Mike Malott revela ajustes antes de finalizar Gilbert Burns no UFC Winnipeg

Mike Malott segue o plano: deixa as atuações falarem por ele e deixa o restante nas mãos do UFC. Para alcançar o nível máximo — como fez no sábado, ao finalizar Gilbert Burns no main event do UFC Fight Night 273, em Winnipeg, no estado de Manitoba — o canadense (cartel de 14-2-1 no MMA e 7-1 no UFC) admite que, mesmo com preparação intensa, às vezes precisa fazer ajustes no meio do caminho.

Neste ciclo de treinos, houve um ponto em especial que Malott acredita ter rendido frutos. Em entrevista na coletiva pós-luta, ele destacou uma evolução grande no condicionamento e na parte aeróbica: “Eu sinto que meu condicionamento e cardio evoluíram de um jeito absurdo. Eu foquei nisso por muito tempo nos últimos seis meses. Depois da minha última vitória eu percebi que poderia acabar no main event, e eu não queria entrar no combate oito semanas antes sem estar pronto. Então passei seis meses trabalhando meu cardio e minha preparação física. Eu me senti muito bem lá dentro e senti que não estava respirando pesado”.

O atleta também ressaltou o peso do camp até aqui, descrevendo a rotina como uma sequência difícil de desafios: “Sem dúvida, foi o camp mais puxado que eu já tive no UFC. Foi um onda atrás da outra de adversários frescos contra mim, como se fosse um tanque cheio de tubarões, e ainda tinha muita direção e tempo de treino no ginásio. Às vezes eu ficava no estacionamento por três minutos pensando: ‘Meu Deus, o que eu vou passar hoje? Vai ser uma droga’. Mas saber que talvez isso fosse exatamente o que eu precisava para estar no meu melhor no dia 18 de abril foi o mais importante — e foi o que deu resultado”.

A vitória no sábado foi, de longe, o maior marco da carreira de Malott. Foi a primeira vez que ele liderou um card como headliner no UFC e, praticamente, deve colocá-lo na rota de uma disputa entre os principais nomes do peso meio-médio da organização, ainda mais considerando o peso competitivo da vitória sobre um contender tradicional da divisão.

Malott tratou a conquista como consequência direta de todo o investimento pessoal que ele coloca no esporte. “Eu ponho muito de mim na preparação, nesse esporte. Foi uma jornada longa até aqui. É muito bom sentir esse alívio depois de lutar contra um adversário duro. Agora é hora de soltar tudo depois da luta, sentir todas as emoções”, afirmou.

Enquanto Malott celebrava, Burns sofreu o impacto da derrota. Para o brasileiro (22-10 no MMA e 15-10 no UFC), que era um nome consolidado entre os principais desafiante do peso meio-médio, o revés teve gosto amargo. Após a luta, Gilbert Burns anunciou sua aposentadoria das competições.

O vencedor deixou elogios ao caminho percorrido pelo adversário. “Foi uma honra muito grande dividir o octógono com ele. Ele teve algumas das atuações e lutas mais brutais da história do UFC. Fora do octógono ele é um cavalheiro. Eu só tenho o mais alto respeito por esse cara”, disse Malott, reconhecendo tanto o cartel quanto a postura do brasileiro.

Quanto ao próximo passo, Malott brinca com a ideia de que, mesmo sendo do Canadá, ele está “agindo como suíço”. “Eu não ligo para isso. O UFC vai me avisar. Eu não escolho nenhuma luta. Eles só chegam e falam: ‘Ei, é esse o adversário. São essas as rodadas’. E eu respondo: ‘Vamos lá, bebê’”, concluiu, deixando claro que pretende manter a postura de quem aceita o desafio quando ele aparecer.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.