UFC no Meta APEX: Belal Muhammad encara desafio nos meio-médios; veja preview

Enquanto a atenção do MMA começa a migrar para Washington, D.C., onde o UFC Freedom 250 acontece no próximo fim de semana, um card forte chega antes disso no Meta APEX, em Las Vegas. A atração principal reúne um duelo de peso-médio do topo do ranking dos médios e, principalmente no coevento, mas o destaque mesmo da noite fica no combate de pesos-meio-médios entre o ex-campeão Belal Muhammad e a promessa brasileira Gabriel Bonfim, em um confronto que pode reposicionar os dois na briga pelas disputas do cinturão.

Belal Muhammad x Gabriel Bonfim: o que está em jogo no main event

O card do sábado no Meta APEX fecha com um confronto gigantesco na divisão dos meio-médios, juntando o ex-campeão Belal Muhammad e o brasileiro Gabriel Bonfim, que vem do Dana White’s Contender Series. Para Muhammad, a luta representa a chance de evitar uma sequência negativa que pode tirá-lo da rota do título. Para Bonfim, a expectativa é continuar evoluindo como um nome jovem e perigoso, consolidando seu nome na conversa do cinturão.

Cenário do ex-campeão

Menos de dois anos após conquistar o cinturão de forma dominante, Belal Muhammad inicia sua campanha de 2026 tentando interromper um momento ruim de resultados e permanecer entre os principais nomes da categoria. Depois de perder o título para Jack Della Maddalena em uma batalha acirrada no UFC 315, o lutador de 37 anos acabou ficando do lado oposto do placar em um duelo em novembro contra Ian Machado Garry, realizado no Catar.

Cenário do brasileiro

Gabriel Bonfim chega ao segundo compromisso consecutivo como luta principal embalado por uma sequência de quatro vitórias. No compromisso anterior no topo do card, ele finalizou Randy Brown no segundo round, em novembro, marcando sua primeira experiência como headliner. Formado pela turma de 2022 do DWCS, Bonfim soma 6-1 desde que entrou no UFC e chega ao duelo deste sábado com cartel total de 19-1.

Estilos que devem chamar atenção

O duelo também promete um contraste interessante de abordagem. Belal costuma render mais quando trabalha avançando sem pausa, apoiando-se fortemente na luta agarrada e no wrestling. Já Bonfim não apenas aceita trocas no clinch e na luta no chão como tem preferência por situações que permitam controlar o adversário e buscar finalizações a partir do pescoço.

Co-main e outros destaques do card principal

Nos médios, a noite ganha um capítulo decisivo no coevento: Brendan Allen encara Edmen Shahbazyan. Os dois chegam ao octógono pelo caminho do Dana White’s Contender Series e prometem um encontro que pode mexer diretamente no topo da categoria.

Brendan Allen x Edmen Shahbazyan

Com 30 anos, Brendan Allen está perto de completar sete anos desde sua estreia na organização. Ele fechou 2025 com uma grande vitória, aproveitando luta de última hora em Vancouver, quando finalizou Reinier de Ridder de maneira rápida. O resultado o projetou para o Top 5, e agora o norte-americano tenta ampliar sua sequência para três triunfos consecutivos diante de Shahbazyan.

Combates que movimentam o ranking: estrelas em ascensão

Além do coevento, o card traz disputas que podem reordenar posições importantes. Entre elas, um encontro pensado para colocar dois nomes em evidência no caminho para o topo.

Edmen Shahbazyan em busca de sequência e Allen defendendo posição

“The Golden Boy” entrou no Top 15 já no primeiro ano no plantel, acumulando quatro vitórias e três finais, com desempenho que o colocava como candidato real. Depois de um período difícil em que vencer ficou mais complicado, o lutador do Xtreme Couture tenta esticar a sequência de resultados para quatro e alcançar degraus acima de onde já esteve no ranking. A pergunta é se ele consegue segurar o espaço conquistado ou se Shahbazyan continua em alta e emplaca uma escalada rumo ao Top 10.

Fares Ziam x Tom Nolan nos leves

Outro confronto importante envolve os pesos-leves: o francês Fares Ziam encara o australiano Tom Nolan. Ziam estreou no UFC ainda jovem, com 22 anos, e com uma base inicial limitada. No entanto, ao longo de mais de seis anos, ele cresceu fisicamente, aprimorou seu repertório e virou uma ameaça crescente na divisão dos 155 libras, chegando para o combate com seis vitórias seguidas. Na última luta, “Smile Killer” atropelou Nazim Sadykhov, mostrando profundidade cada vez maior no jogo.

Já Nolan iniciou sua trajetória na organização após aparecer na Temporada 7 do Dana White’s Contender Series. A sequência de seis vitórias seguidas e quatro finais consecutivas garantiu espaço nos leves, mas o começo da passagem pelo UFC teve tropeços e isso fez parte do público questionar se ele manteria o ritmo. Desde então, ele emendou quatro triunfos seguidos, fechando seus últimos resultados com finalizações no primeiro round, chegou ao cartel geral de 10-1 e se aproximou do Top 15.

O duelo tende a ser didático para entender a posição de cada um na hierarquia atual. Ziam ocupa a 14ª colocação no ranking e tenta conquistar mais espaço vencendo “na frente”. Nolan, por sua vez, quer mostrar que não é apenas um nome isolado: ele tenta reforçar a ideia de que há mais do que uma promessa australiana relevante no elenco.

Bryce Mitchell x Santiago Luna no peso-galo

Uma mudança tardia de adversário deixa o card mais interessante: Bryce Mitchell volta ao peso-galo para encarar Santiago Luna, que chega invicto. Foi depois de um longo período sendo ventilado como possível integrante do Top 15 no peso-pena que Mitchell decidiu descer de divisão no verão passado. Na estreia como peso-galo, ele venceu Said Nurmagomedov por decisão unânime.

Com cartel de 18-3 e apenas derrotas contra nomes de elite, “Thug Nasty” entra em uma nova fase no 135 e tenta traduzir seu jogo de grappling em um cenário diferente. Do outro lado, Luna tem 21 anos e já soma 2-0 dentro do octógono, sendo apontado como uma das maiores promessas do elenco: um jovem lutador combativo, focado e com instinto de finalização, além de muita fibra e margem para evoluir. Ele também foi pela primeira vez completo na distância em fevereiro e pode acelerar sua ascensão com uma vitória sobre Mitchell neste fim de semana.

Luta de abertura do card principal: Iwo Baraniewski x Junior Tafa

Na primeira luta do card principal, Iwo Baraniewski e Junior Tafa se enfrentam em um confronto que promete ser explosivo no peso-pesado, mas com transição recente para o peso-médio, conforme a proposta da noite.

Iwo Baraniewski em ritmo de torcida

Baraniewski virou rapidamente queridinho do público. O polonês invicto conquistou suas duas primeiras vitórias no UFC em menos de dois minutos somados — e isso mesmo depois de ter recebido o contrato após nocautear em 20 segundos na edição anterior do Dana White’s Contender Series. Agora com 8-0, o atleta de 27 anos é um grappler por natureza, embora ainda não tenha precisado mostrar o judô com tanta ênfase até aqui.

Junior Tafa em busca de consistência

Junior Tafa teve dificuldades para manter resultados regulares dentro do octógono desde que entrou para o elenco em 2023 como peso-pesado. No ano passado, ele migrou para o peso-meio-pesado e agora encara Baraniewski com apenas pouco mais de um mês desde sua vitória por paralisação no primeiro round sobre Kevin Christian, em Perth.

A leitura geral para a luta é de que o final deve acontecer. A tendência é que a interrupção ocorra antes da metade do primeiro assalto, e qualquer desfecho diferente disso soaria como surpresa.

Preliminares: voos rasantes e duelos com substituição

No card preliminar, os primeiros combates também trazem testes importantes para a sequência de nomes em crescimento.

Matt Schnell x Alessandro Costa (moscas)

Os voos rasantes encerram a primeira parte do card com Matt Schnell contra Alessandro Costa. Schnell desistiu de uma aposentadoria precipitada no ano passado e voltou a lutar em abril, vencendo Jimmy Flick. Já em novembro, acabou ficando do lado errado em uma luta contra Joseph Morales, vencedor do TUF mais recente.

Costa entra no lugar do prospect Imanol Rodriguez. A missão dele é conquistar a segunda vitória no ano e manter o aproveitamento de 100% de finais dentro do UFC.

Marcus McGhee x John Yannis (moscas)

Marcus McGhee, do MMA Lab, volta a lutar com a ideia de voltar a vencer. Ele enfrenta John Yannis, adversário que entrou como substituto em cima da hora.

McGhee, de 36 anos, não luta desde agosto do ano passado, quando perdeu por decisão para o atual campeão Petr Yan. Em abril, ele tinha registrado uma paralisação no primeiro round. Agora, Yannis substitui Jakub Wiklacz com a intenção de emplacar uma segunda vitória seguida e conquistar o maior triunfo da carreira.

Bruno Silva x Edgar Chairez (moscas)

Bruno Silva, que já é presença constante no peso-mosca e ocupa espaço relevante no Top 15, coloca sua posição em jogo diante de um adversário em crescimento: o mexicano Edgar Chairez.

Silva, que estava na última vaga do ranking divisional, perdeu em decisão dividida para Charles Johnson no início do ano e, com isso, caiu para 1-3 nos quatro últimos compromissos. Chairez entra com cartel de 3-2 e um no contest em seis lutas no UFC. Ele vem de vitórias em seus dois últimos compromissos e, em derrotas, já enfrentou apenas participantes de luta pelo título: o campeão Joshua Van e o desafiante Tatsuro Taira.

Priscila Cachoeira x Chelsea Chandler (galos)

Priscila Cachoeira e Chelsea Chandler se enfrentam em um duelo que pode “ligar o modo eletricidade” logo no começo do card — ou virar algo totalmente diferente do que ninguém gostaria de assistir. Cachoeira tem uma abordagem de “matar ou morrer” no octógono: ela troca com golpes fortes, abre oportunidades e entrega finalizações dignas de replay, além de criar chances para contra-atacar com impacto.

Chandler, por sua vez, luta pela primeira vez em mais de um ano e é apenas a quarta aparição dela nos últimos três anos. Ela tenta interromper uma sequência de duas derrotas e voltar ao ritmo que, no início da carreira, levou a cinco triunfos seguidos.

Jordan Leavitt x Joanderson Brito (penas)

Jordan Leavitt e Joanderson Brito se enfrentam em um duelo entre formados do Dana White’s Contender Series na divisão dos penas.

Fechando o card: séries do Contender Series e duelos de estreia

Outras lutas do programa também têm peso de vitrine para jovens atletas, com histórias recentes de entrada e reviravoltas dentro do UFC.

Leavitt x Brito: Season 9 contra Season 8 no mesmo card

Leavitt chega em sequência de duas vitórias. Ele começou o ano construindo seu ritmo com uma finalização rápida de Kurt Holobaugh e, em seguida, venceu Yadier del Valle por decisão unânime na estreia dele na categoria. Leavitt é integrante da turma do DWCS de 2021.

Já Joanderson Brito, da turma do DWCS de 2022, vinha de um momento mais discreto e quebrou uma sequência de dois reveses com uma decisão unânime sobre Isaac Thomson, que entrou em substituição com pouco tempo. O combate aconteceu no último card do ano de 2025.

Jeisla Chaves x Yuneisy Duben (título de vitrine do feminino)

A programação também reserva um duelo entre turmas diferentes do Contender Series: Jeisla Chaves, da Season 9, encara Yuneisy Duben, da Season 8. A discussão em torno do resultado de Chaves na última edição foi grande: houve debate sobre a decisão na vitória sobre Sofia Montenegro, mas a competitividade do combate garantiu a ela uma chance no elenco mesmo assim.

Duben, por outro lado, conquistou seu espaço após um nocaute de grande impacto para garantir a vaga. No entanto, na estreia dela no UFC, acabou recebendo uma surra unilateral das mãos de Carli Judice no ano passado.

Ketlen Souza x Ariane Carnelosi: revanche no feminino

O show abre com um duelo de peso-palha envolvendo brasileiras: Ketlen Souza e Ariane Carnelosi fazem uma revanche agora sob as cores do UFC. O primeiro encontro entre as duas aconteceu em 2019, e Souza saiu do lado errado naquele resultado.

Em fevereiro, Souza começou o ano com um triunfo por decisão unânime sobre Bruna Brasil. Carnelosi tenta chegar a 2-0 na série e retomar o caminho correto depois de uma atuação que começou bem, mas desandou: ela perdeu o fôlego e acabou finalizada por Talita Alencar na última luta.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.