFC Freedom 250 e o retorno de Tom Aspinall ainda sem data confirmada, os dois tentam garantir a melhor posição possível na fila de uma chance futura. Nada é garantido, mas uma atuação forte certamente reforça o caso de qualquer um deles diante dos nomes que ainda vão voltar — como Pavlovich e Josh Hokit.

Logo depois, o welterweight também ganha importância com Sean Brady enfrentando Joaquin Buckley em um confronto de impacto no main card.

Brady vem de um desempenho marcante em março: aceitou uma luta de curta preparação contra Leon Edwards e dominou o ex-campeão por três rounds, encerrando no quarto, com finalização. O lado negativo é que, em novembro, ele caiu diante de Michael Morales, interrompendo uma sequência de três vitórias e o tirando temporariamente do Top 5.

Buckley, por sua vez, desceu para a categoria depois de cinco vitórias em sequência no meio-médio? O texto original indica que ele fez a transição em 2023 para o welterweight e em seguida emendou seis triunfos seguidos. Entre os destaques, ficaram finalizações consecutivas sobre Stephen “Wonderboy” Thompson e Colby Covington em 2024. No ano passado, ele teve um compromisso: foi superado pelo ex-campeão Kamaru Usman e vai para o confronto buscando retomar a trilha das vitórias e se aproximar novamente de uma disputa por título.

O embate pode responder uma pergunta imediata: Brady volta ao caminho das vitórias como fez depois da primeira derrota da carreira, ou Buckley consegue reagir e se aproximar da conversa de cinturão ao conquistar mais um resultado relevante?

A abertura do main card fica por conta de um confronto entre veteranos com mais de 100 lutas profissionais somadas e mais de 60 compromissos no UFC. King Green enfrenta Jeremy Stephens.

Mesmo sendo um dos nomes mais antigos da divisão, Green segue sendo um adversário perigoso. Após vencer Lance Gibson Jr. em dezembro, ele acelerou o calendário e em fevereiro foi até a Cidade do México para conquistar nova vitória, desta vez com finalização no segundo round sobre Daniel Zellhuber.

Stephens retorna ao octógono depois de um período afastado e volta em maio, na cidade de Des Moines, em Iowa, onde enfrentou Mason Jones em uma luta que terminou em decisão. Ele já esteve em confrontos contra alguns dos melhores de duas categorias — o que faz com que a fome por vitória volte a crescer diante da chance de recolocar o nome em rota dentro do UFC.

O duelo chama atenção justamente por contraste de impacto e ritmo: apesar de Green ter vindo bem nas últimas apresentações, Stephens tem o tipo de força “de um golpe” capaz de interromper a cadência do veterano e mudar o enredo de uma luta em segundos. Resta ver como cada um vai conseguir controlar o andamento do combate.

  • Luta do UFC 328: Alexander Volkov x Waldo Cortes Acosta
  • Luta do UFC 328: Sean Brady x Joaquin Buckley
  • Luta do UFC 328: King Green x Jeremy Stephens

Card preliminar: sequência em busca de evolução e confrontos para subir na hierarquia

Nos preliminares, Ateba Gautier, uma promessa em ascensão no peso-médio, faz seu segundo compromisso de 2026 ao voltar a Las Vegas para enfrentar Ozzy Diaz. Gautier já passou por um teste em 2026: ele teve dificuldades em um combate de três rounds contra Andrey Pulyaev no UFC 324, marcando a primeira vez desde a estreia profissional em que venceu por decisão. Diaz, por outro lado, vem de uma vitória unânime no retorno ao peso-médio contra Djorden Santos, em março, e chega como um veterano experiente o bastante para criar problemas ao adversário menos testado.

Em seguida, Joel Alvarez encara Yaroslav Amosov em uma disputa que reúne promessas no peso-meio-médio, com o objetivo de se aproximar do Top 15. Alvarez migrou do peso-leve para os 170 libras no ano passado e estreou na categoria com vitória por decisão sobre Vicente Luque. Naquela noite, Luque acabou sendo o primeiro a resistir até as anotações enquanto perdia para o espanhol. Já Amosov entrou na organização no último card de 2025 e já sinalizou força: finalizou Neil Magny no primeiro round, deixando claro que pode ser um “azarão” no peso.

Outra luta preliminar coloca Grant Dawson e Mateusz Rebecki frente a frente. Os dois já se cruzaram no tatame pela American Top Team, mas neste fim de semana dividem o octógono em Newark. Para Dawson, é um recomeço: pela segunda vez em três anos, ele inicia uma campanha tentando alinhar a direção após a derrota por finalização ainda no primeiro round para Manuel Torres em dezembro, no UFC 323. Rebecki, por sua vez, terminou o ano com resultados frustrantes na pontuação: nos dois compromissos de 2025, caiu nas decisões contra Chris Duncan e Ludovit Klein, ambos reconhecidos como Luta da Noite.

Fechando o bloco de preliminares com veteranos em atividade, Jim Miller e Jared Gordon se enfrentam em um duelo que reúne “Nova Jersey contra Nova York”, em mais uma luta do UFC 328. Miller busca sua vitória de número 27 na carreira e a vitória 27, além de mirar seu início na organização como o compromisso de número 47 no UFC. O lutador vem de derrota em sua única luta em 2025, além de lidar com lesões e questões familiares desde então. Gordon teve um ano mais irregular: em maio, venceu Thiago Moises com nocaute, mas em setembro caiu para Rafa Garcia no Noche UFC.

Nos primeiros combates, Roman Kopylov abre a programação contra Marco Tulio. Kopylov aparece como um dos mais ativos nos 185 libras nos últimos três anos, com cartel de 5-3 e vitórias sobre Punahele Soriano, Cesar Almeida e Chris Curtis. Tulio começou sua passagem no UFC com triunfos por finalização contra Ihor Potieria e Tresean Gore, mas sofreu um revés em novembro: ele voltou a perder por um resultado semelhante contra Christian Leroy Duncan, em um duelo que também fez a decisão ir para o lado errado.

Em outra luta preliminar, o veterano Pat Sabatini tenta ampliar a sequência positiva, enquanto William Gomis busca atravessar o Atlântico para alcançar a maior vitória da carreira. Sabatini chega a Newark depois de três vitórias seguidas e oito triunfos em dez no UFC, com a apresentação mais recente sendo uma vitória em que ele trabalhou melhor do que Chepe Mariscal, trazendo um gosto de “revide” por conta dos confrontos regionais anteriores. Gomis, por sua vez, reagiu depois da primeira derrota na organização com vitória sobre o ex-campeão do KSW, Robert Ruchala, em setembro, chegando a 5-1 no octógono e mantendo ênfase em crescer dentro da divisão.

Um dos nomes mais promissores do ano passado, Baisangur Susurkaev, estreia em 2026 contra Djorden Santos, outro graduado do Contender Series. Susurkaev recebeu o contrato e, em apenas quatro dias, voltou ao ritmo para buscar sua primeira vitória e, em seguida, repetiu a dose com nocaute no terceiro round sobre Eric McConico em novembro. Santos estreou na promoção com derrota para Ozzy Diaz, mas se recuperou: em outubro, em Vancouver, venceu Danny Barlow por decisão unânime.

Fechando a sequência de preliminares, Clayton Carpenter abre a ação do UFC 328 contra Jose Ochoa no peso-leve? O texto indica que a abertura é no peso-mosca, com Carpenter enfrentando Ochoa. Carpenter, produto do MMA Lab, vem alternando resultados: nos quatro primeiros compromissos no UFC, ele teve vitórias por finalização nas duas primeiras lutas, mas depois caiu nas duas últimas apresentações contra Tagir Ulanbekov e Jafel Filho. Ochoa estreou com derrota para Lone’er Kavanagh, reagiu em seguida com nocaute sobre Cody Durden e, em julho, aceitou um duelo de curta preparação contra um nome do Top 10, Asu Almabayev. Naquela luta, ele voltou a sofrer um revés na pontuação, terminando em 8-2 no total de sua carreira.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.