O UFC 328 sacudiu o Prudential Center, em Newark, nos Estados Unidos, neste sábado (9 de maio de 2026), e deixou marcas no pós-evento de vários atletas. Entre eles, Tatsuro Taira sentiu o impacto de uma luta pelo título dos pesos-mosca, enquanto Joshua Van definiu tudo no quinto e último round, encerrando o confronto com nocaute.
No card principal, Jeremy Stephens também teve um desfecho duro no peso-leve. King Green finalizou o rival ainda no primeiro round, garantindo a vitória por finalização e ampliando a lista de resultados que mexeram com o clima do evento.
O “pior pesadelo” do pós-luta tem nome: Khamzat Chimaev
- Chimaev chegou ao evento com uma sequência de 15 lutas sem derrota.
- Ele nunca tinha provado a derrota em oito anos de carreira profissional.
- O russo ainda carregava a fama de “força incontestável” do evento, reforçada pelo cinturão mundial dos médios.
- O revés no UFC 328 foi a primeira derrota da carreira.
O destaque negativo da vez é Khamzat Chimaev. Antes do show, o lutador vivia o auge do domínio: eram 15 compromissos seguidos sem conhecer derrota e um cartel construído ao longo de oito anos, sem um único revés no MMA profissional. Além disso, a imagem de “imparável” já era consolidada no cenário, e o posto de campeão dos médios do mundo só aumentava a pressão sobre qualquer adversário.
Chimaev chegou ao título depois de uma atuação que impôs ritmo e controle sobre Dricus du Plessis no UFC 319, em agosto de 2025. Foi ali que o “Borz” colocou as mãos no cinturão ao superar o rival, em um momento que marcou mais um desempenho dominante em sua trajetória no octógono. Ao longo de uma campanha de nove lutas na organização, ele também havia superado nomes como Robert Whittaker, Kevin Holland, Gilbert Burns e Kamaru Usman, entre outros, elevando ainda mais o peso do que estava em jogo.
O plano de Chimaev: manter o domínio e conseguir a primeira defesa
Uma vitória sobre Sean Strickland não apenas ampliaria o currículo do campeão, como também colocaria em pauta algo histórico: seria a primeira defesa de cinturão dele. Pelo estilo de Chimaev, muito se esperava que o combate seguisse o script mais conhecido do atleta — com vantagem construída via luta agarrada e controle — mas a realidade do octógono foi outra.
Durante cinco rounds, Chimaev e Strickland se alternaram em trocação na maior parte do tempo, criando um cenário diferente das previsões. Depois do primeiro round, porém, ficou claro que Strickland não pretendia ser engolido pelo grappling sufocante do campeão. O desafiante ajustou o plano e passou a trabalhar a defesa de quedas com mais eficiência, forçando Chimaev a mudar o caminho da luta.
Com a dificuldade para levar o adversário ao chão, Chimaev foi para o ataque em pé, e os sinais mostravam que a estratégia tinha efeito. O rosto de Strickland começou a sangrar após uma lesão no nariz, resultado de golpes que abriram caminho para uma ofensiva mais agressiva do campeão.
Mesmo assim, Strickland não recuou. Apesar de ser atingido por sequências, ele respondeu com firmeza, sustentou o castigo e usou o próprio jogo de boxe — especialmente o jab — para causar incômodos repetidos e transformar a trocação em uma disputa de resistência e precisão.
Decisão apertada e cinturão trocando de mãos
Após o encerramento das cinco parciais, os juízes precisaram definir o resultado. No fim, Strickland saiu com uma decisão dividida extremamente apertada, garantindo não só a vitória, mas também o cinturão mundial.
Com o placar em mãos, a pergunta que ficou no ar foi: o que Strickland fez de diferente para conseguir o resultado quando outros falharam? A resposta apontada foi a capacidade atlética e o condicionamento — ou, em outras palavras, o “tanque” superior para aguentar o ritmo do campeão e sustentar o plano durante todo o combate.
O impacto do resultado foi ainda maior para Chimaev. A derrota representou a primeira vez que ele sofreu um revés na carreira, quebrando um histórico que vinha sendo construído por anos. Com isso, a possibilidade de alteração de categoria também começou a ganhar força.
Dana White indica mudança para o peso-pesado
No pós-evento do UFC 328, em entrevista coletiva, o presidente da organização, Dana White, revelou que uma movimentação para a divisão dos meio-pesados está no horizonte. A ideia ganha ainda mais sentido quando se considera o custo do corte de peso que Chimaev teria enfrentado para bater a marca na categoria anterior.
Se Chimaev realmente seguir com o plano e subir para os 205 libras, o confronto mais lógico para a estreia seria contra Paulo Costa. A escolha não é aleatória: existe uma história amarga entre os dois que começou após um confronto no Meta Apex. Atualmente, Costa ocupa a sétima posição no ranking da divisão e vem de vitória sobre Azamat Murzakanov.
Em 2023, os dois chegaram a ficar encaminhados para se enfrentar, mas Paulo Costa precisou retirar-se do combate por conta de uma lesão no ombro. Agora, com o cenário se reorganizando, um duelo com cara de “próximo passo” aparece como uma oportunidade clara para Chimaev.
Para os dois lados, a luta faz sentido: seria um teste relevante para Chimaev na nova categoria e, ao mesmo tempo, uma forma de o campeão retomar o caminho das vitórias com uma vitória convincente contra um adversário forte. Em paralelo, o resultado também ajudaria a apagar a memória do fim da invencibilidade — e, de quebra, do cinturão que ele deixou escapar.
No fim, a grande questão é como Chimaev vai responder ao primeiro grande choque da carreira. Ele conseguirá transformar a mudança de divisão e a próxima luta em uma virada real? Acompanhar o desdobramento disso é o que deve definir os próximos capítulos do “Borz” no UFC.

